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Dificuldades dos Alunos na Aquisição do Letramento nas Séries Iniciais

Trabalho enviado por: Marlene Aparecida Viana Abreu

Data: 03/03/2006

DIFICULDADE DOS ALUNOS NA AQUISIÇÃO DO LETRAMENTO NAS SÉRIES INICIAIS

RIO DE JANEIRO

2006


RESUMO

Vivemos hoje novas orientações e desafios: a educação não cabe apenas repassar ou transmitir conhecimentos, mas favorecer a formação humana, desenvolvendo as potencialidades dos sujeitos, por meio de uma aprendizagem que conduza os alunos a aprender a pensar e a aprimorar habilidades necessárias ao enfrentamento com o mundo que ora se apresenta. O processo de alfabetização ao longo dos anos, tem sido considerado o grande responsável pelo fracasso escolar e, conseqüentemente, vem atuando como gerador da exclusão de significativa parte do alunado, conferindo à escola um papel elitista e discriminatório. Daí, a necessidade de se fazer algo "urgente" para que se mude a presente realidade. A partir dos dados obtidos constatei alguns pontos considerados fundamentais para entender como se dá a construção dos conhecimentos sobre a leitura e a escrita. Desse modo, os dados foram organizados em três categorias de análise a saber: O processo da aquisição das habilidades necessárias à alfabetização e ao letramento; Estratégias utilizadas pelo professor para motivar na criança, o gosto pela leitura; e Objetivos priorizados pelo professor na alfabetização do aluno. A partir das observações em sala de aula, percebemos que P1 dá "espaço" para que as crianças questionem, participem e que, mesmo aqueles alunos que se mostram mais desinteressados em estudar, parecem possuir uma relação de entrosamento muito grande com a professora, o que auxilia o envolvimento desses nas atividades.

Palavras-chave: alfabetização – letramento – aprendizagem significativa


1. INTRODUÇÃO

As observações preliminares permeadas pelo exercício de minha prática docente e as leituras que estou fazendo no curso de pós-graduação, me despertou o interesse em pesquisar como a criança constrói seu conhecimento na leitura e a escrita e quais são as dificuldades encontradas neste processo.

Pesquisar este tema foi uma necessidade que surgiu da prática pedagógica, já que venho observando, ao longo de meu trabalho enquanto professora das séries iniciais, a dificuldade que alguns alunos sentem em relação ao processo de alfabetização ou deveria dizer, ao letramento.

Na prática de professora das séries iniciais do ensino fundamental, tenho me deparado cada vez mais com crianças que enfrentam grandes dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita observando que a maioria das reprovações acontece na 1a série do ensino fundamental; os alunos reprovados ou que fracassam pertencem, geralmente, à classes desfavorecidas. É possível encontrar crianças na 1a série em diversas fases de aprendizagem e com diferentes dificuldades em relação o processo da aquisição da leitura e da escrita.

É preciso, no entanto, situar o nosso momento: educamos no contexto de novo século, com demandas diferenciadas e que se alteram em um dinamismo irrefreável, fruto das transformações e dos avanços em uma sociedade em constante mudança.

Vivemos hoje novas orientações e desafios: a educação não cabe apenas repassar ou transmitir conhecimentos, mas favorecer a formação humana, desenvolvendo as potencialidades dos sujeitos, por meio de uma aprendizagem que conduza os alunos a aprender a pensar e a aprimorar habilidades necessárias ao enfrentamento com o mundo que ora se apresenta.

Penso que este trabalho, além de servir de orientação para novas práticas pedagógicas, poderá servir também de suporte para outros professores que trabalham com alfabetização e procuram entender pontos de dificuldades dos alunos na aquisição do letramento.

Hoje, existe o campo da psicopedagogia, bem desenvolvida para uma percepção global do fato educativo e para a compreensão satisfatória dos objetivos da educação e da finalidade da escola, possibilitando assim, uma ação transformadora. Este campo permiti-nos também detectar problemas na educação e possíveis soluções, o que poderá mostrar-nos caminhos para uma educação de qualidade. da finalidade da escola.


2 – A ESCOLA E SEU PAPEL SOCIAL

O processo de alfabetização ao longo dos anos, tem sido considerado o grande responsável pelo fracasso escolar e, conseqüentemente, vem atuando como gerador da exclusão de significativa parte do alunado, conferindo à escola um papel elitista e discriminatório. Daí, a necessidade de se fazer algo "urgente" para que se mude a presente realidade.

O fato da escola em geral, não saber fazer de seus alunos bons leitores, traz conseqüências graves para o futuro destes, que terão enormes dificuldades no cotidiano de sua vida escolar e pessoal, onde a leitura e a escrita se fazem necessárias a todo instante e serão fortes candidatos não só ao insucesso escolar como também sofrerão o processo da exclusão na sociedade na qual estão inseridos.

A insatisfação de professores e alunos revela que há problemas a serem superados tais como, a necessidade de se reverter um ensino centrado em procedimentos mecânicos, desprovidos de significados para o aluno. Há urgência em reformular objetivos, rever conteúdos e buscar metodologias compatíveis com a formação que hoje a sociedade reclama.

2.1- A construção do conhecimento

Segundo alguns autores como FERREIRO (1998), alfabetizar significa orientar a criança para o domínio da escrita e letrar significa levá-la ao exercício das práticas sociais de leitura e de escrita.

Para FREIRE(1976),

aprender a ler, a escrever, alfabetizar-se é, antes de mais nada, aprender a ler o mundo, compreender o seu contexto, não numa manipulação mecânica de palavras, mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade (p.21).

Parece-me serem os adultos aqueles que tem uma maior dificuldade na compreensão de como ocorre o processo da alfabetização, imaginando-o como seqüências idealizadas de progressão cumulativas, estimulando modos idealizados de fala que estariam ligados à escrita e construindo definições do "fácil" e do "difícil," definições estas que nunca levaram em conta de que maneira se define o fácil e o difícil para o ator principal da aprendizagem, a criança.

De acordo com FERREIRO (2000):

[...]a aprendizagem da leitura e da escrita não se dá espontaneamente; ao contrário, exige uma ação deliberada do professor e, portanto, uma qualificação de quem ensina. Exige planejamento e decisões a respeito do tipo, freqüência, diversidade, seqüência das atividades de aprendizagem. Mas essas decisões são tomadas em função do que se considera como papel do aluno e do professor nesse processo; por exemplo, as experiências que a criança teve ou não em relação à leitura e à escrita. Incluem, também, os critérios que definem o estar alfabetizado no contexto de uma cultura (p. 32).

Esta mesma autora oferece-nos um instrumental de possibilidades de ver a criança no seu processo de aquisição da escrita, de verificar o que ela sabe e o que ela não sabe porque, é no que ela ainda não sabe, no que ela pode e tem condições de fazer com ajuda, com interferência do adulto, que o professor vai atuar.

Segundo WELLS (s/d), estar plenamente alfabetizado é ser capaz de compreender diferentes tipos de textos, possuir um repertório de procedimentos e habilidades para relacioná-los em um campo social determinado.

Sobre isso, FERREIRO (2000) esclarece que:

[...]as crianças são facilmente alfabetizáveis desde que descubram, através de contextos sociais funcionais, que a escrita é um objeto interessante que merece ser conhecido (como tantos outros objetos da realidade aos quais dedicam seus melhores esforços intelectuais) (p.25).

Para que melhor se possa entender a situação que a criança se apresenta hoje em relação à leitura e a escrita, se faz necessário fazer uma breve retrospectiva histórica.

Vivemos inseridos num mundo diferente daquele de vinte, trinta anos atrás. Nossa sociedade está cada vez mais globalizada, mais complexa, exigindo um aprimoramento constante, criando novas necessidades. Há alguns anos, as pessoas eram classificadas em alfabetizadas ou analfabetas pela condição de saber ou não, escrever o próprio nome - condição para que se pudesse votar e escolher os governantes.

Na década de oitenta, surgiu o termo "analfabetismo funcional" para designar as pessoas que, sabendo escrever o próprio nome e identificar letras, não sabiam fazer uso da leitura e da escrita no seu cotidiano.

A medida que utilizavam para saber se o sujeito era alfabetizado, era o tempo de permanência nas escolas. Com menos de quatro anos considerava-se que o indivíduo não tinha se apoderado da leitura e da escrita, sendo, portanto, analfabeto funcional. Mas observou-se que, mesmo dentre os que permaneciam por mais tempo nas escolas, alguns não eram capazes de interagir e se apropriar da leitura e escrita. Criou-se então, o termo letramento, para designar esta nova condição.

De acordo com BRASIL(1998):

Alfabetizado é aquele indivíduo que sabe ler e escrever; já o indivíduo letrado, o indivíduo que vive em estado de letramento, é não só aquele que sabe ler e escrever, mas aquele que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de escrita (p.38).

Surge então, a necessidade de as escolas repensarem o seu papel social. Não apenas alfabetizar. Não apenas fazer com que o indivíduo permaneça na escola por mais tempo. Mas dar qualidade a esse tempo de permanência nas escolas. Ou seja, letrar os seus alunos, pois o letramento possibilita que o indivíduo modifique as suas condições iniciais sob os aspectos: social, cultural, cognitivo e até mesmo o econômico.

Quando observamos o índice de analfabetismo no país publicado pelo Jornal Folha de São Paulo (27/03/2001),15 milhões de brasileiros cerca de 13,3 % da população nos assustamos. O número de analfabetos funcionais eleva o índice para 29,4 % da população brasileira. Imaginemos então, qual seria o índice se fosse considerado um grau mínimo de letramento. Com certeza chegaria a 50 % ou mais.

Um estudo divulgado pelo IBGE (retirado nos PCNs 1997), mediu o hábito e a capacidade de leitura e da escrita da parcela alfabetizada da população brasileira nas grandes cidades. Depois de submetidos a um teste, os entrevistados foram classificados em três grupos de acordo com os resultados alcançados. No grupo I, os que compreendiam textos curtos e anúncios, 34% dos entrevistados. No grupo II, os que, além das habilidades do nível I, conseguem ler e compreender textos um pouco mais extensos, como reportagens de jornais – 37 %. E no grupo III, os que são capazes de ler e compreender textos longos, conseguem realizar inferências e estabelecer relações entre os diversos elementos como títulos e subtítulos – apenas 29 % dos entrevistados. Ainda, a mesma pesquisa revelou que 41 % dos entrevistados não têm hábito de leitura.

Os dados da pesquisa nos apontam a necessidade...

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