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As Dificuldades da Alfabetização nas Séries Iniciais

Trabalho enviado por: Marlene Aparecida Viana Abreu

Data: 18/03/2006

AS DIFICULDADES DA ALFABETIZAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS: SERÁ UM PROBLEMA DE MÉTODO?

RIO DE JANEIRO

2006


RESUMO

O trabalho desenvolvido teve como objetivo repensar os métodos usados na escola onde fiz observações pedagógicas e entrevistas com professoras da Fase I, bem como ampliar minha visão sobre os processos de alfabetização. Durante o desenvolvimento da pesquisa teórica, me identifiquei com as palavras de Luiz Carlos Cagliari ao definir que o professor não precisa de um método específico, ele faz seu próprio método, usando sua criatividade e experiência. As professoras entrevistadas mostraram ser conscientes da necessidade de alfabetizar partindo do conhecimento que o aluno traz consigo e de variedades textuais para visualização, para depois transformar esse conhecimento em aprendizagem sistemática. Sabe-se que o segredo da alfabetização é a leitura, e escrever é decorrência desse conhecimento. Não se pode escrever para depois ler; é o inverso, primeiro o aluno se familiariza com os vários tipos de texto, lê, e depois escreve. Neste sentido é necessário repensar que um novo método não resolve os problemas da alfabetização. É preciso analisar as práticas de introdução da língua escrita, tratando de ver os pressupostos subjacentes a elas, e até que ponto funciona como filtros de transformação seletiva e deformante de qualquer proposta inovadora. Procurar sempre uma forma de oferecer à criança a base de sustentação da alfabetização: a leitura, para que haja uma alfabetização concreta e significativa para o aluno.

Palavras-Chave: leitura – escrita - métodos


I. INTRODUÇÃO

O presente trabalho terá como objetivo discursar sobre um assunto que ocupa, hoje, o lugar central na discussão da educação escolar no mundo, a alfabetização e seus problemas.

O trabalho irá relatar as várias tentativas de se processar a alfabetização, nos chamados Métodos Tradicionais de Ensino, quais foram suas vantagens e desvantagens, qual a necessidade de se ter um método específico ou não.

Mostrará também alguns pensadores e teóricos como Emília Ferreiro (1991), Cagliari (1998), Moll (1996) que, através de seus trabalhos muito bem fundamentados, apresentam uma nova visão de como ver o mundo da criança dentro do contexto da alfabetização, repensar o papel do professor e do aluno no processo ensino/aprendizagem buscando alternativas para um trabalho de qualidade.

As dificuldades que enfrentamos hoje na alfabetização são agravadas tanto pelo passado (a herança do analfabetismo e das desigualdades), quanto pelo presente (a ampliação do conceito de alfabetização e das expectativas da sociedade em relação a seus resultados).

Tem-se também alegado que o problema da alfabetização escolar tem como base principal a implantação de metodologias de ensino baseadas no construtivismo e no conceito de letramento. Por esta razão, defende-se a utilização de métodos de base fônica.

Seria ótimo que os problemas da alfabetização no país pudessem ser resolvidos por um método seguro e eficaz. Mas sabemos que os métodos podem excluir o aluno que não consegue acompanha-lo, pois não interpreta a necessidade do aluno, principalmente dos que apresentam dificuldades de aprendizagem.

Segundo SCOZ (1994),

A cartilha, por exemplo, pode funcionar como um ponto de apoio, um modelo norteador para a apresentação e desenvolvimento do conteúdo, sobretudo para professoras sem experiência em alfabetização. Não se deve, no entanto, representar mais que do que um mero recurso, pois está longe de dar conta dos múltiplos aspectos que envolvem a aquisição da leitura e da escrita (p.88).

Não é raro que um professor limite-se à cartilha por sentir-se inseguro diante dos pressupostos de outros autores, seja por desconhecê-los, seja porque estas concepções teóricas oferecem uma análise do processo de aquisição da leitura e da escrita, mas não uma metodologia de ensino.

Neste sentido é imprescindível que os professores sejam orientados por especialistas da educação como pedagogos e psicopedagogos, para que possam localizar e trabalhar estratégias de ensino diversificadas, apresentando situações pautadas na própria vivencia da criança, utilizando materiais que lhe ofereçam a oportunidade de identificar a escrita e relaciona-la com o cotidiano, oportunizando, assim, o entendimento do seu valor social.

Desde meu ingresso no Curso de pós-graduação venho analisando e refletindo sobre a questão da leitura e da escrita, por isso desenvolvi esta pesquisa com a intenção de investigar quais os métodos usados em uma escola pública estadual da rede de Cipotânea pela professoras alfabetizadoras. Serão entrevistadas duas professoras que atuam em classes da fase I, da E. E. José Dias Pedrosa, localizada na cidade de Cipotânea. As professoras em questão têm em média, 20 anos de profissão e 9 anos em alfabetização, e serão analisados trabalhos feitos pelos alunos das respectivas professoras.

Diante desta problemática e de minha prática pedagógica surgiram alguns questionamentos. Quais os métodos de alfabetização são utilizados na escola analisada? Todos são válidos? Que tipo de texto oferecer aos alunos para vencer as dificuldades na alfabetização? Quanto aos alunos, todos aprendem com mesmo método?

É a partir dos questionamentos acima descritos que esta pesquisa destinou-se trilhar. Com esse trabalho será possível perceber o caminho mais seguro para facilitar o processo de aprendizagem da leitura e escrita dos alunos na fase inicial de alfabetização.

Serão pesquisadas estratégias pedagógicas utilizadas pelas professoras em sala de aula como alfabetização com textos e alfabetização com silabação, observando como esses processos são absorvidos pelos aprendizes e como eles podem facilitar o processo de aprendizagem dos mesmos.


II. OS DESAFIOS DA ALFABETIZAÇÃO

Consciente de seu papel no processo de alfabetizar, o educador pode realizar um trabalho de ação pedagógica com enfoque no desenvolvimento e construção da linguagem. Ao deixar de lado uma metodologia imposta por uma cartilha e partindo da leitura de mundo das crianças, o educador passa a medir e participar no processo espontâneo de conceituação da língua escrita.

O processo de ensino/aprendizagem da alfabetização deve ser organizado de modo que a leitura e a escrita sejam desenvolvidas numa linguagem real, natural, significativa e vivenciada. A assimilação do código lingüístico não será uma atividade de mãos e dedos, mas sim uma atividade de pensamento, uma forma complexa de construção de relações.

CÓCCO (1996), afirma que:

O indivíduo humano (...) interage simultaneamente com o mundo real em que vive e com as formas de organização desse real dadas pela cultura. Essas formas culturalmente dadas serão, ao longo do processo de desenvolvimento, internalizadas pelo indivíduo e se constituirão no material simbólico que fará a mediação entre o sujeito e o objeto de conhecimento ( p.13).

A postura construtivista sustenta como uma de suas características fundamentais, a construção por parte da criança de seu próprio saber. Parte do pressuposto de que a criança sabe e reflete seus conhecimentos, organiza-os, aprofunda-os, enriquece-os e desenvolve-os. Aqui, o professor não é o saber, mas um mediador do saber.

Ensinar as crianças a ler, escrever e a se expressar de maneira competente é o grande desafio dos professores, uma vez que a atual realidade social colocou novas demandas e necessidades, tornando anacrônicos os métodos e conteúdos tradicionais que acabam dificultando o processo de aprendizagem da linguagem.

Evidentemente que é possível aprender a ler e escrever com as tradicionais cartilhas que usam o método da silabação; entretanto, atualmente percebe-se que tal procedimento leva à mera codificação (representação escrita de fonemas e grafemas) e decodificação (representação oral de grafemas em fonemas), reduzindo a alfabetização a uma esfera mecânica.

Sabe-se que a alfabetização não é um processo baseado em perceber e memorizar e, para aprender a ler e escrever, o aluno precisa construir um conhecimento de natureza conceitual: ele precisa compreender não só o que a escrita representa, mas também de que forma ela representa graficamente a linguagem.

Conforme ZILBERMAN (1985) "A criança é vista como um ser em formação cujo potencial deve se desenvolver a formação em liberdade, orientando no sentindo de alcance de total plenitude em sua realização" (p. 27).

Se considerarmos a criança como um futuro cidadão, capaz de penar por si só, nós educadores, teremos de lhe dar condições de ser autônoma, levando-a a resolver seus problemas e evitando dar-lhe as respostas. Assim, a criança deve ter liberdade para interagir com seus colegas e com seu professor, trocando pontos de vistas, confrontando opiniões, tomando decisões próprias e deve ter autonomia para interagir com o objeto de seu conhecimento.

Para FERREIRO (1991),

Tradicionalmente, a alfabetização inicial é considerada em função da relação entre o método utilizado e o estado de "maturidade" ou de "prontidão" da criança. Os dois pólos do processo de aprendizagem (quem ensina e quem aprende) têm sido caracterizado sem que leve em conta o terceiro elemento da relação: a natureza do objeto de conhecimento envolvendo esta aprendizagem (p.9).

Neste sentido, percebe-se que a alfabetização é um processo de construção do conhecimento e, com tal, é desencadeada pela interação permanente entre educando e objeto de conhecimento.

A escola, como espaço institucional de acesso ao conhecimento, para atender essa demanda, tem o papel de rever as práticas de ensino, que tratam a língua como algo sem vida e os textos como conjunto de regras a serem aprendidas. A postura a ser tomada é a constituição de práticas que possibilitem ao aluno aprender a partir da diversidade de textos que circulam socialmente.

A prática pedagógica de alfabetização com textos não é algo familiar à grande parte dos formadores e dos alfabetizadores. A isso, soma-se o fato de que quanto mais novas e/ou diferentes são as propostas sugeridas a quaisquer profissionais, maior a possibilidade de haver distorção no entendimento de como podem ser implantadas, o que exige muita discussão, tanto prévia como posterior, sobre os procedimentos utilizados.

A alfabetização é um processo, de construção de hipóteses sobre o funcionamento e as regras de geração do sistema alfabético de escrita, é um conteúdo extremamente complexo que demanda procedimentos de análise também complexos por parte de quem aprende.

E para facilitar esse processo é preciso propiciar condições para que o indivíduo tenha acesso ao mundo da escrita, tornando-se capaz não só de ler e escrever, mas, sobretudo fazer uso real e adequado da escrita com todas as funções que ela tem em nossa sociedade.

É a partir da necessidade que a criança vai construindo formas cada vez mais elaboradas de representação, até chegar ao domínio do código escrito. Para uma compreensão abrangente da alfabetização, é preciso que a resgatemos como objeto de conhecimento, do qual os indivíduos se apropriam através de experiências significativas.

MOLL (1996) afirma que:

A criança que vive num ambiente estimulador vai construindo prazerosamente seu conhecimento do mundo. Quando a escrita faz parte de seu universo cultural também constrói conhecimento sobre a escrita e a leitura. Ler é conhecer. Quando mais tarde ela aprender a ler a palavra, já enriquecida por tantas leituras anteriores, apropriar-se á de mais um instrumento de conhecimento do mundo (p.69).

Um dos elementos imprescindíveis à alfabetização é o processo de compreensão do funcionamento do sistema de escrita, ou seja, para se apropriar dessa linguagem é preciso pensar sobre ela e compreendê-la.

Porém a necessidade de ler e escrever não surge da mesma forma para todas as crianças, já que elas vivem em meios diferentes que lhes proporcionam experiências diversas. Por exemplo, a criança de classe média e da zona urbana, é favorecida por estar em contato com o código escrito muito antes de ir à escola, através de letreiros de propagandas, cartazes, TV, acesso a livros, revistas, etc.

A convivência sistemática e constante das crianças de classe média com a palavra é tão grande que a descoberta do código passa muitas vezes, despercebida, sendo vista como algo espontâneo e natural.

Entretanto, uma criança que vive num meio onde não tem contato com a palavra escrita, não vai sentir a mesma urgência de ler. Assim, se em sua casa não existem livros, jornais, revistas, se os pais não lêem, nem escrevem não vai se interessar tanto pela alfabetização, já que palavra escrita não faz parte do seu dia-a-dia.

Segundo BRASIL (2001): "Para aprender a ler é preciso que o aluno se defronte com os escritos que utilizaria se soubesse mesmo ler - com textos de verdade(....)" (p.56).

Portanto para que ocorra esta descoberta é necessária uma interferência do adulto levando a criança a perceber porque e para que ler e escrever. Algumas atividades poderão ser trabalhadas na linguagem oral como coro falado, conversas e discussões que poderão ser ricas e produtivas se provocadas com objetivos sociais.

Freqüentemente, o professor preocupado com o conteúdo curricular "exigido", supõe que essas atividades orais são perdas de tempo e que este poderia ser empregado em outra atividade mais proveitosa e objetiva.

É um triste engano que traz sérias conseqüências para o aprendizado da língua, pois a linguagem oral é o instrumento mais utilizado, isolado ou combinado pelas pessoas em todas as circunstâncias de sua vida. O aluno precisa ser fluente, desinibido, capaz de organizar lógica e coerentemente seus pensamentos e, através disso, poder usar a língua para todos os seus objetivos de pessoa e cidadão consciente.

Ler é interagir com o autor, procurar e produzir sentidos, vivenciar experiências. Para leitura a criança precisa interpretar símbolos, imagens, gestos, desenhos, etc., promovendo predições, inferências e a comunicação de várias formas de textos entre si.

Podemos verificar que as crianças nas classes de alfabetização formulam hipóteses de leitura. Essas hipóteses de leitura vão avançando nas intervenções do ambiente e a criança percorre um longo caminho que vai da identificação do texto e imagem, passando pela etiquetagem ou hipótese do nome, até a tentativa de conciliar sua hipótese com os indicadores, isto é, os signos já conhecidos.

Segundo CAGLIARI (1998)

(...) os alunos são capazes de enfrentar uma variedade enorme de textos. A restrição com relação à escrita...

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