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Fracasso Escolar e Dificuldades de Aprendizagem

Trabalho enviado por: Oslanira Aparecida da Silva

Data: 07/05/2010

Monografia: Fracasso Escolar e Dificuldades de Aprendizagem

Universidade Gama Filho
2008

 

 

RESUMO

Este estudo tem como objetivo analisar os fatores que proporcionam o sucesso/fracasso escolar dos alunos, bem como conceituar dificuldade de aprendizagem na abordagem psicopedagógica. Simultaneamente bordar os fatores relevantes para explicar as possíveis causas dessas deficiências dando um diagnostico, principalmente no ensino fundamental onde podem ser por diversas causas, começando pelas próprias condições físicas e psicológicas da criança, passando pelas condições da escola e dos profissionais que nela atuam e culminando com a que é, talvez, a mais fundamental de todas; as precárias condições em que vive a maioria das pessoas no país. Sabemos que a escola desempenha funções, não se limita apenas em ser transmissora do conhecimento, isto porque a sociedade exige cada vez mais que os indivíduos aprendam os conhecimentos necessários para transformar sua vida e da sociedade.

Veremos também que os conteúdos escolares não podem continuar sendo transmitidos como algo morto, estático, que favorece a aceitação passiva, mas que sejam vistos como vivo, dinâmicos e, mais do que isso, sejam redescobertos e reconstruídos pelos alunos que, assim, sentir-se-ão sujeitos da própria educação e estarão aprendendo a redescobrir a realidade do mundo em que vivem. Para tal a escola precisa contar com a ajuda da família, pois é na família que ocorrem as primeiras aprendizagens e experiências emocionais que são levadas para a vida, mostrando se verdadeiramente marcantes. É ela que oferece os ingredientes principais e a base para formação da criança. Conclui-se que as razões do fracasso escolar são diversas e que a comunidade escolar não tem como solucioná-las sozinha, é necessário que haja uma articulação-interação comunidade-escola para alcançar uma educação de qualidade para todos.

Palavras-chave: Educação - Família - Psicopedagogo - Aprendizagem - Fracasso

 

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
CAPÍTULO I FRACASSO ESCOLAR E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM.
1.1 A Dificuldade de aprendizagem e possíveis causas .
1.2 Dificuldades de aprendizagem e seu diagnóstico
1.3 Analisando as razões do fracasso escolar no ensino fundamental
1.4 Analisando o fracasso escolar
CAPÍTULO II O FRACASSO ESCOLAR A PARTIR DA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO E DE DIVERSOS SEGMENTOS DA ESCOLA
2.1. Refletindo a prática
2.2. Visão da prática docente
2.3 A construção interdisciplinar a partir da relação professor/aluno
2.4 Relação escola e família
2.4.1 A Influência da família na aprendizagem escolar
2.4.2 Escola e família: a importância do diálogo entre pais, alunos e professores
CAPÍTULO III CONTRIBUIÇÕES DA PSICOPEDAGOGIA NO CONTEXTO DO FRACASSO ESCOLAR
3.1 Dificuldades para a Psicopedagogia
3.2 A Influência da prática pedagógica na produção do sucesso/fracasso escolar ...
3.3. Conhecer para interagir
CONSIDERAÇÕES FINAIS.
REFERÊNCIAS

 

INTRODUÇÃO

As dificuldades na aprendizagem podem, muitas vezes, ocasionar a retenção continuada do educando chegando ate mesmo a evasão escolar. Naturalmente, tais dificuldades podem decorrer de inúmeras ações pedagógicas. Neste contexto acredita-se que uma postura partindo do pressuposto de que a educação é parte da própria experiência humana e que o ensino centrado nos interesses do educando ou do grupo, seja uma proposta pedagógica mais favorável, à resolução do problema que resulta da dificuldade de aprendizagem escolar.

A dificuldade de aprendizagem e o fracasso escolar tem sido tema nas mais variadas conversas, em artigos de revistas e jornais, dentro ou fora das escolas. No entanto, pouco tem sido feito na tentativa de amenizar este grave problema.

Uma das saídas para tentar amenizar esta dificuldade pode ser encontrada através do relacionamento afetivo entre educadores e alunos, porém, a escola muitas vezes ignora esta questão, preocupando-se apenas com os conteúdos e técnicas.

Na escola deve trabalhar no sentido de organização dos sistemas afetivos e cognitivos. As relações conflituosas, enfrentadas no dia-a-dia do processo educacional, acabam interferindo na atividade intelectual, e isso pode ocasionar o baixo rendimento escolar. O relacionamento afetivo pressupõe interação, respeito pelas idéias, pelas opiniões do outro, dedicação, troca e vontade por parte dos envolvidos.

Conhecendo seus alunos, escolhendo a melhor forma de trabalhar com eles, o educador propiciará excelentes oportunidades para elevar o rendimento escolar dos educandos, elevando também o auto conceito destes, tornando a aprendizagem mais agradável e produtiva.

Dessa forma essa pesquisa tem como um dos objetivos apresentar como o educador, seja ele professor ou orientador educacional, pode influenciar para resolver os problemas da dificuldade de aprendizagem que levam ao fracasso escolar.

Preocupa-se em também apontar as principais causas que podem contribuir e/ ou propiciar o fracasso escolar; mostrar que o fracasso escolar é uma realidade atual e está inserido no contexto das tendências pedagógicas; apresentar a amplitude do fracasso escolar; identificar os principais problemas e principais causas do fracasso escolar; e finalmente, analisar a contribuição da psicopedagogia para o abrandamento do fracasso escolar.

Dentro desse contexto será dividida em capítulos onde no primeiro capítulo: abordará a dificuldade de aprendizagem em seu conceito e possíveis causas; no segundo capítulo: tentará definir o fracasso escolar a partir da relação professor-aluno e de diversos segmentos da escola, e finalmente no terceiro capítulo: buscará analisar a contribuição da psicopedagogia no contexto do fracasso escolar.

 

CAPÍTULO I

 

1. FRACASSO ESCOLAR E DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

No ser humano a aprendizagem e a construção do conhecimento são processos naturais e espontâneos, pois desde muito cedo aprende a mamar, falar, andar, pensar, garantindo assim, a sua sobrevivência. Com aproximadamente três anos, as crianças são capazes de construir as primeiras hipóteses e já começam a questionar sobre a existência.

E igualmente a aprendizagem escolar é considerada um processo natural, que resulta de uma complexa atividade mental, na qual o pensamento, a percepção, as emoções, a memória, a motricidade e os conhecimentos prévios estão envolvidos e onde a criança deva sentir o prazer em aprender.

As investigações sobre o processo de aprendizagem humana e suas dificuldades são desenvolvidas pela Psicopedagogia, levando-se em consideração as realidades interna e externa, utilizando-se de vários campos do conhecimento, integrando-os e sintetizando-os. Procurando compreender de forma global e integrada os processos cognitivos, emocionais, orgânicos, familiares, sociais e pedagógicos que determinam à condição do sujeito e interferem no processo de aprendizagem, possibilitando situações que resgatem a aprendizagem em sua totalidade de maneira prazerosa.

Segundo Weiss (1989, p. 16, a aprendizagem normal dá-se de forma integrada no aluno (aprendente), no seu pensar, sentir, falar e agir. Quando começam a aparecer “dissociações de campo” e sabe-se que o sujeito não tem danos orgânicos, pode-se pensar que estão se instalando dificuldades na aprendizagem: algo vai mal no pensar, na sua expressão, no agir sobre o mundo.

Atualmente, a política educacional prioriza a educação para todos e a inclusão de alunos que, há pouco tempo, eram excluídos do sistema escolar, por portarem deficiências físicas ou cognitivas; porém, um grande número de alunos (crianças e adolescentes), que ao longo do tempo apresentaram dificuldades de aprendizagem e que estavam fadados ao fracasso escolar pôde freqüentar as escolas e eram rotulados em geral, como alunos difíceis.

Os alunos difíceis que apresentavam dificuldades de aprendizagem, mas que não tinha origens em quadros neurológicos, numa linguagem psicanalítica, não estruturam uma psicose ou neurose grave, que não podiam ser considerados portadores de deficiência mental, oscilavam na conduta e no humor e até dificuldades nos processos simbólicos, que dificultam a organização do pensamento, que consequentemente interferem na alfabetização e no aprendizado dos processos lógico-matemáticos, demonstram potencial cognitivo, podendo ser resgatados na sua aprendizagem. (Weiss 1989).

Raramente as dificuldades de aprendizagem têm origens apenas cognitivas. Atribuir ao próprio aluno o seu fracasso, considerando que haja algum comprometimento no seu desenvolvimento psicomotor, cognitivo, lingüístico ou emocional (conversa muito, é lento, não faz a lição de casa, não tem assimilação, entre outros.), desestruturação familiar, sem considerar, as condições de aprendizagem que a escola oferece a este aluno e os outros fatores intra-escolares que favorecem a não aprendizagem. (Weiss 1989)

 

1.1 A Dificuldade de aprendizagem e possíveis causas

De acordo com os estudos efetuados em LUCKESI (1996), as dificuldades de aprendizagem na escola podem ser consideradas uma das causas que podem conduzir o aluno ao fracasso escolar. Não podemos desconsiderar que o fracasso do aluno também pode ser entendido como um fracasso da escola por não saber lidar com a diversidade dos seus alunos. É preciso que o professor atente para as diferentes formas de ensinar, pois, há muitas maneiras de aprender. O professor deve ter consciência da importância de criar vínculos com os seus alunos através das atividades cotidianas, construindo e reconstruindo sempre novos vínculos, mais fortes e positivos.

O aluno quando percebe que apresenta dificuldades em sua aprendizagem, começa a apresentar desinteresse, desatenção, irresponsabilidade, agressividade, ou seja, apresenta um quadro de transtorno no comportamento que atinge todas as disciplinas, pois a dificuldade acarreta sofrimentos e nenhum aluno apresenta baixo rendimento por vontade própria. De acordo com (SILVA. 2000), durante muitos anos os alunos foram penalizados, responsabilizados pelo fracasso, sofriam punições e críticas, mas, com o avanço da ciência, hoje não podemos nos limitar a acreditar, que as dificuldades de aprendizagem, seja uma questão de vontade do aluno ou do professor, é uma questão muito mais complexa, onde vários fatores podem interferir na vida escolar, tais como os problemas de relacionamento professor-aluno, as questões de metodologia de ensino e os conteúdos escolares.

Caso a dificuldade fosse apenas originada pelo aluno, por danos orgânicos ou somente da sua inteligência, para solucioná-lo não teríamos a necessidade de acionarmos a família, e se o problema estivesse apenas relacionado ao ambiente familiar, não haveria necessidade de recorremos ao aluno isoladamente.

A relação professor/aluno é uma faca de dois gumes na educação, pois ela pode tornar o aluno capaz ou incapaz. Conforme (Silva 2000), se o professor tratá-lo como incapaz, não será bem sucedido, não permitirá a sua aprendizagem e o seu desenvolvimento. Se o professor mostrar-se despreparado para lidar com o problema apresentado, mais chance terá de transferir suas dificuldades para o aluno.

Os primeiros transmissores do conhecimento são os pais, com eles aprendem-se as primeiras interações e ao longo do desenvolvimento, aperfeiçoa. Estas relações, já estão constituídas na criança, ao chegar à escola, que influenciará consideravelmente no poder de produção deste sujeito. Para (Silva 2000), é preciso uma dinâmica familiar saudável, uma relação positiva de cooperação, de alegria e motivação. E que esta relação se espande quando a criança é inserida no ambiente escolar para que não haja uma perda no processo de aquisição do conhecimento, evitando assim o fracasso escolar.

O fracasso escolar é um tema que surgiu a partir de imensas inquietações a cerca do assunto. Sabe-se que o fracasso escolar é hoje um grande problema para o sistema educacional. E muito se fala sobre o fracasso escolar e a dificuldade de aprendizagem, em artigos de revistas e jornais, dentro ou fora das escolas. No entanto o que se observa, é que pouco tem sido feito na tentativa de amenizar este grave problema. E muitas vezes, para se livrar da responsabilidade deste fracasso, busca-se culpado. Alguém que possa assumir sozinho esta situação. O que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e, a partir daí percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança, ora a família, ora uma determinada classe social, ora todo um sistema econômico, educacional, político e social. Mas será que existe mesmo um culpado pela não aprendizagem? Se a aprendizagem acontece em um vínculo, se ela é um processo que ocorre entre subjetividade, nunca uma única pessoa poderá ser culpada.

Neste trabalho eles serão discutidos como um elemento resultante da integração de várias “forças” que englobam o espaço institucional (a escola), o espaço das relações (vínculo do aluno e professor), a família e a sociedade em geral. Quando se fala em fracasso, supõe-se algo que deveria ser atingido. De acordo com o dicionário Aurélio Fracasso é definido por um mau êxito, uma ruína. Mas mau êxito em quê? Baseado em que parâmetro? E o que a sociedade define como sucesso?

Bem, os seres humanos, nascem com uma tendência hábil para a aprendizagem. A criança está pronta para aprender quando ela apresenta um conjunto de condições, capacidades, habilidades, e aptidões consideradas como pré-requisito para o início de qualquer aprendizagem. De acordo com (OLIVEIRA, 1999) Prontidão para aprender significa o conjunto de habilidades que a criança deverá desenvolver de modo a tornar-se capaz de executar determinadas atividades.

Olds e Papalia, (2000), afirmam que para estabelecer se houve ou não aprendizagem é preciso que as mudanças ocorridas sejam relativamente permanentes. Existem pelo menos sete fatores fundamentais para que tal aprendizagem se efetive, são eles: saúde física e mental, motivação, prévio domínio, amadurecimento, inteligência, concentração ou atenção e memória. A falta de um desses fatores pode ser a causa de insucessos e das dificuldades de aprendizagem.

O conceito de dificuldades de aprendizagem é abrangente e inclui problemas decorrentes do sistema educacional, de características próprias do individuo e de influências ambientais. Do mesmo modo, segundo Paín (1992) "os problemas de aprendizagem são aqueles que se superpõem ao baixo nível intelectual, não permitindo ao sujeito aproveitar as suas possibilidades".

Muitas são as crianças e os adolescentes que hoje, no contexto sócio-cultural brasileiro, apresentam dificuldades no processo de aprendizagem. Tais dificuldades, nas classes sociais menos favorecidas a questão se agrava ainda mais, pois o menor já carrega desde muito cedo, o estigma de menos capaz ao contexto e às exigências escolares, logo, ele é rotulado como deficiente, determinado pelas condições precárias de sua vida.

É bem remota a preocupação com a qualidade da educação no Brasil. Ribeiro citado por Corrêa (2001) afirma que o problema da baixa qualidade da educação brasileira não era tanto pelo índice de evasão escolar e mais pela a alta taxa de reprovação. Logo, a questão da qualidade da educação é dada pelo índice da dificuldade de aprendizagem. Os problemas vividos pelas crianças nessa situação são na maioria das vezes vivenciados como situação de fracasso, pois, por não conseguirem obter êxito nas demandas escolares, acabam por se sentirem incapazes, gerando sentimentos de frustração e comportamento desestabilizado, entre outros. O fracasso decorrente de situações específicas possam se traduzir num fracasso geral, resultando no próprio abandono da escola.

Visto que atualmente vive-se em uma sociedade que busca cada vez mais o êxito profissional, a competência a qualquer custo e a escola também segue esta concepção. Pois a escola nada mais é que um reflexo da sociedade. E aqueles que não conseguem responder ás exigências da instituição podem sofrer com um problema de aprendizagem. E essa busca incansável e imediata pela perfeição leva à rotulação daqueles que não se encaixam nos parâmetros impostos.

Tornando assim comum o surgimento em todas as instituições educativas de "crianças problemas", de "crianças fracassadas", disléxicas, hiper-ativas, agressivas, etc. Esses problemas tornam-se parte da identidade da criança. Perde-se o sujeito, ele passa a ser sua dificuldade. Desta forma, ao passar pelo portão da escola, a criança assume o papel que lhe foi atribuído e tende a correspondê-lo.

Para Fernandez (2001), a sociedade do êxito educa e domestica. Seus valores, mitos relativos à aprendizagem muitas vezes levam muitos ao fracasso. Em nosso sistema educacional, o conhecimento é considerado conteúdo, uma informação a ser transmitida. As atividades visam à assimilação de conteúdos, impossibilitando assim o processo de autoria do pensamento.

É fácil para nós educador observar que este caráter informativo da educação se manifesta até mesmo nos livros didáticos, nos quais o aluno é levado a memorizar conteúdos e não pensá-los; não ocorrendo de fato uma aprendizagem.

Para compreender melhor os inúmeros fatores envolvidos no complexo quadro do fracasso escolar foi buscado referências teóricas em alguns autores como: Claudius Ceccon (1991), Anny Cordié (1996), Magda Soares (1998), Maria Helena Souza Patto (2000).

Para a autora Cordié (1996), a criança está em situação de fracasso escolar quando não “acompanha" o que é proposto no programa escolar e os colegas da classe. O que acaba por afetar a construção do sujeito em sua totalidade. Ele passa a carregar consigo o estigma de "repetente", "atrasado", "lento", "incapaz", o que pode levá-lo a acreditar no próprio fracasso. Os alunos que se enquadram neste perfil assumem o papel de fracassados e acabam por transpor isso para sua vida pessoal, os que podem a chegar a comprometer até mesmo o seu futuro. Assim, para a autora o fracasso não é do aluno, mas da escola que não consegue atingir os alunos que aprendem de forma diferenciada.

 

1.2 Dificuldades de aprendizagem e seu diagnóstico

As dificuldades de aprendizagem, de acordo com Rogers (1978), podem significar uma alteração no aprendizado específico da leitura e escrita, ou alterações genéricas do processo de aprendizagem, onde outros aspectos, além da leitura e escrita, podem estar comprometidos (orgânico, motor, intelectual, social e emocional).

Segundo Polity (1998, p.73), o termo Dificuldade de Aprendizagem é definido pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (EUA) da seguinte forma: Dificuldade de Aprendizagem é uma desordem que afeta as habilidades pessoais do sujeito em interpretar o que é visto, ouvido ou relacionar essas informações vindas de diferentes partes do cérebro. Essas limitações podem aparecer de diferentes formas: dificuldades específicas no falar, no escrever, coordenação motora, autocontrole, ou atenção. Essas dificuldades abrangem os trabalhos escolares e podem impedir o aprendizado da leitura, da escrita ou da matemática. Essas manifestações podem ocorrer durante toda a vida do sujeito, afetando várias facetas: trabalhos escolares, rotina diária, vida familiar, amizades e diversões. Em algumas pessoas as manifestações dessas desordens são aparentes. Em outras, aparece apenas um aspecto isolado do problema, causando impacto em outras áreas da vida.

De acordo com a autora, esse termo é definido de várias maneiras, por diferentes autores, diferindo-se quanto à origem: orgânica, intelectual/cognitiva e emocional (incluindo-se aí a familiar). O que se observa na maioria dos casos é um entrelaçamento desses aspectos.

Para a compreensão das possíveis alterações no processo de aprendizagem é necessário considerar-se tanto as condições internas do organismo quanto as condições externas ao indivíduo. Fatores como linguagem, inteligência, dinâmica familiar, afetividade, motivação e escolaridade, devem desenvolver-se de forma integrada para que o processo se efetive (ROGERS, 1978).

Este trabalho refere-se ao papel da família no desenvolvimento da aprendizagem da criança quanto ao aspecto psicológico, emocional, social e de estimulação dos aspectos cognitivos.

Sabe-se que as crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, geralmente, possuem uma baixa auto-estima em função de seus fracassos e que esses sentimentos podem estar vinculados aos comportamentos de desinteresse por determinadas atividades, tempo de atenção diminuído, falta de concentração e outros. E a família, desconhecendo as necessidades da criança e a maneira apropriada de lidar com esses aspectos, muitas vezes, necessitam de orientações que lhe dê suporte e lhe possibilite ajudar seu filho. Fatores como motivação, formas de comunicação, estresses existentes no lar, influenciam o desempenho da criança no processo de aprendizagem, e os psicopedagogos, muitas vezes, sentem-se limitados quanto às orientações a serem dadas pela falta de conhecimento aprofundado sobre os diversos aspectos familiares que podem contribuir para um resultado mais desejável.

Vários comportamentos manifestados pelas mães também levam a questionar a respeito da influência familiar sobre a aprendizagem. Segundo Marturano (1999), há mães que demonstram excessiva ansiedade quanto à superação da dificuldade da criança; outras que se mostram impacientes quanto ao desempenho insatisfatório que o filho apresenta; mães que atribuem todo o problema à criança e a caracterizam como "preguiçosa", "lerda", "distraída"; mães que negam a dificuldade que a criança demonstra; mães que não acompanham as atividades de seu filho e mães que punem a criança pela seu fracasso nas atividades escolares.

Isso acontece pelo fato de os pais desconhecerem como ocorre a aprendizagem e, portanto, necessitam de orientações específicas a esse respeito. Sabe-se, também, que, muitas vezes, os conflitos familiares estão associados a essas manifestações e que as relações familiares são relevantes no desenvolvimento da criança, havendo, portanto, a necessidade de maior compreensão desse processo, por parte dos profissionais, para que possam intervir de forma mais abrangente diante da problemática.

Em muitos casos, em um trabalho especializado com crianças apresentando dificuldade de aprendizagem, não é suficiente transmitir aos pais as atividades específicas a serem realizadas; outros aspectos ligados à família, à escola ou relacionados a dificuldades em outras áreas do desenvolvimento também estão presentes, e é necessário ouvir os pais, analisar a situação e buscar caminhos que facilitem o desenvolvimento global da criança.

Alguns pais confiam seus filhos com dificuldade de aprendizagem aos professores acreditando que o mau desempenho da criança seja proveniente apenas de si mesma, sem questionar sua possível participação nessas alterações.

A importância da participação da família no processo de aprendizagem é inegável e a necessidade de se esclarecer e instrumentalizar os pais quanto as suas possibilidades em ajudar seus filhos com dificuldades de aprendizagem é evidenciada ao manifestarem suas dúvidas, inseguranças e falta de conhecimento em como fazê-lo.

Conforme Martins (2001, p.28), "essa problemática gera nos pais sentimentos de angústia e ansiedade por se sentirem impossibilitados de lidar de maneira acertada com a situação".

Acredita-se que um programa de intervenção familiar seja de fundamental importância para o desenvolvimento e aprendizagem da criança. O relacionamento familiar, a disponibilidade e interesse dos pais na orientação educacional de seus filhos, são aspectos indispensáveis de ajuda à criança.

Em um trabalho de orientação a pais, de acordo com Polity (1998), é possível despertar a sensibilidade dos mesmos para a importância destes aspectos, dando-lhes a oportunidade de falar sobre seus sentimentos, expectativas, e esclarecendo-lhes quanto às necessidades da criança e estratégias que facilitam o seu desenvolvimento.

Através das experiências e relações interpessoais, a família pode promover o desenvolvimento intelectual, emocional e social da criança. Ela pode criar situações no dia-a-dia que estimularão esses aspectos, desde que esteja desperta para isso. Além disso, a participação da criança nas atividades rotineiras do lar e a formação de hábitos também são importantes na aquisição dos requisitos básicos para a aprendizagem, pois estimulam a organização interna e a habilidade para o ‘fazer’, de maneira geral (MARTURANO, 1998).

A família tem um papel central no desenvolvimento da criança, pois é dentro dela que se realizam as aprendizagens básicas necessárias para o desenvolvimento na sociedade, como a linguagem, sistema de valores, controle da impulsividade. As características da criança também são determinadas pelos grupos sociais que freqüenta e pelas características próprias, como temperamento.

As crianças possuem uma tendência natural, instintiva que as direciona ao desenvolvimento de suas potencialidades. Os pais devem ter conhecimento desse processo para que não dificultem ou impeçam o crescimento espontâneo da criança. Pela falta de compreensão da natureza e necessidades básicas do ser humano, os pais, muitas vezes, prejudicam a busca do próprio desenvolvimento, pela criança. O modo como os pais lidam com seus filhos pode ajudá-los no desenvolvimento...

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