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Inflação e Desemprego no Brasil: Um Ensaio da Curva de Phillips

Trabalho enviado por: Jefferson Teixeira Dantas

Data: 22/04/2003

INFLAÇÃO E DESEMPREGO NO BRASIL: UM ENSAIO DA CURVA DE PHILLIPS.

Trabalho apresentado no CIC 2001 (Congresso de Iniciação Científica), realizado na CIENTEC 2001 - Semana de Ciência, Tecnologia e Cultura da UFRN.


I - INTRODUÇÃO

Uma discussão muito relevante atualmente no país é aquela relacionada com os problemas da inflação e do desemprego. São assuntos complexos que envolvem uma série de possibilidades na busca por soluções, que podem levantar algumas questões, como por exemplo: uma redução dos índices de inflação pode trazer alguma interferência nos níveis de emprego? A resposta a esta questão se encontra em um artigo escrito pelo economista inglês chamado A. W. Phillips em 1958. Sua análise empírica das relações entre índices de inflação salarial e índices de desemprego no Reino Unido demonstrou que havia uma relação de Trade-off entre a inflação e o desemprego, e que estavam associadas às políticas contracionistas sobre a demanda agregada que eram implementadas para reduzir os níveis de inflação. Essa relação de causalidade da inflação para com o desemprego foi o que de novo se encontrou como resultado de sua pesquisa.

Este trabalho ficou amplamente conhecido como a "Curva de Phillips", que "rapidamente tornou-se uma pedra angular da análise política macroeconômica", Dornbusch e Fischer (1991). Com o avanço da ciência econômica e posteriores estudos, ficou demonstrado que a verificação empírica em períodos de maior linearidade nos índices de inflação (que também não mais se relacionava somente a inflação salarial e sim a inflação de preços) e das taxas de desemprego indicam que este modelo não se aplica em todos os momentos históricos. Uma das explicações foi descrita por Milton Friedman, o qual apontava para o fato de que o fator realmente determinante para os trabalhadores não era o salário nominal (da forma como foi utilizado por Phillips) e sim o salário real.

A realização deste trabalho se propõe a verificar, em nível introdutório, a adequação da Curva de Phillips para a realidade brasileira. O trabalho está organizado da seguinte forma: a) Revisão teórica da Curva de Phillips; b) Os Planos de Estabilização Econômica no período de 1980-2001; d) Aplicação da Curva de Phillips no Brasil com as devidas análises e conclusões.


II - Revisão Teórica da Curva de Phillips
:

Entre as políticas de controle inflacionário, a mais clássica é aquela que faz um "choque sobre a demanda agregada". Tal medida prevê, entre outros mecanismos de retração da demanda agregada, o aumento dos juros e a elevação da carga tributária. Essas medidas têm impactos perversos sobre a geração de emprego e renda. Esta é uma condição de conflito, pelo menos do ponto de vista político, quando se colocam variáveis de grande repercussão social e se opta pela redução da inflação gerando para isso um aumento nas taxas de desemprego. Ou então a situação inversa, para aumentar o nível de emprego, políticas expansionistas, como a redução nas taxas de juros, podem acarretar uma elevação nos índices de inflação. Essa relação de causalidade foi demonstrada empiricamente pelo economista inglês A. W. Phillips, no artigo intitulado "The relation Between Unemploytment and the Rate of Change of Money Wages in the United Kingdom, 1861-1957", publicado no ano de 1958, Sachs e Larrain (1995).

O estudo de Phillips partiu da seguinte premissa: quando a demanda por bens sobe, isto tende a elevar os preços destes bens. O aumento na procura no mercado de trabalho irá aumentar a taxa de salários nominais? Usando do método de regressão da taxa de inflação salarial e a taxa de desemprego, chegou a seguinte equação: Silva (1998).

D w/w + a = bU

em que;

D w/w = variação salarial;

w = taxa nominal de salário;

U = taxa de desemprego;

b = indicativo do impacto da taxa de inflação em salário nominal sobre a taxa de desemprego;

a = parâmetro constante.

A curva de Phillips demonstra que a taxa de crescimento dos salários nominais (inflação de salário) tem uma relação inversamente proporcional quando relacionado com a taxa de desemprego. Embora não tivesse feito testes de significância e usado métodos estatísticos mais sofisticados, Phillips encontrou uma relação inversa e não-linear entre as variáveis. Richard Lipsey em 1960 repetiu o trabalho de Phillips utilizando para isso técnicas estatísticas mais sofisticadas com o intuito de eliminar as imperfeições econométricas encontradas no trabalho original, chegando ao mesmo resultado no tocante a relação inversa entre as variáveis, inclusive quanto a não-linearidade entre as variáveis. Isto, de certa forma, veio a ratificar uma constatação empírica, comprovando a validade do estudo. Conforme demonstração na figura 1, pode-se verificar duas particularidades: a primeira é quanto a inclinação negativa da curva, e a segunda da sua não-linearidade.

D w/w = a [(d-s)/s]

em que:

d = oferta de trabalho,

s = demanda por trabalho,

a > 0 = parâmetro de ajustamento.

Como o excesso de demanda (d-s) se relaciona positivamente com D w/w. Isto é, um maior nível de emprego está associado a um maior nível e inflação, e a demanda por trabalho (s) se relaciona negativamente com D w/w, então se tem a inclinação negativa da Curva de Phillips. E em relação ao segundo aspecto, a não-linearidade pode ocorrer devido a rigidez dos salários, pois não respondem imediatamente às condições de mercado, ou seja, as pressões sindicais impedem uma redução mais acentuada.

Milton Friedman e...

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