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Título: História da Fotografia

HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA   Imagem e Cognição Desde os primórdios da humanidade a imagem vem sendo utilizada como meio de expressão da realidade, como temos relatos científicos das pinturas rupestres ainda em tempos pré-históricos. No entanto, sua evolução foi bem…


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Gestão de Pessoas

Trabalho enviado por: Evandro Battisti

Data: 07/09/2004

Perfil Gerencial e Cultura Organizacional


1 CENÁRIOS EMERGENTES

Ao longo da história do Ocidente, a cada poucos séculos tem ocorrido uma transformação aguda. Numa questão de décadas, toda a sociedade se rearranja – sua visão de mundo, seus valores básicos, suas estruturas sociais e políticas, suas artes, suas instituições básicas. Cinqüenta anos depois, existe um novo mundo, e as pessoas nele nascidas não conseguem nem mesmo imaginar o mundo no qual viveram seus avós e nasceram seus próprios pais.

Nossa época é um desses períodos de transformação. Só que, desta vez, a transformação não está limitada à sociedade Ocidental e sua história. Na verdade, uma das mudanças fundamentais é que não existe mais uma história Ocidental ou uma civilização Ocidental, mas apenas a história da civilização mundial.

É discutível se esta transformação começou com a emergência do primeiro país não ocidental, o Japão, como grande potência econômica, ou com o primeiro computador, isto é, com a informação.

Nos últimos quarenta anos, a economia mundial tem crescido mais depressa do que em qualquer época desde a Revolução Comercial do século XVIII, a qual criou as primeiras economias modernas e, também, a disciplina da economia. E embora todas as economias desenvolvidas tenham estado estagnadas e em recessão nestes últimos anos, a economia mundial ainda está expandindo rapidamente. Mas ninguém pergunta se: Quais são os fatos? O que eles nos ensinam? Acima de tudo, quais são as lições para a política econômica doméstica?

Há lições importantes em quatro áreas: a estrutura da economia mundial, a mudança no significado de comércio e investimento, a relação entre as economias mundial e doméstica e a política comercial. Em cada uma destas áreas, as lições são muito diferentes daquilo que praticamente todos acreditam e afirmam, quer sejam do livre Comércio, do Comércio Administrativo ou do Protecionismo .

Todas estas transformações no mundo e na economia mundial faz da globalização, além de romper fronteiras, desafiar pessoas e o próprio futuro. A globalização irá nos mostrar como tudo começou, suas tendências, suas reações em vários mercados e economias, além da competitividade e do avanço tecnológico nas organizações.

1.1 O que é Globalização

A globalização pode ser definida de várias maneiras, dependendo do nível escolhido. Podemos falar de globalização do mundo como um todo, de um país específico, de uma indústria específica, de uma única empresa ou mesmo de uma linha particular de negócios ou atividade dentro de uma empresa.

Em nível mundia,l a globalização se refere à crescente interdependência entre países, refletida nos crescentes fluxos internacionais de bens, serviços, capital e conhecimentos. Evidência clara disso é oferecida pelas seguintes tendências:

  • O Comércio internacional de bens e serviço cresceu a uma taxa média anual de 6,2%, entre os anos de 1989 e 1996.
  • De 1980 a 1994, o investimento estrangeiro direto cresceu de 4,8% para 9,6% do PIB mundial.
  • Em 1970, as transações internacionais com títulos e ações não chegavam a 5% do PIB dos Estados Unidos, Alemanha e Japão. Em 1996, estas transações alcançaram as taxas de 152%, 197% e 83%, respectivamente.

No nível de cada país, a globalização se refere à extensão das inter-relações entre a economia nacional e a do resto do mundo. Apesar de um mundo crescentemente global, nem todos os países estão igualmente integrados nessa economia global. Alguns indicadores-chave para a medição da integração global da economia de dado país são a razão das exportações e importações em relação ao PIB, fluxos de entrada e saída de investimento estrangeiro direto e investimento de portfólio e fluxos de entrada e saída de pagamentos de royalties associados à transferência de tecnologia.

No nível de uma indústria específica a globalização se refere ao grau que a posição competitiva de uma empresa dentro de uma dada indústria em um país dependente dessa posição em outro país. Quanto mais globalizada for uma indústria, maior é a vantagem que uma empresa pode obter da alavancagem de tecnologias, eficiência na produção, marcas e/ou capital através dos países.

Indústrias globalizadas tendem a ser dominadas em todos os mercados pelo mesmo conjunto de empresas globais, que coordenam suas ações estratégicas pelos países. A indústria de calçados esportivos, por exemplo, é dominada pela Nike, Reebok e Adidas. Importantes indicadores da globalização de uma indústria são a magnitude do comércio internacional dentro da indústria, o valor do investimento externo como parcela do capital total investido na indústria e a proporção da receita da indústria gerada pelas empresas que competem em todas as principais regiões.

No nível de uma empresa específica, a globalização se refere à extensão com que uma empresa dispersa sua receita e base de ativos por diversos países e se envolve em fluxos internacionais de capitais, bens e conhecimento, através de suas subsidiárias. A Toyota é uma empresa globalizada. No final de 1995, um terço de sua produção total proveio de subsidiárias integrais e parciais espalhadas em 25 países das Américas, Europa e Ásia.

Indicadores-chave da globalização de uma empresa são a dispersão internacional das receitas de vendas e da base de ativos, comércio intra-empresa em produtos intermediários e finais e fluxos intra-empresa de tecnologia.

1.2 História da Globalização

No início dos tempos, cada povo vivia isolado dos demais e cada cultura era auto-suficiente: nascia e morria no mesmo lugar, sem tomar conhecimento da existência uma das outras.

Até o século XV, foram identificadas cinco economias, que eram totalmente autônomas e espalhadas pelo mundo. São elas:

Na Europa era composta pelas cidades italianas de Gênova, Veneza, Milão e Florença, que mantinham laços comerciais e financeiros com o Mediterrâneo e o Levante onde possuíam importantes feitorias e bairros comerciais. Na França Setentrional, existia outra área comercial significativa na região de Flandres, formada pelas cidades de Lille, Bruges e Antuérpia, vocacionadas para os negócios com o Mar do Norte. No Mar Báltico, encontrava-se a Liga de Hansa, uma cooperativa com mais de 200 cidades mercantes lideradas por Lübeck e Hamburgo, que mantinham um eixo comercial que ia de Novgorod, na Rússia, até Londres, na Inglaterra. No sudeste europeu, estava o comércio bizantino (que atuava no Mar Egeu e no Mar Negro), pressionado pela expansão dos turcos que terminaram por ocupar a grande cidade, em 1453, enquanto que a Rússia via-se limitada pelos Canatos Mongóis que ocupavam boa parte do leste do país.

Na China e regiões tributárias como a península coreana, a Indochina e a Malásia, que só se ligavam com a Ásia Central e com o Ocidente através da rota da seda. O seu maior dinamismo econômico encontrava-se nas cidades do sul, como Cantão, e do leste, como Xangai, grandes portos que faziam a função de vasos comunicantes com os arquipélagos do Mar da China.

N Índia, por sua vez, graças a sua posição geográfica, traficava num raio econômico mais amplo. No noroeste, pelo Oceano Índico e pelo Mar Vermelho, estabelecia relações com mercadores árabes que tinham feitorias em Bombaim e outros portos da Índia Ocidental, enquanto que comerciantes malaios eram acolhidos do outro lado, em Calcutá. Seu imenso mercado de especiarias e tecidos finos era afamado, mas só pouca coisa chegava ao Ocidente, graças ao comércio com o Levante. Foi a celebração das suas riquezas que mais atraiu a cobiça dos aventureiros europeus como o lusitano Vasco da Gama.

Na África, subdividida pelo deserto do Saara numa África árabe ao Norte, que ocupa uma faixa de terra à beira do Mediterrâneo e do Vale do Rio Nilo, com relações comerciais mais ou menos intensas com os portos europeus, e, ao Sul, numa outra África, a África negra, isolada do mundo pelo deserto e pela floresta tropical, formava um outro planeta econômico totalmente a parte, voltado para si mesmo.

Nas civilizações pré-colombianas, a Azteca no México, a dos Maias no Yucatan e no istmo, e a Inca no Peru, organizadas ao redor do cultivo do milho e na elaboração de tecidos, sendo elas auto-suficientes e sem interligações entre si, nem terrestres nem oceânicas.

1.2.1 A primeira fase da Globalização (1450 - 1850)

A primeira globalização, resultado da procura de uma rota marítima para as Índias, assegurou o estabelecimento das primeiras feitorias comerciais européias na Índia, China e Japão e, principalmente, abriu aos conquistadores europeus as terras do Novo Mundo. Enquanto as especiarias eram embarcadas para os portos de Lisboa e de Sevilha, de Roterdã e Londres, milhares de imigrantes iberos, ingleses, holandeses e um número pequeno de franceses, atravessaram o Atlântico para vir ocupar a América. Aqui formaram colônias de exploração, no sul da América do Norte, no Caribe e no Brasil, baseadas geralmente num só produto (açúcar, tabaco, café, minério, etc.) utilizando-se de mão-de-obra escrava vinda da África ou mesmo indígena; ou colônias de povoamento, estabelecidas majoritariamente na América do Norte, baseadas na média propriedade de exploração familiar. Para atender às primeiras, as colônias de exploração, é que o brutal tráfico negreiro tornou-se rotina, fazendo com que 11 milhões de africanos (40% deles destinados ao Brasil) fossem transportados pelo Atlântico para trabalhar nas lavouras e nas minas.

Nessa primeira fase, estrutura-se um sólido comércio triangular entre a Europa (fornecedora de manufaturas), a África (que vende seus escravos) e a América (que exporta produtos coloniais). A imensa expansão deste mercado favorece os artesãos e os industriais emergentes da Europa, que passam a contar com consumidores num raio bem mais vasto do que aquele abrigado nas suas cidades, enquanto que a importação de produtos coloniais faz ampliar as relações intereuropéias. Exemplo disso ocorre com o açúcar, cuja produção é confiada aos senhores-de-engenho brasileiros, mas que é transportado pelos lusos para os portos holandeses, onde lá se encarregam do seu refino e distribuição.

Politicamente, a primeira fase da globalização se fez quase toda ela sob a proteção das monarquias absolutistas que concentravam enorme poder e mobilizavam os recursos econômicos, militares e burocráticos, para manterem e expandirem seus impérios coloniais.

Os principais desafios que enfrentavam advinham das rivalidades entre elas, seja pelas disputas dinásticas-territoriais ou pela posse de novas colônias no além mar, sem esquecer-se do enorme estrago que os corsários e piratas faziam, especialmente nos séculos XVI e XVII, contra os navios carregados de ouro e prata e produtos coloniais.

A doutrina econômica desta primeira fase foi o Mercantilismo, adotado pela maioria das monarquias européias para estimular o desenvolvimento da economia dos reinos. Ele compreendia numa complexa legislação que recorria a medidas protecionistas, incentivos fiscais e doação de monopólios, para promover a prosperidade geral. A produção e distribuição do comércio internacional eram feitas por mercadores privados e por grandes companhias comerciais (as Companhias inglesas e holandesas das Índias Orientais e Ocidentais) e, em geral, eram controladas localmente por corporações de ofício.

Todo o universo econômico destinava-se a um só fim: guardar tesouros e acumular riquezas. O poder de um reino era aferido pela quantidade de metal precioso existente nos cofres reais. Para assegurar seu aumento, o Estado exercia um sério controle das importações e do comércio com as colônias, sobre as quais exercia o oligopólio bilateral. Esta é uma expressão que serve para descrever a situação de subordinação em que as colônias se encontravam perante às metrópoles. Além de estarem impedidas de negociar com outros países, elas eram obrigadas a adquirir suas necessidades apenas com negociantes e mercadores metropolitanos, bem como somente vender a eles o que produziam. Desta forma, a metrópole ganhava ao vender e ao comprar. Esta política levou a que cada reino europeu terminasse por se transformar num império comercial, tendo colônias e feitorias espalhadas pelo mundo todo (os principais impérios coloniais foram o inglês, o espanhol, o português, o holandês e o francês).

1.2.2 A segunda fase da Globalização (1850 - 1950)

Os principais acontecimentos que marcam a transição da primeira fase da globalização para a segunda dão-se nos campos da técnica e da política. A partir do século XVIII, a Inglaterra industrializa-se aceleradamente e, logo após, a França, a Bélgica, a Alemanha e a Itália. A máquina a vapor é introduzida nos transportes terrestres e marítimos.

Conseqüentemente, esta época foi regida pelos interesses da indústria e das finanças, e não mais das motivações dinásticas-mercantis. Será a grande burguesia industrial e bancária, e não mais os administradores das corporações mercantis e os funcionários reais, que liderará o processo.

O capital financeiro luta pela ampliação dos mercados e pela obtenção de novas e diversas fontes de matérias-primas. A doutrina econômica que o capital econômico se baseia é a do capitalismo laissez-faire, um liberalismo radical inspirado nos fisiocratas franceses e apoiado pelos economistas ingleses Adam Smith e David Ricardo, que advogavam a superação do Mercantilismo com suas políticas arcaicas. Ambos defendem o livre-cambismo nas relações externas, mas em defesa das suas indústrias internas continuam em geral protecionistas, como é o caso da política Hamiltoniana, nos Estados Unidos, e a da Alemanha Imperial e a do Japão.

A escravidão, que havia sido o grande esteio da primeira globalização, tornou-se um impedimento ao progresso do consumo e, somada à crescente indignação que ela provoca, termina por ser abolida, primeiro em 1789 e, definitivamente, em 1848 (no Brasil ela ainda sobreviveu até 1888). Neste segundo momento, a política irá se caracterizar pela ocupação territorial de certas partes da África e da Ásia, além de estimular o povoamento das terras semidesocupadas da Austrália e da Nova Zelândia.

No campo da política, a revolução americana, de 1776, e a francesa, de 1789, liberaram enorme energia, fazendo com que a busca da realização pessoal termine por promover uma grande ascensão social das massas. Logo depois, como resultado das Guerras Napoleônicas e da generalizada abolição da servidão e outros impedimentos feudais, milhões de europeus (calcula-se em 60 milhões num século) abandonam seus lares nacionais e emigram, em massa, para os Estados Unidos, para o Canadá e para a América do Sul (Brasil, Argentina, Chile e Uruguai).

A posse de novas colônias torna-se um ornamento na política das potências (só a Grã-Bretanha possuía mais de 50, ocupando, inclusive, áreas antieconômicas). O cobiçado mercado chinês finalmente foi aberto pelo Tratado de Nanquim, de 1842, e o Japão também foi forçado a abandonar a política de isolamento da época Tokugawa, ao assinar um tratado com os americanos em 1853 - 1854.

Cada uma das potências européias rivaliza-se com as demais na luta pela hegemonia do mundo. O resultado foi uma acirrada corrida imperialista e de política belicista que levará os europeus a duas guerras mundiais: a de 1914-18 e a de 1939-45.

Outros aspectos técnicos ajudaram a globalização: o trem e o barco a vapor encurtaram as distâncias, o telégrafo e, em seguida, o telefone aproximaram os continentes e os interesses ainda mais. E, principalmente depois do vôo transatlântico de Charles Lindbergh, em 1927, a aviação passa a ser mais um elemento que permite ao mundo tornar-se menor.

Nesses cem anos da segunda fase da globalização (1850 - 1950), os antigos impérios dinásticos desabaram (o dos Bourbons em 1789 e, definitivamente, em 1830; o dos Habsburgos e dos Hohenzollers em 1914, o dos Romanov em 1917) Das diversas potências que existiam em 1914 (os impérios britânico, francês, alemão, austro-húngaro, italiano, russo e turco otomano), só restam, depois da 2ª Guerra Mundial, as superpotências: os Estados Unidos e a União Soviética.

Feridas pelas guerras, as metrópoles deram para desabar, obrigando-se a aceitar a libertação dos povos coloniais que formaram novas nações. Mesmo assim, umas independentes e outras neocolonizadas, continuaram ligadas ao sistema internacional. Somam-se, no pós-1945, os países do Terceiro Mundo recém-independente (a Índia é a primeira a obtê-la, em 1947) às nações latino-americanas que conseguiram sua autonomia política entre 1810-25, ainda no final da primeira fase da globalização. No entanto, nem a descolonização nem as revoluções comunistas (a da Rússia de 1917 e a da China de 1949) serviram de entrave para que o processo de globalização fosse retomado.

Os países industrializados defendem o livre-cambismo (o preço melhor vence) quando se sentem fortes, como foi o caso da Inglaterra nos séculos XVIII e XIX. Hoje é a posição dominante dos EUA. Mas, para aqueles que precisam criar sua própria indústria ou proteger a que está ainda se afirmando, precisam recorrer à política protecionista com suas elevadas barreiras alfandegárias para evitar sua quebra.

1.2.3 A Globalização Pós-1989

No decorrer do século XX, três grandes projetos de liderança da globalização conflitaram-se entre si:

  • comunista, inaugurado com a Revolução bolchevique de 1917 e reforçado pela revolução maoista na China em 1949;
  • a contra-revolução nazi-fascista, que, em grande parte, foi uma poderosa reação direitista ao projeto comunista, surgido nos anos de 1919, na Itália e na Alemanha, extendendo-se ao Japão, que foi esmagado no final da 2ª Guerra Mundial, em 1945;
  • o projeto liberal-capitalista, liderado pelos países anglo-saxãos (Grã-Bretanha e os Estados Unidos).

Num primeiro momento, ocorreu a aliança entre o liberalismo e o comunismo (em 1941-45) para a autodefesa e, depois, a destruição do nazi-fascismo. Num segundo momento, os vencedores, os EUA e a URSS, se desentenderam gerando a Guerra Fria (1947 - 1989), onde o liberalismo norte-americano rivalizou-se com o comunismo soviético numa guerra ideológica mundial e numa competição armamentista e tecnológica que quase levou a humanidade a uma catástrofe (a crise dos mísseis, de 1962).

Com a política da glasnost, adotada por Mikhail Gorbachov, na URSS, desde 1986, a Guerra Fria encerrou-se e os Estados Unidos proclamaram-se vencedores. O momento- símbolo disto foi a derrubada do Muro de Berlim, ocorrida em novembro de 1989, acompanhada da retirada das tropas soviéticas da Alemanha reunificada e seguida da dissolução da URSS, em 1991. A China comunista, por sua vez, que desde os anos 70 adotara as reformas visando sua modernização, abriu-se em várias zonas especiais para a implantação de indústrias multinacionais. A política de Deng Xiaoping, de conciliar o investimento capitalista com o monopólio do poder do partido comunista, esvaziou o regime do seu conteúdo ideológico anterior. Desde então, só restou hegemônica no moderno sistema mundial a economia-mundo capitalista, não havendo nenhuma outra barreira a antepor-se à globalização.

Chegamos, dessa forma, à situação presente, onde sobreviveu somente uma superpotência mundial: os Estados Unidos. É a única que tem condições operacionais de realizar intervenções militares em qualquer canto do planeta. Enquanto que na segunda fase da globalização vivia-se na esfera da libra esterlina, agora é a era do dólar; e o idioma inglês tornou-se a língua universal por excelência. Pode-se até afirmar que a globalização recente nada mais é do que a americanização do mundo.

1.2.4 Perspectivas da globalização

Politicamente, a globalização recente caracteriza-se pela crescente adoção de regimes democráticos. Cento e doze países integrantes da ONU, entre 182, podem ser apontados como seguidores de práticas democráticas. Neste processo de universalização da democracia, as barreiras discriminatórias ruíram uma a uma, acompanhadas por uma ascendente padronização cultural e de consumo.

A ONU, que deveria ser o embrião de um governo mundial, foi tolhida e paralisada pelos interesses e vetos das superpotências durante a Guerra Fria. Em conseqüência dessa debilidade, formou-se uma espécie de estado-maior informal, composto pelos dirigentes do G7 (os EUA, a Grã-Bretanha, a Alemanha, a França, o Canadá, a Itália e o Japão), por vezes alargado para dez ou 25, cujos encontros freqüentes têm mais efeitos sobre a política e a economia do mundo em geral do que as assembléias da ONU.

O domínio da tecnologia por um seleto grupo de países ricos abriu um fosso com os demais países, talvez o mais profundo de toda a história conhecida. Roma, quando império universal, era superior aos outros povos apenas na arte militar, na engenharia e no direito. Hoje, os países-núcleos da globalização (os integrantes do G7), distam, em qualquer campo do conhecimento, anos-luz dos países do Terceiro Mundo.

Ninguém tem a resposta nem a solução para atenuar este abismo entre os ricos do Norte e os pobres do Sul, que só se ampliou. No entanto, é bom que se reconheça que tais diferenças não resultam de um novo processo de espoliação como os praticados anteriormente pelo Colonialismo e pelo Imperialismo, pois não implicaram numa dominação política, havendo, bem ao contrário, uma aproximação e busca de intercâmbio e cooperação.

Imagina-se que a Globalização, seguindo o seu curso natural, irá enfraquecer, cada vez mais, os estados nacionais surgidos há cinco séculos, ou dar-lhes novas formas e funções, fazendo com que novas instituições supranacionais gradativamente os substituam. Com a formação dos mercados regionais ou intercontinentais (Nafta, Unidade Européia, Comunidade Econômica Independente (a ex-URSS), Mercosul e Japão, com os tigres asiáticos), e com a conseqüente interdependência entre eles, assentam-se as bases para os futuros governos transnacionais que, provavelmente, servirão como unidades federativas de uma administração mundial a ser constituída. É bem provável que, ao findar o século XXI, talvez até antes, a humanidade conhecerá, por fim, um governo universal, atingindo-se, assim, o sonho dos filósofos estóicos do homem cosmopolita, aquele que se sentirá em casa em qualquer parte da Terra.

1.3 Blocos Econômicos

O processo de globalização e de integração econômica em blocos regionais constitui o elemento dinâmico "construtivo" do atual movimento de reordenação das relações internacionais. A globalização tem sido apresentada como um fenômeno de abertura simultânea das economias nacionais, gerando, como resultado, uma mundialização homogeneizada. Contudo, a globalização é seletiva, pois visa a determinadas regiões, atividades e segmentos sociais a serem integrados mundialmente. Desta forma, enquanto certas áreas e grupos são integrados globalmente, outros são excluídos desta gigantesca transformação, conduzindo a uma diversificação cada vez maior do espaço mundial e agravando a concentração de riqueza em termos nacionais e sociais. O colapso do Campo Soviético e o fim da Guerra Fria aprofundaram, sobremaneira, tais tendências no início dos anos 90, com a ausência de um inimigo externo fomentando ainda mais a competição internacional.

Na falta de oposição significativa, o capitalismo desenvolve forte tendência a radicalizar suas formas, antigamente condicionadas externamente pela Guerra Fria e internamente pela social-democracia. Este fenômeno propicia uma aceleração do processo de reestruturação econômica e, conseqüentemente, da concorrência e rivalidade interpólos. Uma manifestação desta situação foi a rápida formalização de novos processos de integração, como o Mercosul e o NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), bem como o aprofundamento da União Européia e o estabelecimento de alianças entre alguns, em detrimento de outros.

NAFTA – Acordo de Livre Comércio da América do Norte

O NAFTA (North American Free Trade Agreement) é uma zona de livre comércio entre os países da América do Norte: Estados Unidos, Canadá e México. No caso de formação de uma união aduaneira hemisférica em 2005 (ALCA), os países do NAFTA também serão incluídos nela, tanto que já participam das negociações. Decorridos pouco mais de cinco anos de sua implementação, o intercâmbio comercial entre os países aumentou, o que significa o aumento do saldo de suas balanças comerciais, especialmente no caso do México. 

UE

A...

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