Zé Moleza | TCC, monografias e trabalhos feitos. Pesquise já!

Você está em Trabalhos Acadêmicos > Humanas > Administração

Favoritos Seus trabalhos favoritos: 0

Publicidade

Trabalho em Destaque

Título: Tubos e conexões

Tubos e conexões Unoesc 2009 Sumário Introdução 1 Tubulações 2.1 Tubos de PVC 2.2 Tubos de Aço Carbono 2.4 Tubos de Cobre 2.5 Tudo de Polietileno (PE) 2.6 Tubos e Conexões de Ferro Fundido 2.7 Tubos de Concreto. 2.8 Tubos…

Publicidade

Ergonomia no Ambiente de Trabalho

Trabalho enviado por: Mario

Data: 27/01/2006

ERGONOMIA


1. HISTÓRICO DA ERGONOMIA

A ergonomia nasce da constatação de que o Homem não é uma máquina como as outras, diferentemente do que propôs Descartes e La Mettrie no século XVII pois:

- ele não é um dispositivo mecânico;

- ele não transforma energia como uma máquina a vapor;

- seu olho não funciona como uma célula fotoelétrica;

- seu ouvido não é sensível aos sons apenas como um microfone e um amplificador;

- sua memória não funciona como a de um computador;

- os riscos a que está submetido no trabalho não são análogos aos de um dispositivo técnico, apesar de termos análogos aplicados ao Homem e à máquina: fadiga, desgaste, envelhecimento, polias, válvulas, juntas, bombas, tubos.

E quando é que se começou a pensar que o homem era uma máquina como as outras?

Até o século XV o homem, na tradição cristã, ocupava o centro do universo. Tinha sido criado à imagem e semelhança de Deus e seu corpo sempre foi objeto de respeito. A dissecação de cadáveres era rigorosamente proibida pela Igreja Católica.

Todo o restante do universo tinha sido criado especificamente para seu uso e gozo.

Com a demonstração, por Galileu, de que a terra não era mais o centro do universo, a verdade revelada perde sua importância. Um intenso ceticismo toma conta de todos os pensadores, pois tinha ficado patente que os nossos sentidos podem nos enganar. Afinal, nossos sentidos sempre nos indicaram de que era o sol que se movia ao redor da terra. E nem mesmo a nossa razão foi capaz de corrigir este erro. Logo, lança-se uma dúvida sobre os sentidos e a razão.

Descartes leva esta dúvida a extremos: doravante tudo tem que ser submetido a uma verificação já que estava perdida a fé na tradição. Se por um lado o homem sofre um intenso golpe no seu narcisismo, por outro isto permite que seu corpo seja estudado como um objeto qualquer como os vários outros que compõem a natureza só que animado por uma alma.

Com o desenvolvimento de engenhos mecânicos que se propõem a ajudar os homens no seu trabalho, é quase inevitável que o funcionamento do corpo humano seja estudado do ponto de vista mecânico e mais tarde o modelo da máquina a vapor torna-se o paradigma predominante. O homem é concebido como um engenho mecânico transformador de energia.

Se Descartes propunha explicar o homem como uma máquina animada por uma alma, mais tarde La Mettrie (um ateu convicto) faz um esforço grandioso e se propõe a explicá-lo mesmo sem o recurso a uma alma.

Dentro da Ergonomia há duas correntes:

- a corrente produtivista que procura a adaptação dos meios de trabalho ao homem; -- a corrente higienista mais interessada no conhecimento dos riscos e eliminação de suas causas.

Antes da 2ª Guerra Mundial, sempre houve os que procuravam adaptar os meios de trabalho ao homem:

- os próprios usuários: desde a pré-história havia uma busca incessante por instrumentos que pudessem melhorar o desempenho humano, como os machados de pedra, os estiletes etc.;

- os médicos e os higienistas: interessados nas conseqüências do trabalho sobre a saúde;

- os engenheiros e organizadores do trabalho cuja questão central era: qual a quantidade de trabalho mecânico que se pode esperar de um homem?

Já os pesquisadores de laboratórios se dividiam em :

- físicos e fisiologistas que tentavam medir o custo energético do trabalho, o rendimento etc.

- psicólogos mais interessados na avaliação das capacidades e aptidões sensoriomotoras e cognitivas, porém visando uma seleção.

O objetivo era encontrar um homem certo para uma condição de trabalho previamente estabelecida.

Até o fim do século XVIII, privilegiava-se os estudos e pesquisas de campo. Depois passou-se aos estudos de laboratório pois havia a pretensão de maior rigor nas mensurações pois a ciência nascente adotava o modelo matemático como sendo o mais correto. O universo havia sido geometrizado e matematizado.

OS ESTUDOS DOS MÉDICOS E HIGIENISTAS

Na Antigüidade (Império Romano) já eram conhecidos os problemas na coluna nos carregadores de pedra, as cólicas pelo chumbo nos mineiros e a intoxicação pelo mercúrio.

A Idade Média conheceu um grande interesse pelos fatores ambientais. Fatores como o calor, a umidade, as poeiras e os agentes tóxicos eram correlacionados com o estado de saúde. Os males do sedentarismo entre os tabeliães também eram comentados.

No Renascimento, Ramazzini estuda as doenças venéreas nas parteiras, as úlceras de pernas e os desmaios nos mineiros provocados pelo calor, a ruptura de vasos na garganta de cantores e os distúrbios visuais nos ourives. Já no século XIX, Patissier se volta para o saturnismo e a silicose e insiste na proteção individual. Preconiza o uso de bexigas animais para proteção respiratória e de óculos para proteção contra corpos estranhos. Ele recomenda aos ourives levantar a cabeça de vez em quando e olhar para o infinito como modo de evitar a fadiga visual. Também preconiza proteção nos moinhos e concebe máquinas para diminuir o esforço físico, como as máquinas de lavar.

A marca deste período é a de fraco desenvolvimento dos meios de mensuração mas, em contrapartida, havia uma observação fina do trabalho e interrogatório sobre doenças e atividade laboral. Ramazzini pede aos colegas para perguntar: "Qual é o trabalho do paciente?".

Em 1832, Villermé é encarregado de elaborar um relatório sobre as condições de vida da classe operária. Ele vai a campo e estuda os postos de trabalho. Interessa-se pelos horários, salários por produção, alojamento e alimentação. Estuda a mortalidade segundo as classes sociais e profissões.

Villermé age, no plano técnico, recomendando dispositivo de proteção de correias de transmissão. Já no plano regulamentador e legislativo sua atuação vai se estende à proteção do trabalho infantil, limitando a idade para começar a trabalhar. Primeiro a 8 anos, mais tarde a 12. A jornada de trabalho também fica reduzida a dez horas ao dia.

Ele também institui a reparação dos danos causados pelos acidentes de trabalho ao fazer promulgar a lei que garante a gratuidade do tratamento dos acidentados e também que obriga os empregadores a indenizar monetariamente os que sofreram danos à sua integridade física. De suma importância, é a criação por Villermé da inspeção do trabalho entre 1874 e 1892.

Até Villermé, o interesse era restrito à insalubridade. Ele vai além. Verifica que o trabalho forçado, as condições dos alojamentos, a qualidade da alimentação e o "salário abaixo das necessidades reais" exerciam grande influência sobre o mau estado de saúde.

Ou seja, em alguns casos a falta de alimentação e as más condições de vida extraprofissional eram mais responsáveis pelo estado de saúde que a nocividade derivada das condições de trabalho propriamente ditas.

Assim, Villermé alarga o campo da patologia profissional e inclui nesta o conceito de fadiga e envelhecimento precoce.

Até 1851, todos compartilham das idéias de Villermé. Depois, há uma ruptura: os médicos higienistas começam a negar as influências das condições de trabalho industrial sobre a saúde, baseados em argumentos estatísticos ingleses mal interpretados. Estes mostravam que a esperança de vida variava de acordo com a profissão mais que com o meio ecológico. O efeito do ambiente urbano era ilusório: era devido à concentração urbana das más condições de trabalho. Os franceses se aproveitaram dos dados que indicavam maior esperança de vida para os membros da sociedade de seguros composta, sobretudo, de pequenos burgueses, empregados ou autônomos. Daí, concluírem que a riqueza não determinava a esperança de vida, mas sim quando o ganho é apenas do necessário.

OS ENGENHEIROS, OS FÍSICOS E OS FISIOLOGISTAS

Até o fim do século XIX, só se reconhece o trabalho físico. O homem é visto como um sistema de transformação de energia e nenhuma importância é dada aos aspectos cognitivos.

Vaucanson (metade do século XVIII) projeta autômatos que encanta, inclusive, os reis. Jacquard: aprimora os autômatos de Vaucanson, principalmente na indústria 8 têxtil onde trabalhou quando menino. Seu objetivo era suprimir os postos mais penosos.

Lavoisier (fim do século XVIII) faz estudos calorimétricos e metabólicos, estabelecendo relações entre a alimentação ingerida e a quantidade de calor despendida. Marey é o primeiro a fazer registro sistemáticos dos movimentos humanos e descobre que a freqüência do pulso cardíaco aumenta quando se exerce um esforço físico.

Portanto, até o início do século XX, o trabalhador é visto como um sistema transformador de energia. Os riscos do trabalho são conhecidos mas as ações para limitá-los são modestas. Um exemplo disto é o saturnismo. Esta patologia é conhecida há 25 séculos, mas só em 1904 a proibição do carbonato de chumbo é debatida no parlamento francês. Os proprietários de empresas de pintura dizem que os empregados se intoxicam por falta de uso de EPI. Clemenceau, que era médico, defende a proibição argumentando que é impossível trabalhar evitando o contato com o chumbo. O decreto só proibia o contato da mão na massa de pintura. Ora, analisando a atividade, Clemenceau constatou que os pintores tinham tinta até abaixo dos punhos, região não protegida pelas luvas. Logo, as luvas de cano curto não protegiam eficazmente. O decreto proibia também o lixamento e o polimento a seco de superfícies pintadas. Ora, lixamento e polimento por via úmida é sete vezes mais caro que pelo método a seco. Daí, como obrigar os empresários a utilizar o meio mais caro? Além disso, os inspetores do trabalho só podiam punir os empresários se constatassem a operação no momento em que era realizada. Testemunhos retrospectivos não valiam para lavrar a infração.

Logo, havia necessidade de um batalhão de fiscais inspecionando toda obra em fase de pintura.

O século XX

Jules Amar e Frémont simulam atividades profissionais em laboratório. Imbert e Lahy fazem estudos de campo. Jules Amar estuda, na Argélia, as ações da luz sobre os seres humanos. Protesta contra a exploração sem limites da energia humana. Mas emite opiniões racistas afirmando que os marroquinos eram mais rápidos e produtivos que os árabes. Ele redige o livro "O motor humano", obra em que faz contraponto a Taylor e seus "Princípios de Organiza9 ção Científica do Trabalho." Ele defende uma filosofia baseada em um modo energético: "o trabalho é o exercício de uma força para vencer uma resistência." E tem uma preocupação produtivista com uma vertente social. Um exercício indisciplinado acompanha-se de numerosas contrações sem efeito o que faz aumentar a fadiga. A fadiga é prejudicial à saúde individual e à coletividade.

Jules Amar age sobre as condições de trabalho. Ele propõe que os baixinhos sejam elevados até à altura das máquinas. Posiciona instrumentos à esquerda para os canhotos e preconiza temperaturas ambientais mais adequadas à execução das tarefas. Atua também sobre a seleção de pessoal. Ele defende a seleção, porém, sem eliminar ninguém, diferentemente de Taylor. Na sua obra "O motor humano", ele modera os princípios da divisão do trabalho ao propor que deve haver coordenação entre todas as instâncias e condena a divisão extrema das tarefas, principalmente, a concepção dos meios e da organização do trabalho divorciados da execução. Como sabemos, este divórcio está na origem de toda a inadaptação industrial que até hoje ainda não conseguimos superar. Ele também propõe o rodízio para evitar o enfraquecimento das faculdades não utilizadas.

O melhor de Jules Amar é que fez estudos muito precisos e bem analíticos, levando em conta a postura, os gestos, a velocidade dos gestos, as pausas como, por exemplo, na tarefa de lixamento de metais. O que não o impediu de emitir opiniões racistas.

Frémont interessa-se, sobretudo, pelas ferramentas. É o primeiro a levar em conta a variação interindividual, rejeitando, então, os valores limites e os valores médios. A variação interindividual quer dizer que os indivíduos são diferentes uns dos outros em suas medidas antropométricas, capacidades, comportamentos e funcionamento psíquico. Logo, os limites para o trabalho humano tão almejado pelos fisiologistas revelam-se impossíveis de serem estabelecidos pois o que seria aceitável para um ser humano não o seria para o outro.

Hoje sabemos bem da impossibilidade de os vários segmentos corporais de um mesmo indivíduo estarem todos na medida média. Ou seja, se alguém se situa na média de altura os outros segmentos corporais não necessariamente estarão na média.

Lahy interessa-se pela psicologia experimental. Ele estuda datilógrafos, condutores de trem e linotipistas. Ele retoma as idéias de Jules Amar sobre o desperdício do capital humano mas desemboca apenas na seleção de pessoal e na orientação vocacional.

Imbert faz estudos sobre a fadiga em catadores de mariscos e estivadores. Ele observa que os catadores de mariscos para depositar sua carga preferem caminhar privilegiando os locais em que a areia está mais compactada e não apenas caminhar em linha reta até o ponto para descarga. Ou seja, numa linguagem mais moderna, eles adotam um modo operatório que se revela menos fatigante. Faz também uma correlação entre freqüência de acidentes em estivadores e quantidade de horas trabalhadas. Sua explicação é a de que era a fadiga a responsável pelo aumento da freqüência.

Em resumo, este período é marcado pela representação energética do trabalho humano e pelo desenvolvimento da experimentação em laboratório e estudos de campo com a pretensão de rigor científico. Há também uma intervenção nos problemas sociais e políticos em nome da ciência. Porém, Jules Amar defende a melhoria da raça humana.

Em 1930 é criado o INETOP (Instituto Nacional de Estudos do Trabalho e Orientação Profissional). Este Instituto publica a revista "O trabalho humano" em 1933, tendo como subtítulo: "conhecimento sobre o homem tendo em vista a utilização judiciosa de sua atividade." A revista tinha como campo de estudos a fisiologia e a psicologia na tentativa de entender o funcionamento do motor humano.

Um artigo do primeiro número fala da seleção de pilotos de avião a partir de critérios fisiológicos e psicológicos. Faz uma análise da atividade a partir das aptidões para a percepção visual, para a atenção, para a resistência às emoções. Mas continua com o enfoque seletivo e as contribuições para a modificação do trabalho são modestas.

Permanece assim até 1963 quando começa a publicar os primeiros trabalhos de ergonomia: estudos do funcionamento do homem como o trabalho físico, por exemplo. A perspectiva ainda é a de estabelecimento de normas, de limites e de transformação dos meios de trabalho.

Em 1963 é criada a SELF (Sociedade de Ergonomia de Língua Francesa).

O termo ergonomia havia sido cunhado em 1857 pelo polonês Jastrzebowski mas tinha caído em esquecimento. É retomado em 1949 pelo inglês Murrel para reunir os conhecimentos (psicológicos e fisiológicos) úteis à concepção dos meios de trabalho.

A Ergonomia Francesa comporta duas correntes. Uma experimentalista: praticada por fisiologistas como Scherrer, Monod e Bouisset cujos resultados dos estudos de biomecânica servem para contestar os sucessores de Taylor, tais como Gilbreth e Barnes. Estes adotavam apenas o critério tempo e faziam observações em populações muito restritas.

Scherrer, Monod e Bouisset opõem a isso, os critérios energéticos. Estes fazem também as medições antropométricas. A outra corrente privilegia os estudos de campo. Seus representantes são Faverge, Leplat, Wisner e Metz. Trabalham na trilha aberta por Lahy e Pacaud, dois observadores atentos da atividade profissional e que a descrevem em termos de comportamento. Estes dois pesquisadores fizeram uma verdadeira revolução na interpretação de resultados de testes em laboratório com condutores de trem. Havia um consenso de que à medida que se envelhece as respostas a testes de percepção visual tendiam a ser mais lentas, o que era interpretado como sinal de enfraquecimento das funções cerebrais. Ora, estes pesquisadores verificaram que as respostas mais lentas dos condutores mais velhos eram devidas à precaução que tomavam antes de decidir por uma ação, privilegiando a segurança. Durante sua vida profissional, aprenderam que não podem dar partida no veículo apenas porque o semáforo está verde. É preciso verificar antes se há pedestres em frente ao veículo, entre outras coisas. Uma pessoa mais jovem toma decisões mais rapidamente, mas não necessariamente as mais acertadas e seguras. Ou seja, um idoso experiente leva em conta vários fatores antes de tomar uma decisão mesmo quando se trata de acionar um pedal quando se acende uma luz verde em laboratório.

Faverge era matemático. Ele começa estudando o valor preditivo dos testes psicotécnicos. Depois, presta atenção à atividade humana e fornece as primeiras bases para a análise ergonômica do trabalho. Muito humilde, ele dizia que "Não encontramos nada [de novo]. Contentamo-nos de fazer aparecer o que estava na sombra." A principal contribuição de Faverge foi a de descrever o trabalho humano em termos de comportamento, o que abriu as portas para a transformação dos meios de trabalho e de formação. Seus antecessores descreviam o trabalho em termos de aptidões e desembocavam sempre nos testes para seleção.

Orientações da...

Para ver o trabalho na íntegra escolha uma das opções abaixo

Ou faça login



Crie seu cadastro