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Deficiência Auditiva

Trabalho enviado por: Marcos Roberto Luciano

Data: 08/08/2005

Deficiência Auditiva


INTRODUÇÃO

Este trabalho pretende apresentar a situação que envolve pessoas surdas em relação à educação, à leitura e seu acesso à informação. A Pesquisa foi desenvolvida a partir da verificação da dificuldade dos surdos em sala de aula para desenvolver a leitura, e a sua ausência em bibliotecas e livrarias em decorrência desse problema.

Durante toda história da humanidade, as pessoas portadoras de deficiências têm sido discriminadas pela sociedade. Na maior parte do tempo, são encaradas como incomodo por suas diferenças e incapacidades para desempenhar as funções da vida cotidiana. Com o preconceito, acabavam tachadas de produto da degeneração da raça humana. A solução encontrada era escondê-las, tirando-as do convívio "normais", e até matá-las, como fizeram os gregos na Antigüidade e os nazistas na nossa era.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, 10% da população mundial tem algum déficit auditivo. Já a chamada "surdez severa" incide em uma em cada mil pessoas nos países desenvolvidos e em quatro em cada mil nos países subdesenvolvidos. No Brasil, calcula-se que 15 milhões de homens e mulheres tenham algum tipo de perda auditiva e que 350 mil nada ouçam.

O ouvido é o órgão que capta esse som, transforma-o em estímulos elétricos e os envia ao nervo auditivo, para que cheguem ao cérebro. Ali, eles são decodificados como uma palavra, ou como uma canção. Quando esse precioso mecanismo apresenta falhas, surgem as deficiências auditivas, que podem ter vários graus e culminar na surdez total. O som é energia mecânica de vibração do ar. O conceito de Surdez embora varie de acordo com alguns autores, define a perda auditiva abruta ou rapidamente progressiva, por comprometimento de ouvido interno, de intensidade e freqüência variáveis, acometendo ambos (raramente) ou apenas um dos ouvidos.


DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Deficiência auditiva é considerada genericamente como a diferença existente entre a performance do indivíduo e a habilidade normal para a detecção sonora de acordo com padrões estabelecidos pela American National Standards Institute (ANSI - 1989).
Zero audiométrico (0 dB N.A) refere-se aos valores de níveis de audição que correspondem à média de detecção de sons em várias freqüências, por exemplo: 500 Hz, 1000 Hz, 2000 Hz, etc.

Considera-se, em geral, que a audição normal corresponde à habilidade para detecção de sons até 20 dB N.A(decibéis, nível de audição).


SIGNIFICADO DE TERMOS

Hipoacusia - refere-se a uma redução na sensitividade da audição, sem qualquer alteração da qualidade de audição. O aumento da intensidade da fonte sonora, possibilita uma audição bastante adequada.

Disacusia - refere-se a um distúrbio na audição, expresso em qualidade e não em intensidade sonora. O aumento da intensidade da fonte sonora não garante o perfeito entendimento do significado das palavras.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA CONDUTIVA

Qualquer interferência na transmissão do som desde o conduto auditivo externo até a orelha interna (cóclea). A orelha interna tem capacidade de funcionamento normal mas não é estimulada pela vibração sonora. Esta estimulação poderá ocorrer com o aumento da intensidade do estímulo sonoro. A grande maioria das deficiências auditivas condutivas pode ser corrigida através de tratamento clínico ou cirúrgico.

DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSÓRIO-NEURAL

Ocorre quando há uma impossibilidade de recepção do som por lesão das células ciliadas da cóclea ou do nervo auditivo. Os limiares por condução óssea e por condução aérea, alterados, são aproximadamente iguais. A diferenciação entre as lesões das células ciliadas da cóclea e do nervo auditivo só pode ser feita através de métodos especiais de avaliação auditiva. Este tipo de deficiência auditiva é irreversível.


TIPOS DE DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Deficiência Auditiva Mista

Ocorre quando há uma alteração na condução do som até o órgão terminal sensorial associada à lesão do órgão sensorial ou do nervo auditivo. O audiograma mostra geralmente limiares de condução óssea abaixo dos níveis normais, embora com comprometimento menos intenso do que nos limiares de condução aérea.

Deficiência Auditiva Central, Disfunção Auditiva Central Ou Surdez Central

Este tipo de deficiência auditiva não é, necessariamente, acompanhado de diminuição da sensitividade auditiva, mas manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na compreensão das informações sonoras. Decorre de alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no tronco cerebral (Sistema Nervoso Central).


GRAUS DE SEVERIDADE DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Os níveis de limiares utilizados para caracterizar os graus de severidade da deficiência auditiva podem ter algumas variações entre os diferentes autores. Segundo critério de Davis e Silverman, 1966:

  • Audição Normal - Limiares entre 0 a 24 dB nível de audição. Deficiência Auditiva Leve - Limiares entre 25 a 40 dB nível de audição. Deficiência Auditiva Moderna - Limiares entre 41 e 70 dB nível de audição. Deficiência Auditiva Severa - Limiares entre 71 e 90 dB nível de audição.
  • Deficiência Auditiva Profunda - Limiares acima de 90 dB Indivíduos com níveis de perda auditiva leve, moderada e severa são mais freqüentemente chamados de deficientes auditivos, enquanto os indivíduos com níveis de perda auditiva profunda são chamados surdos.


CAUSAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA CONDUTIVA

  • Cerume ou corpos estranhos do conduto auditivo externo.
  • Otite externa: infecção bacteriana da pele do conduto auditivo externo.
  • Otite média: processo infeccioso e/ou inflamatório da orelha média, que divide-se em: otite média secretora; otite média aguda; otite média crônica supurada e otite média crônica colesteatomatosa.
  • Estenose ou atresia do conduto auditivo externo (redução de calibre ou ausência a estenose pode ser congênita ou ocorrer por trauma, agressão cirúrgica ou infecções graves.
  • Miringite Bolhosa (termo miringite refere-se a inflamação da membrana timpânica). Acúmulo de fluido entre as camadas da membrana timpânica, em geral associado a infecções das vias respiratórias superiores.

Perfurações da membrana timpânica: podem ocorrer por traumas externos, variações bruscas da pressão atmosférica ou otite média crônica supurada. A perda auditiva decorre de alterações da vibração da membrana timpânica. É variável de acordo com a extensão e localização da perfuração. Obstrução da tuba auditiva Fissuras Palatinas Otosclerose do conduto auditivo externo). Atresia é geralmente uma malformação congênita.


CAUSAS DA DEFICIÊNCIA AUDITIVA SENSÓRIO-NEURAL

De origem hereditárias (surdez herdada monogênica, que pode ser uma surdez isolada da orelha interna por mecanismo recessivo ou dominante ou uma síndrome com surdez); e uma surdez associada a aberrações cromossômicas.

de origem não hereditárias (causas exógenas), que podem ser:

  • Infecções maternas por rubéola, citomegalovírus, sífilis, herpes, toxoplasmose.
    Drogas ototóxicas e outras, alcoolismo materno
    Irradiações, por exemplo Raios X
  • Toxemia, diabetes e outras doenças maternais graves
  • Causas perinatais
  • Prematuridade e/ou baixo peso ao nascimento
  • Trauma de Parto - Fator traumático / Fator anóxico
  • Doença hemolítica do recém-nascido ( ictericia grave do recém-nascido)
  • Causas pós-natais
  • Infecções - meningite, encefalite, parotidite epidêmica (caxumba), sarampo
  • Drogas ototóxicas
  • Perda auditiva induzida por ruído (PAIR)
  • Traumas físicos que afetam o osso temporal
  • Causas pré-natais


DADOS ESTATÍSTICOS

Estima-se que 42 milhões de pessoas acima de 3 anos de idade são portadoras de algum tipo de deficiência auditiva, de moderada a profunda (OMS). Há expectativa que o número de perdas auditivas na população mundial chegue a 57 milhões no ano 2000.

Aproximadamente 0,1% das crianças nascem com deficiência auditiva severa e profunda (Northern e Downs, 1991). Este tipo de deficiência auditiva é suficientemente severa para impedir a aquisição normal da linguagem através do sentido da audição

Mais de 4% das crianças consideradas de alto risco são diagnosticadas como portadoras de deficiência auditiva de graus moderado a profundo (ASHA)1

Aproximadamente 90% das crianças portadoras de deficiência auditiva de graus severo e profundo são filhos de pais ouvintes (Northern e Downs, 1991)2

Nos Estados Unidos pesquisas indicam que a prevalência de deficiências auditivas sensorioneurais é de 5,95 para cada 1000 nascidos vivos e nas deficiências auditivas por alterações do ouvido médio é de 20 para cada 1000 nascidos vivos

Segundo a O.M.S. (1994)3 estima-se que 1,5% da população brasileira, ou seja, cerca de 2.250.000 habitantes são portadores de deficiência auditiva, estando esta em terceiro lugar entre todas as deficiências do país.

Aproximadamente 1.053.000 de crianças abaixo de 18 anos têm algum grau de deficiência auditiva, com índice de prevalência de 16,1 por 1000 (Bess e Humes 1995)4

FATORES DE RISCO

Experiência clínica e científica de profissionais participantes do Fórum de Debates: Criança e Audição, realizado durante o X Encontro Internacional de Audiologia, Bauru, Estado de São Paulo, 8 a 11 de Abril de 1995, alguns fatores que podem causar deficiência auditiva são:

  • Antecedentes familiares de deficiência auditiva, levantando-se se há consangüinidade entre os pais e/ou hereditariedade.
  • Infecções congênitas suspeitadas ou confirmadas através de exame sorológico e/ou clínico (toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e sífilis)
  • Peso no nascimento inferior a 1500g e/ou crianças pequenas para a idadegestacional (PIG)
  • Asfixia severa no nascimento, com Apgar entre 0-4 no primeiro minuto e 0-6 no quinto minuto.
  • Hiperbilirrubinemia com índices que indiquem exanguíneo transfusão.
  • Ventilação mecânica por mais de dez dias
  • Alterações crânio-faciais, incluindo as síndromes que tenham como uma de suas características a deficiência auditiva.
  • Meningite, principalmente a bacteriana.
  • Uso de drogas ototóxicas por mais de cinco dias.
  • Permanência em incubadora por mais de sete dias.
  • Alcoolismo ou uso de drogas pelos pais, antes e durante a gestação
  • Baseados nos critérios do "Joint Committee on Infant Hearing" (1994) e na.


IDENTIFICAÇÃO E DIAGNÓSTICO

O diagnóstico das deficiências de audição é realizado a partir da avaliação médica e audiológica. Em geral a primeira suspeita quanto à existência de uma alteração auditiva em crianças muito pequenas é feita pela própria família a partir da observação da ausência de reações a sons, comportamento diferente do usual (a criança que é muito quieta, dorme muito e em qualquer ambiente, não se assusta com sons intensos) e, um pouco mais velha, não desenvolve linguagem. A busca pelo diagnóstico também poderá ser originada a partir dos programas de prevenção das deficiências auditivas na infância como o registro de fatores de risco e triagens auditivas.

O profissional de saúde procurado em primeiro lugar é geralmente o pediatra, o qual encaminhará a criança ao otorrinolaringologista, quando se iniciará odiagnóstico. Este profissional fará um histórico do caso, observará o comportamento auditivo e procederá o exame físico das estruturas do ouvido, nariz e das diferentes partes da faringe. O passo seguinte é o encaminhamento para a avaliação audiológica.

No caso de adultos, em geral a queixa de alteração auditiva é do próprio indivíduo, e, no caso de trabalhadores expostos a situações de risco para audição o encaminhamento poderá advir de programas de conservação de audição.


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE

A surdez tem a sua classificação de acordo com a área do ouvido que apresenta a deficiência. Quando ela está relacionada a problemas do ouvido interno, cóclea, labirinto ou nervo auditivo (que transmite as informações geradas no ouvido até o cérebro), chama-se surdez neurossensorial. Normalmente é de difícil tratamento e possui intensidades variadas. Muitas vezes é total. Podem surgir por causas congênitas e hereditárias, ou em razão de doenças sistêmicas, drogas tóxicas para o ouvido, trauma acústico sonoro e envelhecimento. O outro tipo é a surdez de condução do som do meio externo para o ouvido interno.

Tudo o que obstrui a passagem do som, como as "rolhas" de cera e as otites (inflamações do ouvido), causa essa surdez, além de problemas na membrana timpânica nos ossinhos do ouvido que amplificam o som. Podemos citar ainda nesse grupo a surdez transitória, que acontece quando se está gripado ou se desce a serra ou, ainda quando se viaja de avião. Felizmente, na maior parte dos casos, a surdez de condução pode ser revertida por meio de tratamentos clínicos ou cirúrgicos.

Unilateral

Caso a deficiência auditiva seja unilateral, causará poucos problemas, pois há a compensação do outro lado. Se atingir os dois ouvidos e, dependendo do grau, causará dificuldades sociais e de comunicação.

No idoso, costuma gerar isolamento, o que pode levar à depressão e a problemas no trabalho e de relacionamento. Na criança, se a deficiência aparece já nos primeiros anos de vida, poderá causar distúrbios ou atrasos na aquisição de linguagem, além de problemas no desenvolvimento intelectual e de aprendizado. A detecção e a correção da doença devem ocorrer o quanto antes.


FORMAS DE PREVENÇÃO

A prevenção é palavra-chave, pois é possível prevenir alguns tipos de surdez, um exemplo: a rubéola é uma doença contagiosa que ataca gestantes nos primeiros meses de gravidez e pode afetar seriamente o desenvolvimento normal do aparelho auditivo do feto e causar a surdez infantil. São instrumentos de prevenção: a vacinação contra a rubéola em mulheres antes da gravidez; o tratamento de doenças como a sífilis, a toxoplasmose e o citomegalovírus; a imunização contra a meningite meningocócica; o tratamento adequado de otites na infância; e a precaução no uso de medicamentos potencialmente tóxicos para o ouvido. Infelizmente, poucos hospitais e maternidades hoje fazem exame de audição em recém-nascidos.

Ele é importante porque, se a deficiência auditiva não for percebida a tempo, causará alterações no desenvolvimento normal das vias auditivas cerebrais por falta de estimulação. Em casa e na escola, é importante observar o comportamento da criança. Atrasos no desenvolvimento da linguagem e da comunicação, alterações de comportamento, dificuldade no aprendizado e isolamento são indícios que pedem exames. Nas empresas e indústrias, testes de audição periódicos e proteção de ouvido para empregados expostos a muito barulho ajudam a prevenir a surdez ocupacional, relacionada a ruídos em ambiente de trabalho. De modo geral deve-se evitar a exposição a ruídos que agridam o ouvido.

Os especialistas no assunto lembram que a surdez de condução pode ser tratada com medicamento ou cirurgia. Já a surdez neurossensorial dificilmente tem solução. Por isso, é necessário que se procure um especialista a qualquer sinal de perda de audição. Um diagnóstico precoce do problema pode impedir a progressão da surdez e, em casos raros, saná-la. Na presbiacusia (surdez do idoso), a perda de audição se deve ao desgaste provocado pelo envelhecimento. Nos casos em tratamento, a melhor opção para recuperar a audição é a prótese auditiva (aparelho de surdez). É fundamental ainda ressaltar a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do problema auditivo, na infância, como forma de evitar que crianças tenham seu desenvolvimento afetado pela surdez.


AUDIÇÃO E FALA

A audição é essencial para o desenvolvimento da fala, da linguagem, da socialização e de outras formas de comportamento. Sem a audição a criança tende a se afastar do seu meio ambiente, isola-se, e pode ter a aparência de criança retardada, com distúrbios emocionais e de aprendizagem. Torna-se claro que a audição deve ser testada em qualquer criança que venha para avaliação de distúrbios do desenvolvimento.

Classicamente, surdez é descrita como perda de audição para determinado número de decibéis e freqüentemente não se leva em conta o aspecto funcional da audição, como propósito de comunicação. Ouvir não é apenas escutar; implica numa interpretação ótima de sons levando à produção de pensamento e linguagem.

As perturbações da audição podem ser classificadas em quatro categorias: por condução, neurossensorial, mista e central. O déficit de audição por condução envolve perturbação da área do ouvido responsável pela transmissão mecânica de sons, portanto limitada à patologia do ouvido externo e médio (por exemplo, má formação congênita, cerúmen, infecção). Quase sempre a redução da audição não é total, e pode, na maioria das vezes, ser resolvida do ponto de vista médico. A maioria dos casos de déficit auditivo por condução se relaciona diretamente com disfunção da trompa de Eustáquio, devido à infecção das vias aéreas superiores, obstrução tubária, secreção de líquido no ouvido médio e posterior infecção.

A perda de audição neurossensorial resulta de dano no ouvido interno e nas fibras nervosas associadas. Tais lesões são usualmente permanentes, levando ao déficit sensorial e distorção dos sons, perturbando a discriminação auditiva mesmo daqueles sons ouvidos. O déficit neurossensorial pode ser congênito ou adquirido e as causas mais comuns são defeitos genéticos, infecções viróticas e bacterianas, uso de drogas ototóxicas e exposição contínua a ruídos de alta intensidade. Quanto mais precoce é a perda, e mais severo o déficit, mais dramático é o efeito sobre o aprendizado da fala e da linguagem, e sobre outros tipos de comportamento.

A perda de audição de origem central é muito mais difícil de ser determinada em crianças porque existem muitas vias pelas quais o estímulo sonoro chega até o córtex cerebral.

De modo geral, os testes utilizam a fala para o diagnóstico, requerendo resposta verbal do paciente. Por esse método, apenas quando as lesões são unilaterais elas podem ser identificadas. Dessa forma, a patologia central é mais freqüentemente presumida, depois de excluída uma anormalidade periférica da função auditiva através da anamnese e exame físico.

Mesmo captando e transmitindo os sons, o paciente é incapaz de utilizar os estímulos auditivos para finalidade de comunicação. O que já está demonstrado é que as lesões centrais não produzem déficit de audição do tipo observado nas lesões periféricas (por exemplo mensurável através da audiometria). Do ponto de vista prático, a criança seria incapaz de utilizar os estímulos sonoros para propósitos funcionais. Das lesões centrais, apenas os tumores poderiam ter soluções do ponto de vista médico, sendo as demais abordadas como seqüelas, através de educação especializada e foniatria.


FALA E VOZ - UM CAMINHAR JUNTO

A comunicação verbal está relacionada à possibilidade do indivíduo receber, perceber e elaborar simbolicamente os sons, e planejar e executar os movimentos articulatórios adequadamente. Estas são peculiaridades próprias do sistema nervoso central do ser humano, que o diferencia dos outros animais.

A linguagem pode ser definida como a maneira pela qual as experiências e as idéias são comunicadas para outras pessoas. A compreensão e expressão envolvem uma conceituação de formas simbólicas (palavras) e sua combinação dentro de determinadas normas (gramática).

A fala é o ato motor da produção dos sons, a qual envolve a respiração, fonação, ressonância e articulação. É claro que a aquisição e desenvolvimento de bons padrões de comunicação dependem de circunstâncias externas ao indivíduo, desde que o sistema simbólico de cada língua seja aprendido, de maneira dinâmica, dentro da comunidade em que ele vive. Nesse processo intervêm basicamente os estímulos ambientais e o relacionamento afetivo.

Para avaliarmos em profundidade os distúrbios da linguagem e da fala é necessário que se conheça a seqüência e ritmo do desenvolvimento normal, e para tal seria necessário recorrer a livros especializados, o que foge ao objetivo. Para abordagem inicial, pode-se utilizar a Escala de Desenvolvimento de Denver adaptada. Além disso, considerar que, do ponto de vista fonético, a dislalia de troca (p-b, r-l, etc.) deverá normalmente ser superada aos três anos de idade e a de supressão (por exemplo, "cao"; em vez de carro) aos quatro anos.

Do ponto de vista prático, as crianças que apresentam desvios do desenvolvimento de fala e linguagem podem ser divididas em dois grandes grupos: aquelas com queixa de que não falam, e aquelas que falam pouco ou muito mal. As principais causas de um atraso nítido no aparecimento da fala, são a deficiência auditiva do tipo neurossensorial, falta de estímulos ambientais, lesões cerebrais, distúrbios neuróticos, autismo, malformações graves dos órgãos da fala, disfunção cerebral mínima e deficiência mental. A história clínica é sempre de fundamental importância para se esclarecer a natureza da doença. Aquelas crianças com lesões do sistema nervoso irão apresentar alterações grosseiras, posturais e de movimento, e sinais evidentes de espasticidade ou rigidez muscular, paralisia na língua, lábios, mandíbulas e palato.

A abordagem da criança que não fala pode ser realizada da seguinte forma: reação aos sons, reações aos gestos, reações a estímulos visuais e táteis, vocalização, função motora e respostas sociais. Além disso deverá ser feito o exame físico para afastar alterações anatômicas que possam interferir na produção dos sons: fenda labial e palatina, micrognatia, má oclusão dentária, hipertrofia de amígdalas e adenóides, etc.

Outras causas comuns de distúrbios da linguagem são a disfunção cerebral mínima e distúrbio emocional. Na maioria das vezes as crianças portadoras de distúrbios da fala e linguagem devem ser atendidas em equipe, da qual participam o médico (neuropediatria e o otorrinolaringologista), o psicólogo e o foniatra, tanto na fase do diagnóstico quanto na terapia.


TUDO SOBRE SURDEZ

  • ASL – American Sing Language – é o nome dado a língua de sinais americana.
  • LSE – Língua de sinais espanhola
  • LSI – Língua de Sinais Italiana
  • LIBRAS – Língua de sinais Brasileira.

Closed-caption – Legenda oculta para permitir aos surdos e pessoas com deficiência auditiva o acesso a programas, comerciais e filmes na televisão e em vídeo. Existe duas formas: a on-line, feita em tempo real através da estenotipia ou software de reconhecimento da voz, e a off-line, pós-produzida em programas gravados.

DATILOLOGIA – Forma de soletrar palavras com as mãos. Mais utilizado para nomes próprios, de pessoas, geográficos e palavras estrangeiras.

GESTUNO – Assim como o Esperanto, o Gestuno é uma língua gestual universal.

LÍNGUA DE SINAIS...

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