Zé Moleza | TCC, monografias e trabalhos feitos. Pesquise já!

Você está em Trabalhos Acadêmicos > Sociais Aplicadas > Filosofia

Favoritos Seus trabalhos favoritos: 0


Publicidade

Trabalho em Destaque

Título: A Proteção Social

1 INTRODUÇÃO O nascedouro foi em 1883, na Alemanha com o Chanceler Bismarck. Foi um marco tanto da Seguridade Social como da Previdência Social (primeiro sistema escrito de previdência social – seguro social). A forma de contribuição ou custeio para…


Publicidade

A Angelologia e sua Relevância para a Igreja

Trabalho enviado por: Eliel Rafael da Silva Júnior

Data: 17/06/2004

A ANGELOLOGIA E SUA RELEVÂNCIA PARA A IGREJA

Recife, Outubro / 1998


DEDICATÓRIA

Dedico o presente trabalho a meus pais Jemima Rodrigues Rafael e Eliel Rafael da Silva (in memorian) pelo incentivo e motivação durante todo o curso.

Ao Reverendo Ezequiel Fragoso Vieira, fiel exemplo de ministro do Senhor.


AGRADECIMENTOS

A Deus,

pelo dom da vida e por sua fidelidade , dando-me vigor para prosseguir na conquista de meus objetivos;

Ao Rev. Glenn Thomas Every-Clayton,

pela paciência na orientação desta pesquisa;

Aos professores,

que contribuíram em minha formação acadêmica;

Aos familiares, em especial minhas tias Emivanete, Emirtes e Elyude,

que souberam dar uma palavra de animo quando as adversidades pareciam vitoriosas;

Aos colegas e amigos,

pelas orações e palavras de encorajamento;

A Angela, Luciana, Leila, Liliane e Liliam,

minha segunda família nas terras do leão do norte;

A minha mãe e meus irmãos,

pelo carinho, compreensão e afeto que me dedicaram sempre;

Ao STCN,

pela oportunidade do curso.


INTRODUÇÃO

As Escrituras atestam a existência de seres espirituais que habitam a esfera celestial, e que são meios através das quais Deus opera no mundo material.

É extraordinário a busca que sempre ocorreu em todo o curso da história humana por seres que servem como ponte entre o sagrado e o profano. Hoje esta busca se intensifica por conta do progresso científico e da crise que assola a humanidade: o homem procura Deus nos anjos, sem dúvida alguma uma das mais belas de Suas criaturas. Porém, enchem a angelologia de abusos e desrespeitam o que as Escrituras afirmam sobre a disciplina.

A igreja em geral nem imagina a importância destes seres que são usados por Deus "para ministrar em favor daqueles que herdaram a vida eterna". A Escritura nos garante que um dia, será removido de nossos olhos "o véu de separação" entre o visível e o invisível. Então, a partir daí, poderemos ver e conhecer em toda a plenitude a atuação que os anjos nos dedicaram (I Cor.13.12).

A crença em tais mensageiros é de caráter universal! filósofos, poetas, historiadores, teólogos, etc. freqüentemente falaram no ministério dos anjos.

Este trabalho não tem como objetivo provar a existência dos anjos, pois a Escritura descreve-os como seres reais, como algo patente e definido, queremos apresentar o que cremos com base na Bíblia Sagrada acerca desta doutrina denominada angelologia. Esta existência supracitada como fator real, não é desconhecida no meio protestante, todos afirmam que ela é indiscutível. Mas a mesma não sofre um conhecimento que vise abranger a realidade bíblica, em contrapartida os movimentos esotéricos e a própria sociedade tem produzido uma angelologia estranha a Escritura. Devido ao não conhecimento desta doutrina, os fiéis sofrem sem qualquer resistência aos assédios destas idéias lançadas por estes movimentos.

É necessário deixarmos os preconceitos forjados contra este assunto, pelo fato destes seres não serem visíveis e palpáveis. Quem despreza essa doutrina, objeto revelado das Sagradas Escrituras, despreza não somente a veracidade das mesmas, mas a própria Palavra de Deus e quem assim o faz, rejeita o próprio Cristo

I. COMO ESTE ASSUNTO TEM SIDO TRATADO.

Somos herdeiros de uma cultura materialista e desiludida, que questiona a existência de anjos; por outro lado, não faltam aqueles que criam uma angelologia estranha à Escritura. Karl Rahner escreveu que os anjos "não são concorrentes de Deus, mas suas criaturas". Quem são, então, os anjos? E em que se baseia a nossa crença em sua existência? Quando professamos o credo Niceno-Constantinopolitano, vemos que somos herdeiros de uma fé que remonta à Cristo e a os apóstolos: "Creio em Deus...Criador do céu e da terra; de todas as coisas visíveis e invisíveis". Obviamente, entre as realidades invisíveis criadas por Deus, contam-se os anjos.

1.1. OS ANJOS ESTAVAM ESQUECIDOS ?

Para a maioria dos cristãos, os anjos não passam de seres misteriosos que estão bem distantes de nós e alheios ao que ocorre em nossas vidas. Outros, por ignorância, pensam que o fato de se fazer um ritual de oração irá garantir o auxílio destes seres. Vale salientar que a falta de informações corretas sobre os anjos deve-se a má formação cristã de muitos, como também ao desconhecimento da verdadeira doutrina bíblica acerca dos anjos. Sobre isto Bruce Milne faz o seguinte comentário:

Ao contrário de seu passado, os cristãos de hoje praticamente ignoram os anjos de Deus. O anti-sobrenaturalismo moderno, a percepção dos perigos da curiosidade nesta área e o temor de introduzir mediadores entre Deus e os homens, além de Cristo, se combinaram para constranger-nos. Essa reserva não é também inteiramente contrária à Bíblia. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento relutam em dar proeminência a esses servos celestiais do Senhor, mesmo porque seria uma proeminência indevida. Mas o crescente interesse nos agentes espirituais negativos, demoníacos e outros, e o fascínio popular pelas várias fantasias de ficção científica devem levar o cristão a meditar às vezes sobre os "milhares e milhares de anjos", esses abençoados e radiosos cidadãos das hostes celestiais que, entre outras coisas se ocupam de nossos interesses (Hb.1.14; 12.22).

Estes ensinos errôneos herdados dão ao cristão a falsa impressão de que ele já sabe o bastante sobre os anjos, e assim sendo, anulam o desejo de conhecer o assunto em sua essência verdadeira. As idéias preestabelecidas pelas tradições anulam o desejo de adquirir um conhecimento genuíno sobre tal matéria.

Sobre este assunto duas ameaças defrontam a igreja contemporânea. Ela pode ignorar virtualmente este ensino, como acontece em grande parte dos escritos teológicos modernos, ou pelo contrário, dar-lhe demasiada ênfase, particularmente em relação aos agentes demoníacos. Ser um cristão bíblico não significa apenas crer em tudo que a Bíblia ensina. Precisamos a cada dia buscar dentro da teologia várias instruções para ter um equilíbrio escritural. Devemos temer buscar interpretar um texto fora de seu contexto e fugir das demais regras hermenêuticas. Precisamos adotar uma linha de interpretação.

O equilíbrio das Escrituras deve ser igualmente determinativo em nossas considerações sobre os anjos perversos. Devemos levar a sério a luta com os poderes do mal, como fizeram nosso Senhor e seus apóstolos, mas esta dimensão não é abrangente no Novo Testamento, nem deve ser em nossos pensamentos. Precisamos ter em mente que o foco do Novo Testamento é Jesus Cristo e não Satanás e seus demônios. E, o que para muitos é absurdo, os anjos perversos também são criaturas de Deus, existindo por causa dEle, e finalmente servindo aos Seus propósitos.

Devido à falta deste conhecimento sadio sobre os anjos, os cristãos nem imaginam a grandeza do ministério destes seres extraordinários que Deus por sua misericórdia colocou em nosso auxílio. Os anjos existem, eles são ministros de Deus e estão ao Seu serviço. Mas não deve-se exagerar quando tratamos da presença destes seres entre nós, nem da importância que eles têm, pois Deus sustenta e guia Suas criaturas em geral, e Seus filhos em particular, diretamente pela operação do Espírito Santo, com os anjos ou sem eles. O cristão que tem as Escrituras Sagradas como única regra de fé e prática crê na existência dos anjos. Crê também que o propósito do Criador para estes seres espirituais sempre se cumpriu e se cumprirá. O verdadeiro cristão nunca vai além da escritura, ele vê com temor e tremor a angelologia de hoje, cheia dos excessos cometidos dentro e fora das igrejas, pois a recomendação bíblica é que "ainda que um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema" (Gl.1.8).

1.2. OS ANJOS ESTÃO VOLTANDO !

Até algumas décadas atrás este tema era considerado irrelevante, desacreditado por muitas pessoas. Estava fora até dos círculos de discussões teológicas. Hoje torna-se presente e é assumido como uma realidade. Observamos que o mundo não têm perguntado aos teólogos sobre os anjos. Este assunto tem sido tratado por pessoas que não possuem autoridade. Será que aqueles que afirmam conhecer tão bem o mundo angelical possuem habilidades e conhecimento sadio sobre os anjos? Eles podem inferir valor naquilo que não conhecem?

Esta expressão, "Os Anjos Estão Voltando!" é vista como mais um modismo da indústria esotérica, que explora a crendice alheia ressuscitando velhas superstições.

Desde os anos sessenta um fenômeno hoje conhecido como "onda mística" vem crescendo. Primeiro como um movimento de contra-cultura, que contesta os valores materialistas estabelecidos pelo sistema, e depois como uma busca pelo verdadeiro significado da existência humana. Influenciado pelas filosofias e religiões orientais este movimento cresceu e envolveu o mundo.

É necessário analisarmos melhor a época em que estamos vivendo e considerarmos a presença dos anjos dentro do conturbado contexto social. O que significa a redescoberta destes seres espirituais presentes a milênios na tradição religiosa de diversos povos? Por que a crença foi renovada?

1.3. A SOCIEDADE SECULARIZADA EM BUSCA DO SAGRADO

As crises sociais fazem parte do processo histórico e evolutivo de todas as civilizações. Todos os grandes impérios do passado tiveram seu momento de apogeu e glória, para depois caírem inexoravelmente diante de crises internas e externas que os levaram à derrocada. Entretanto, no passado, tais crises duravam séculos e atingiam civilizações isoladas, enquanto povos vizinhos alcançavam por sua vez a prosperidade.

Em nossos dias a situação é semelhante: assistimos perplexos o rápido crescimento de uma crise de dimensões globais, que não só abala todas as instituições criadas pelos homens, como também a nossa própria capacidade de revertê-la. Vivemos em uma enorme crise com rumores de guerra, que é a mais abrangente, mais profunda, mais rápida e diferente de todas as outras. Ela não se processa no desenrolar dos séculos, mas a cada dia, tornando-se cada vez maior e mais complexa, sem nos dar tempo sequer de montar uma estratégia para combatê-la.

Os governos e cientistas de todo o mundo sentem-se impotentes diante do grave problema planetário que coloca em risco a sobrevivência e a qualidade de vida da humanidade. Por toda a parte presenciamos a ameaça e o caos social, guerras internas e externas e o avanço da fome e da violência. Diante desta crise surge o misticismo, que tem adquirido a função de compensador, ou seja, ele vem compensar o indivíduo dos desgastes da vida social, isto é, fazer o que a sociedade secularizada não pode produzir. É um mecanismo pela qual a humanidade joga os problemas para o Céu, esperando receber uma resposta direta por meio de anjos. O misticismo de hoje busca nos anjos a figura de protetores em um mundo que nos torna cada vez mais desprotegidos e inseguros. Certos críticos como Paola Giovetti consideram este fenômeno como conseqüência da própria crise. As pessoas desesperadas com os tempos caóticos que estamos vivendo, buscam soluções de fuga, que sejam milagrosas, substituindo a descrença nas instituições, nos governos e até na própria ciência, pela magia e ajuda de seres espirituais.

Neste final de milênio a importância dos anjos está alcançando novas dimensões, e estes seres estão presentes em quase todas as religiões. Estão nos livros, nas revistas, nos jornais, nas publicações especiais, nos programas de televisão, vídeos, e até no sistema de consultas pelo serviço 0900. Segundo a revista "Ultimato" existem pessoas que trabalham como porta-vozes, pregadores e ministros dos anjos, o artigo diz o seguinte:

Adriana Feres, economista, católica de formação, afirma que se comunica com os anjos há mais de 20 anos. Ela reside na capital paulista, onde atua como pregadora e ministradora em nome dos anjos. Ela afirma já ter assistido a mais de 2.500 pessoas. Além de atender aqueles que a procuram, Adriana atende também a domicílio. Todas as terças-feiras ela se dedica a uma clientela seleta, composta por empresários, que recebe a ministração em suas casas. As ministrações – que ela chama de "terapia angelical" – são feitas à base de recitação de Salmos e da invocação dos anjos para a limpeza espiritual do ambiente. Nessas sessões, Adriana recebe mensagens dos anjos, que ela transmite às pessoas atendidas. E os resultados? A empresária Cassilda Silveira Camargo afirma ter sido curada de um tumor na medula, através da ajuda de Adriana Feres. A empresária Maria Cristina Pereira de Almeida é outra pessoa que afirma ter sido ajudada por Adriana. Ela diz que após descobrir que tinha mieloma múltiplo, um tipo de tumor na medula, encontrou auxílio na ministração de Adriana. E dá o seguinte depoimento: "Com a ajuda de Adriana e dos anjos consegui cuidar mais de mim e perceber que Deus não tinha me abandonado" .

Outra paulista que alcançou enorme sucesso e fama com os anjos é a empresária Mônica Buonfiglio. Em 1992 ela lançou o livro Anjos Cabalísticos que teve uma grande repercussão nacional, tornou-se um grande sucesso editorial e ocupou, durante meses, o primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos no Brasil. Em seguida a empresária escreveu mais dois livros sobre o mesmo assunto, A Magia dos Anjos Cabalísticos e Tarô dos Anjos. Os livros de Mônica Buonfiglio chegaram a vender naquele ano a impressionante marca de três mil exemplares por dia. O seu sucesso editorial não poderia deixar de impulsionar o seu sucesso empresarial. Até setembro de 1994, a sua empresa Oficina Cultural Esotérica já contava com doze franquias.

Nas livrarias e nas bancas de revistas estão à venda mais de sessenta títulos de livros e publicações sobre os anjos. Só a editora esotérica Pensamento tem doze títulos nas livrarias. Um de seus títulos é escrito por uma protestante da Igreja Presbiteriana do Canadá, que assim se expressa: "Eu não tinha encontrado respostas para essas questões nos ensinamentos da escola dominical, nos sermões ou nos serviços da Igreja Presbiteriana do Canadá". Diante de tanto interesse por anjos, a Editora Três lançou uma coleção de vinte fascículos semanais com o título: "Anjos, Tudo o que você queria saber".* Foi um sucesso!

1.4. OS ANJOS E OS OVNIS

Muito corrente em nossos dias é a conclusão a que muitos chegaram por conta da pesquisa de ufólogos, os anjos são ovnis. Estas pessoas usam certas passagens bíblicas dos livros de Isaías, Ezequiel, Zacarias e Apocalipse para estabelecer paralelos com as supostas aparições de ovnis. Mas qualquer tentativa para relacionar estas passagens com os ovnis não passa de mera especulação. Todavia, o que é interessante, é que tais teorias são alvo de atenção séria, e muitos até encaram estes fenômenos como aparições de anjos caídos. É comum ouvirmos da boca de alguns cristãos a afirmação de que os alienígenas são os demônios.

O que torna mais lamentável ainda é que este discurso não é apenas proferido pela massa sem conhecimento teológico mas por líderes eclesiásticos que deveriam por obrigação ter um mínimo de discernimento.

1.5. CONCEITOS POPULARES ACERCA DOS ANJOS

Devido à ignorância de alguns cristãos quanto ao ensino bíblico acerca dos anjos, não é de se estranhar que conceitos falsos sobre anjos tenham surgido e tenham tanta credibilidade em nossos dias. Entre estas crenças errôneas encontramos: que os anjos são seres humanos que já morreram, ou seja, que nós nos tornamos anjos quando morremos; que Satanás é um anjo caído tão poderoso quanto Deus e tem a sua sede no inferno, local onde comanda todas as suas hostes; que cada ser humano vive acompanhado por dois anjos, um eleito que o guia para fazer o bem, e um caído que o induz para fazer o mal; e ainda, que simplesmente pelo fato de serem anjos, todos são dignos de nossa confiança.

1.6. OS ANJOS ENTRE OS PROTESTANTES BRASILEIROS

A posição protestante clássica está refletida na resposta à pergunta dezesseis do Catecismo Maior de Westminster que nos diz o seguinte: "Deus criou todos os anjos, como espíritos imortais, santos, excelentes em conhecimento, grandes em poder, para executar os seus mandamentos e louvarem o seu nome, todavia sujeitos a mudança".

Segundo o catecismo, os anjos realizaram um ministério extraordinário na revelação especial de Deus, quando serviram de mediadores das mensagens divinas, quando comunicaram bênçãos ao povo de Deus e quando executaram juízo sobre os inimigos de Deus e de Seu povo.

Vários livros já foram publicados no Brasil sobre a angelologia. Um dos pioneiros a escrever sobre o assunto foi Ebenézer Soares Ferreira, cujo livro, "Angelologia" foi editado em 1966. Algum tempo depois, com muito sucesso, foi lançado o livro de Billy Graham, "Anjos Agentes Secretos de Deus ". Na atualidade, muitos livros têm contribuído para esclarecer sobre este assunto. Outros, infelizmente têm exagerado, considerando os anjos como deuses ou semideuses.

O exagero tem saltado das páginas dos livros para os templos. Sobre este assunto a revista "Ultimato" afirma:

Na periferia de uma grande cidade, o pastor de uma igreja evangélica faz invocação os anjos no início dos cultos. Ele ordena que os anjos, com espadas desembainhadas, fumegantes, se postem nas portas e nas janelas do templo para impedir a entrada dos dardos inflamados do maligno. Ele aponta para as portas e para cada janela, dando ordem para os anjos. Depois, sob a proteção da milícia celestial os atos do culto prosseguem. Outro pastor, além de não concordar com a atitude do seu colega, coloca-se em uma posição oposta. Ele afirma que os anjos nasceram na mente dos hebreus, quando estes substituíam o politeísmo pelo monoteísmo. Sem saber o que fazer com a multidão de deuses e semideuses que povoavam as suas mentes, resolveram transformá-los em anjos, ministros do Deus único.

Estes dois pastores representam posições extremas, que não expressam o pensamento do protestantismo histórico. Na história cristã a preocupação com anjos sempre oscilou em extremos. Na Idade Média os concílios se reuniam e havia tamanha preocupação com os anjos que se tentava elaborar uma teologia para definir quantos deles cabiam na cabeça de uma agulha. As vezes buscavam definir o sexo dos anjos, se comiam e se produziam excremento ou não. No período do Iluminismo, no apogeu da Razão, o assunto foi relegado a uma diminuição meramente especulativa, e deixou-se de acreditar em anjos, pois os seres humanos enxergaram-se como os únicos seres inteligentes do universo. Agora, com o fim de milênio, acontece um novo avivamento no assunto, o interesse pelos anjos está novamente em alta.


II LEVANTAMENTO HISTÓRICO DA ANGELOLOGIA.

Todas as religiões reconhecem a existência de um mundo espiritual. Suas mitologias falam de deuses, semideuses, espíritos, demônios, gênios, heróis e assim por diante. Segundo Louis Berkhof "muitos críticos especialistas afirmam que os hebreus derivam a sua angelologia dos persas". Mas esta teoria não foi comprovada e, para dizer o mínimo, é muito duvidosa.

2.1. LEVANTAMENTO HISTÓRICO DA ANGELOLOGIA PRÉ-CRISTÃ.

Uma tomada panorâmica, ainda que rápida, efetuada ao longo dos séculos e das mais antigas civilizações, certifica-nos de um fato: por toda parte notam-se vestígios da crença em seres intermediários entre a(s) divindade(s) e os homens. Os anjos andam de mãos dadas em todo o curso da história com a raça humana, suas aparições nos deixaram profundas marcas, a presença destes seres espirituais tem sido reconhecida em quase todas as religiões. Sobre este assunto o Dr. William Cook faz o seguinte comentário:

Realmente, quase todos os sistemas de religião, antigos ou modernos, encontramos estes seres; nos aeons dos gnósticos, nos demônios, nos semideuses, nos gênios e nos lares, que aparecem tão extensamente nas teogonias, nos poemas e na literatura geral dos antigos pagãos, encontramos evidências abundantes da crença quase universal da existência de seres espirituais inteligentes, que ocupam diferentes ordens entre o homem e o seu Criador. Aqui, entretanto, geralmente encontramos a verdade envolta na ficção e os fatos distorcidos pela louca fantasia da mitologia. A doutrina dos pagãos, em relação aos seres espirituais, poderia ser assim resumidas: Eles crêem que as almas dos heróis falecidos e dos homens bons foram exaltados a uma posição de dignidade e felicidade, eram chamados demônios e supostamente serviam de mediadores entre a divindade suprema e o homem. Havia, entretanto, uma outra categoria de demônios, que supostamente nunca habitaram um corpo mortal, e estes dividiam-se em duas categorias: Os bons que eram os guardiões dos homens bons e os maus, que se dizia invejarem a felicidade dos humanos, tentando impedir suas virtudes e provocar sua ruína. Nestas noções vemos um substrato da verdade, mas, nas escrituras, temos a verdade em sua pureza original, livre das corrupções da superstição e das imagens licenciosas dos poetas, e a sua verdade fica mais majestosa em sua simplicidade.

Para os povos primitivos, todas as manifestações da natureza correspondiam a um espírito que pode ser benéfico e maléfico, conforme os efeitos decorrentes destes fenômenos. Ao pé das nascentes e dos montes, junto a certos sítios animais ou árvores, adeja um espírito que é preciso propiciar.

No Antigo Egito, prestava-se culto a uma multidão de espíritos inferiores às divindades, que abrilhantavam suas cortes. Na Mesopotâmia, um número incalculável de espíritos tinha características nitidamente pessoais e exercia um influxo não raro definitivo sobre os destinos humanos. Dois milênios antes de Cristo, na Pérsia, antes e depois da reforma de Zaratustra, era vívida a crença em seres intermediários, bons e maus. Fica portanto claro: desde as eras primordiais, à convicção da existência de seres pessoais inferiores à divindade e superiores aos homens tem sido praticamente universal.

2.1.1. ANGELOLOGIA MESOPOTÂMICA

A Mesopotâmia é uma estreita faixa de terra situada na Ásia Ocidental, e durante muito tempo foi o centro do mundo antigo, importante passagem entre o Golfo Pérsico e o Mar Mediterrâneo. Sempre esteve exposta à infiltração de nômades do deserto, montanheses rudes e povos indo-europeus. Sua história é uma sucessão de guerras, invasões, massacres e de dominações diferentes. Sucederam-se no domínio da "terra entre rios" sumérios, acádios, amorritas, cassítas, assírios, hititas e caldeus.

Os povos mesopotâmicos destacaram-se por sua religiosidade, alem de seus deuses, era uma crença comum a existência de gênios tutelares, bons e maus que exerciam grande influência nos acontecimentos humanos. Os touros alados chamados de "karibu" eram os gênios bons, guardiões da morada dos deuses e dos reis. Para impedir a ação dos gênios maus, os mesopotâmicos praticavam vários esconjuros, de quem temos uma reminiscência no livro apócrifo de Tobias.

Dentre os povos citados, três são de enorme valor, o primeiro deles são os sumérios, um povo de origem desconhecida, que ocupou o sul do vale no início do terceiro milênio antes de Cristo. Eram pacíficos, e desempenharam um relevante papel no desenvolvimento das civilizações mesopotâmicas, possuíam um sistema de escrita chamado "cuneiforme", fundaram em suas cidades bibliotecas e escolas. Os sumérios possuíam três importantes cidades na qual uma delas tem um grande valor para o desenrolar da história bíblica, são elas: Ur, Uruk e Lagash. A mais importante de todas foi Ur, cidade que em sua época era um grande centro mercantil, opulenta e orgulhosa, com seu poderio econômico foi de onde saiu o patriarca dos hebreus Abraão.

O progresso das cidades sumerianas foi interrompido pelas invasões de tribos seminômades, procedentes do deserto da Síria, entre as quais destaca-se a dos acádios. Os acádios eram semitas que estabeleceram-se ao norte da Caldéia, fundaram importantes cidades como: Agadê, Sippar e mais tarde a poderosíssima Babilônia.

Os sumerianos eram politeístas e não acreditavam em recompensas após a morte. Visavam apenas obter, através da religião, dádivas materiais imediatas. Acreditavam em um deus chamado Marduk que, segundo a lenda, depois de lutar contra os deuses invejosos, criou o mundo e o homem do barro com o sangue do dragão. Conheciam um mito sobre o dilúvio, que teria sido mandado pelos deuses para castigar a humanidade. Gilgamesh, orientado por Marduk, salvou-se, recolhendo-se numa arca com a sua família. Criam em gênios, que eram os mensageiros dos deuses e os ajudavam a defenderem-se dos demônios, divindades perversas, contra as enfermidades e a morte, acreditavam ainda em heróis, adivinhações e magia.

Seus deuses eram numerosos com qualidades e defeitos, sentimentos e paixões, imortais, despóticos e sanguinários. Eram eles: Anu, deus do céu; Enlil, deusa do ar; Ea, deusa das águas; Sin, deusa da lua; Shamash, deus do sol e da justiça; Istar, deusa da guerra e do amor. Os sacerdotes se esforçavam para agrupar os deuses em tríades (famílias). Cada divindade era uma força da natureza e dono de uma cidade. Marduk, deus da Babilônia; era considerado o cabeça de todos, tornou-se deus do Império durante o reinado de Hamurabi I (1792 – 1750 a.C.), foi substituído por Assur durante o domínio assírio na Babilônia mas voltou ao seu posto com Nabucodonosor.

O terceiro povo, os hititas, acreditavam que seu deus possuíam dois assistentes, Sukkallu, seu mensageiro e Guzalû, mensageiro que conduzia o seu trono. Sukkallu é mencionado como uma espécie de marechal ou policial em um documento mesopotâmico, e o Guzalû como um oficial da corte em escritos cuneiformes desenterrados em Chagar Bazar.

Gaster, um orientalista especialista em história comparada das religiões, aplica o método de sua especialização para explicar a angelologia bíblica. Segundo ele, a concepção bíblica dos anjos como mensageiros celestes deriva-se das mais antigas religiões pagãs do Oriente. Ele assegura que a maior parte das histórias a respeito de anjos pertence ao repertório folclórico popular. Conforme ele, na Bíblia, no lugar desses seres espirituais como gênios, demônios e fadas etc., são colocados os anjos. Os anjos são, por conseguinte, simples versão hebraica destes heróis mitológicos do folclore universal. Ele faz o seguinte comentário:

O deus hitita Hasmilis com uma nuvem despistou os inimigos, no mar vermelho um anjo interpôs uma nuvem a fim de esconder os hebreus dos egípcios. O deus supremo da Mesopotâmia mandava uma guarda de segurança proteger seus devotos, Jacó possuía um anjo especial que o guardava e o protegia.

2.1.2. ANGELOLOGIA EGÍPCIA

O Egito é uma estreita faixa de terra fértil que se estende ao longo das margens do

Nilo ao nordeste da África, entre o mar Mediterrâneo, o Sudão, o mar Vermelho e o deserto da Líbia. Seu clima é seco. As chuvas são escassas e sua fertilidade deve-se ao Nilo.

Na pré-história, a região do alto Egito ostentava densas florestas, onde abundavam os animais de caça. Os grupos humanos, que aí se estabeleceram, certamente de varias etnias, ainda hoje pouco definidas, dedicavam-se à caça e praticavam o totemismo como sistema de definição dos vários grupos e de promoção dos casamentos exogâmicos.

O povo egípcio pertencia ao ramo Mediterrâneo do grupo caucásico e na sua formação entraram elementos negróides, líbios e semitas. Eram pacíficos, trabalhadores, pacientes, e segundo Herodoto eram: "O povo mais religioso do mundo." Cultuavam um ser supremo, como senhor dos animais e uma multidão de espíritos intermediários. Com o tempo, vindo a rarear a caça e tornando-se imperiosa a vida sedentária, com a domesticação de animais e o cultivo das margens férteis do rio Nilo, o ser supremo foi associado a uma entidade agrícola, como a mãe-terra e os totens, por sua vez, passaram a distinguir, não só os vários grupos humanos mas também as entidades protetores dos territórios em que estavam estabelecidos. Em princípio, estes totens eram colocados acima das estátuas destas entidades protetoras, mas, durante a segunda dinastia, começaram a aparecer as estátuas híbridas, com corpo de homem e cabeça de animal, que caracterizam o politeísmo egípcio.

Tudo para o egípcio era divino, o próprio humano julgava-se possuir algo de divino. O Kha, o que lhe permite a identificação com Osíris e o acesso à felicidade eterna dos deuses. Ele criam que os deuses possuíam, família, servos e grandes mansões.

Os egípcios acreditavam que o ser humano se compunha do corpo e de dois outros elementos: o Ba, representado por um pássaro sem cabeça e o Ka, espécie de gênio protetor que nascia com o homem e acompanhava-o durante toda a sua vida e cuidava dele após a morte.

O Egito era uma terra de muitos deuses. Visto que as divindades locais eram a base da religião, os deuses egípcios tornaram-se extremamente numerosos. Deuses da natureza eram comumente representados por animais e pássaros. Eventualmente, divindades cósmicas personificadas por forças da natureza foram elevadas acima dos deuses locais, passando a ser teoricamente reputadas como divindades nacionais. Estas divindades tornaram-se tão numerosas que chegaram a ser agrupadas em famílias.

Os templos, igualmente, eram numerosos e espalhados por todo Egito. Com a provisão de um lar ou templo para cada deus, surgiu o sacerdócio, as oferendas, as festividades, os ritos e as cerimônias de adoração. Em troca destas acomodações, o povo considerava que seus deuses eram seus benfeitores. A fertilidade do solo e dos animais, a vitória ou a derrota, as inundações do vale do Nilo, enfim, todos os fatos que afetam o bem estar da vida do povo, eram atribuídos a alguma divindade.

A proeminência nacional atribuída a qualquer deus em particular era intimamente relacionada à política. O deus-falcão, Horus, subiu à categoria de deus local para a de deus oficial de império quando o rei Menés estava no poder e uniu o baixo ao alto Egito. No entanto, quando a quinta dinastia subiu ao poder, ele patrocinou o deus-sol de Heliopólis, Ré, como o cabeça do panteão egípcio. A maior aproximação de um deus nacional no Egito foi o reconhecimento dado a Amon, durante os reinos médio e novo. Os magníficos templos de Carnaque, Luxor, nas vizinhanças de Tebas, até hoje dão testemunho do patrocínio real conferido a uma divindade. Muito tempo depois, durante o reinado da décima oitava dinastia, o culto a Amon, com o seu sacerdócio tebano, tornou-se tão forte que o desafio faraônico contra o seu poder foi esmagado com sucesso, quando da morte de Aquenaton. A despeito da proeminência das divindades nacionais, em ocasião alguma elas foram adoradas com exclusividade por toda massa egípcia. Para um aldeão egípcio, a divindade local era a que se revestia de toda a importância, fosse ela em figura humana (antropomorfismo), figura animal (zoomorfismo), corpo humano, ou cabeça de animal (antropozoomorfismo). Os principais deuses eram: Amon-Rá, Osíris, Ísis, Horus, Ptah, Thot e Anúbis.

Os egípcios acreditavam na vida após a morte, para eles, o registro sem mácula neste mundo daria ao indivíduo o direito à imortalidade. Isto justifica os sepultamentos reais, nas pirâmides e túmulos, onde foram encontrados depositadas provisões adequadas para outra existência, como alimentos, bebidas e outros luxos da vida. Nos primeiros tempos, até mesmo os servos eram mortos e postos ao lado do cadáver do seu senhor. À semelhança de Osíris, que era símbolo divino da imortalidade, os mortos egípcios eram julgados perante um tribunal do submundo composto de quarenta e dois deuses e por ele chefiado. A alma, depois de fazer a sua defesa através do "Livro dos Mortos", deveria declarar-se inocente dos quarenta e dois pecados e confirmar as suas virtudes. Depois, seu coração, símbolo da consciência, era pesado numa balança por Anúbis. Se fosse inocente, iria viver eternamente em bosques com pássaros canoros e lagos cheios de lotos e gansos.

É difícil, praticamente impossível apontar denominadores comuns na religião do Egito ao longo de quase três mil anos de desenvolvimento. A religião vai desde o politeísmo grosseiro até um monoteísmo solar. A tolerância extrema que havia na religião egípcia explica a interminável adição e reconhecimento de tão numerosos deuses; nenhum deles foi jamais eliminado. Visto que os estudiosos modernos acham difícil fazer uma análise lógica dos múltiplos elementos desconexos dessa religião, é de duvidar que qualquer egípcio nato pudesse fazê-lo. A confusão é o resultado de toda tentativa em correlacionar o exército de divindades com os seus respectivos cultos e ritos. Também não podem ser relacionados as hostes de mitos e crendices.

Um mito bastante conhecido tinha a ver com o rio que sustentava toda a vida naquele país. O deus Osíris foi assassinado e retalhado por Set, seu irmão, em seguida seu corpo foi espalhado por seus mensageiros em todo o Egito. Ísis sua irmã e esposa, auxiliada por Horus, Thot e Anubis, recolheu os pedaços do corpo do seu marido e os colou. A única parte de Osíris que não conseguiram achar foi seus testículos, pois fora colocado nas profundezas do Nilo por Set. Este mito simboliza a fertilidade, a regressão das águas no outono e a volta com inundações na primavera.

Havia também culto aos animais, que serviam para representar seus deuses, estes animais eram: o gato, o crocodilo, o chacal, o escaravelho e o boi Ápis que vivia em uma capela em Mênfis e era servido por sacerdotes e quando morria era embalsamado.

O fato do sol se esconder todas as tardes e reaparecer no dia seguinte, bem como o Nilo crescer e recolher-se ao leito, levou os egípcios a desenvolver o culto aos mortos.

Em alguns textos fúnebres no Egito fala-se de uma escada entre o céu e a terra. Escadas em miniaturas eram colocadas nos túmulos do Egito a fim de facilitar a ascensão da alma ao céu.

Era conhecido também o correio celeste entre os deuses através de mensageiros mencionado na famosa "Carta Satírica" egípcia de Hare que foi escrita aproximadamente no século 13 a.C. na qual ocorre o termo com uma palavra de origem semítica.

2.1.3. ANGELOLOGIA CANANITA

O nome Canaã se aplica às terras que ficam entre Gaza, no sul e Hemate, no norte, ao longo das costas do Mediterrâneo. Os gregos, em seu intercâmbio com Canaã, durante o primeiro milênio a.C., chamavam seus habitantes de fenícios, nome esse que provavelmente teve origem no termo grego que significa "púrpura", a cor carmesim de um corante de têxteis produzido em Canaã. Desde o século XV a.C., o nome Canaã vinha sendo aplicado, de modo geral, à província egípcia da Síria, ou, pelo menos às costas fenícias, o centro da indústria de púrpura. Consequentemente, as palavras cananeu e fenício têm a mesma origem cultural, geográfica e histórica. Mais tarde, essa área veio a ser conhecida como Síria e Palestina. A designação Palestina teve sua origem no nome Filístia.

Com a migração de Abraão para Canaã, essa terra se tornou o centro das atenções nos desenvolvimentos históricos e geográficos dos tempos bíblicos. Estando estrategicamente localizada entre os dois grandes centros que abrigavam as mais antigas civilizações, Canaã servia de ponte natural que ligava o Egito a Mesopotâmia. Em resultado disso, não é de surpreender que fosse mista a população da região. Cidades de Canaã, como Jericó, Dotã e outras, já vinham sendo ocupadas desde séculos antes dos tempos patriarcais. Devido ao primeiro grande movimento semita dos amorreus para a Mesopotâmia, parece provável que os amorreus lançaram povoados por toda palestina.

Durante o reino médio, os egípcios estenderam seus interesses políticos e comerciais tanto para o norte como para a Síria. Não menos importante entre os invasores era os hititas, que penetraram em Canaã vindos do norte e que figuravam como cidadãos bem estabelecidos quando Abraão adquiriu a caverna de Macpela (Gn. 23). Os refains, um povo até recentemente obscuro, exceto quanto às referências bíblicas, foram a pouco identificados na literatura ugarítica. Pouco se sabe acerca de outros habitantes que figuram na narrativa de Gênesis. A designação cananeu provavelmente abarcava a confusa mescla de povos que ocupavam a região na era dos patriarcas.

A religião de Canaã era politeísta. El era reputado como principal divindade cananeia. Simbolizado como um touro entre um rebanho de vacas, o povo se referia a ele como "pai touro", considerando-o criador. Assira era a esposa de El. Nos dias de Elias, Jezabel patrocinava a quatrocentos profetas de Assira ( 1o Rs 18.19). O rei Manassés erigiu a imagem dela no templo de Jerusalém (2a Rs 21.7). O primeiro dentre os setenta deuses e deusas que eram tidos como proles de El e Assira era Hadade, mais conhecido pelo nome de Baal, que quer dizer senhor. Como monarca reinante dos deuses, ele controlava os céus e a terra. Por ser deus da chuva e da tempestade, ele era o responsável pela vegetação e pela fertilidade. Anate, a deusa amante da guerra era sua irmã e consorte. No século IX a.C. , Astarte, deusa da estrela vespertina, era adorada como sua esposa. Mote, deus da morte, era o principal adversário de Baal. Ion, deus do mar foi derrotado por Baal. Esses e muitos outros deuses são os primeiros a figurar no catálogo do panteão cananeu.

Visto que as divindades cananéias não tinham caráter moral, não é de surpreender que a moralidade daquele povo fosse extremamente baixa. A brutalidade e imoralidade que se destacam nas narrativas sobre estes deuses é algo muito pior que qualquer outra coisa vista no Oriente. E, posto que isso se refletia na sociedade cananéia. Os cananeus, nos dias de Josué, praticavam sacrifícios de crianças, a prostituição sagrada e adoração á serpente como parte de seus ritos e cerimônias religiosas.

Conforme Gaster, as divindades semitas também tinham mensageiros a seu serviço:

A deusa-mãe dos hititas era assessorada por dois grupos de fadas, boas e más. As boas eram enviadas para assistir às famílias benquistas pela deusa, deviam proteger as plantações, cuidar dos vestidos e ornamentos femininos e arranjar-lhes casamentos. As más eram enviadas às famílias malquistas pela deusa, deviam deixar solteiras suas mulheres, excitar contendas e discórdias, "de modo que quebrem a cabeça". No antigo testamento também há anjos que são mandados para o bem e outros que são enviados para castigar e punir. Nos textos ugarísticos de Ras Shamrá, os estafetas celestes eram enviados em pares, pois assim se acontecesse um acidente, um não ficaria sozinho na estrada. Em Gênesis 19.1 os anjos viajam em pares pelas estradas de Sodoma.

2.1.4. ANGELOLOGIA BABILÔNICA

Em 616 a.C. Nabopolassar pôs os assírios em fuga para o norte, ao longo do rio

Eufrates, até Harã, retornando com lucrativos despojos, antes que o exército assírio pudesse desfechar em contra-ataque. Isso levou a Assíria a aliar-se ao Egito, que fora libertado do domínio assírio por Psamético I em 645 a.C.

Após repetidos assaltos contra a Assíria, caiu a cidade de...

Para ver o trabalho na íntegra escolha uma das opções abaixo

Login

Ou faça login



Login

Crie seu cadastro




English Town