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TCC: A Importância da Educação Ambiental para a Formação do Cidadão do Campo: Uma Reflexão sobre a Prática dos Professores

Trabalho enviado por: Reginaldo

Data: 06/05/2010

TCC: A Importância da Educação Ambiental para a Formação do Cidadão do Campo: Uma Reflexão sobre a Prática dos Professores

UNINORT
2009

 

 

 

RESUMO

Na pesquisa, A importância da Educação Ambiental para a formação do cidadão do campo: uma reflexão sobre a prática dos professores, realizada, descreve-se o tratamento dado à temática Educação Ambiental na prática dos professores do terceiro e do quarto ano do Ensino Fundamental em uma escola do Assentamento Panelão, no município do Careiro-Castanho. Para tanto, apresenta a Educação Ambiental na escola do campo, onde trata da Educação do Campo e da formação do cidadão, em seguida são apresentadas as concepções de Educação Ambiental, procura-se identificar a partir da educação escolar, qual das concepções dará maior contribuição à formação dos camponeses e, por fim aborda a Educação Ambiental no currículo, nesse momento, faz-se uma prévia da evolução do conceito de meio ambiente e da proposta da Educação Ambiental, além de tratar do parecer da transversalidade e do tema transversal meio ambiente e sua posição no currículo.

Compreende-se a importância da Educação Ambiental através da realidade de uma escola do campo. Para tanto, descreve-se o contexto da pesquisa através do histórico do Município, do histórico do Assentamento e do diagnóstico da escola, tratando dos aspectos geográficos e sociais peculiares ao ambiente circundante da pesquisa, investiga-se a prática pedagógica dos professores sobre o objeto de estudo, a opinião dos mesmos a respeito da Educação Ambiental e a concepção de meio ambiente dos estudantes. Desse modo, os resultados demonstram a necessidade de trabalhar a temática Educação Ambiental, de modo a considerar a realidade dos estudantes camponeses, uma vez que o tema é relevante para o povo do campo.

Palavras-chave: Educação Ambiental. Educação do Campo. Formação do cidadão.

 

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEPÇÕES, CURRÍCULO E FORMAÇÃO DO CIDADÃO DO CAMPO
1. 1 Educação Ambiental na escola do campo
1. 2 Concepções de Educação Ambiental
1. 2.1 Educação Ambiental Popular ou Comportamental na escola?
1. 2.2 Por uma educação voltada a formação do cidadão
1. 3 Educação Ambiental no currículo
2 TOTALIDADE HISTÓRICA DA PESQUISA E APRECIAÇÃO DOS RESULTADOS
2. 1 O Município do Careiro-Castanho
2. 1. 1 Histórico do Município
2.1.2 Características geográficas do Município
2.1.3 A vida social no Careiro-Castanho
2.2 O Projeto de Assentamento Panelão
2.2.1 Histórico do PA Panelão
2.3 Totalidade singular da pesquisa: Escola Municipal Fred Fernandes da Silva
2.3.1 O meio físico da escola
2.3.2 A comunidade escolar e seu cotidiano
2.3.3 Aspectos econômicos, sociais e culturais
2.3.4 Ambiente de aprendizagem: métodos, técnicas e resultados
2.3.5 Os indicadores da escola
2.4 A Educação Ambiental em uma escola do campo
2.4.1 Caracterização dos sujeitos da pesquisa
2.4.2 Concepções de Educação Ambiental e de meio ambiente dos professores
2.4.3 A prática da Educação Ambiental no terceiro e no quarto ano do Ensino Fundamental
2.4.4 O meio ambiente na visão dos educandos
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS

 

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 – Origem da população do Assentamento Panelão
Gráfico 2 – Situação dos estudantes nos anos de: 2004, 2005, 2006 e 2007

 

LISTA COM ILUSTRAÇÕES

Desenho 1: A – 08 anos, terceiro ano
Desenho 2: R – 14 anos, terceiro ano
Desenho 3: I – 12 anos, quarto ano
Desenho 4: J – 10 anos, terceiro ano
Desenho 5: R – 14 anos, quarto ano
Desenho 6: T – 07 anos, quarto ano

 

LISTA DE SIGLAS

AGROPEC – Feira Agropecuária do Careiro
CEAM – Companhia Energética do Amazonas
DEDIAC – Departamento de água do Careiro
EA – Educação Ambiental
IBGE – Instituto Brasileiro Geográfico Estatístico
INCRA – Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária
PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais
PPP – Projeto Político Pedagócico
PROFORMAR – programa de Formação de professores do Ensino Fundamental
PRONERA – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária
SEDUC – Secretaria de Educação do Estado do Amazonas
UEA – Universidade do Estado do Amazonas

 

INTRODUÇÃO

No decorrer da história da humanidade, a educação escolar tem sido apenas uma educação reprodutora dos fatos sociais, mas a realidade contemporânea permite-nos perceber que a escola como a instituição educacional mais importante da atualidade deveria contribuir na formação humana, porque a educação faz parte da vida e tem um papel importante na construção da cidadania.

Nas últimas décadas tem ocorrido um processo acelerado de mudanças nas esferas socioeconômicas e ambientais, essas mudanças contribuíram para extinção de muitas espécies de seres vivos, o que resultou no desequilíbrio de diversos ecossistemas da Terra. O número de pessoas pobres no mundo aumentou consideravelmente, assim como a exclusão social. O mundo, hoje, vive uma crise ambiental, resultante do processo acelerado de desenvolvimento da sociedade contemporânea, centrada no acúmulo de dinheiro e no consumismo demasiado.

Partindo dessa realidade é que consideramos importante a associação entre Educação Ambiental e educação escolar desde os anos iniciais do Ensino Fundamental, para a melhoria da qualidade do ensino e, conseqüentemente, da qualidade de vida de todos aqueles que participam da escola, isso porque numa concepção de Educação Ambiental Transformadora, a educação escolar é tida como ambiente de mudança social, onde ocorre uma transformação associada aos valores, aos padrões cognitivos, à ação política democrática e às relações econômicas. Essas mudanças fortalecem a identidade das pessoas através do exercício da cidadania, da percepção da totalidade das relações sociais no mundo e da superação das formas de dominação (LEUREIRO, 2004).

Diante desse pressuposto, acreditamos que a Educação Ambiental pode contribuir para a formação emancipatória de todos os cidadãos, principalmente os do campo que se encontram excluídos dos processos de transformação social, submetidos a aceitarem tudo o que é posto pelo sistema político-financeiro que rege nosso país. Entretanto, na escola, a Educação Ambiental só poderá contribuir para a formação emancipatória desses cidadãos, se for desenvolvida como uma prática diária e, por isso, precisa ser iniciada na sala de aula, por professores e estudantes, e aos poucos conquistar outros espaços da escola, pois desta maneira ajudará o educando a ampliar sua visão de mundo, permitindo-lhe fazer leitura crítica e reflexiva de seu ambiente natural e social.

A pesquisa emerge a partir de nossa experiência enquanto professores de uma determinada escola do Projeto de Assentamento Panelão, onde observamos que a maioria dos estudantes não valorizava o ambiente circundante, visto que, embora na escola tivesse um lixeiro em todas as salas de aula e uma lixeira maior fora das salas, percebemos que os arredores da escola estavam repletos de folhas de papel e embalagens de salgadinhos e doces, mas não só o tratamento que davam ao lixo que produziam, mas também, a falta de zelo pela a escola, pois apesar de ser um bem comum a todos, suas paredes e suas mesas estavam riscadas, alguns vidros das janelas haviam sido quebrados e algumas portas e pias já estavam destruídas, apesar da escola ter apenas dois anos de funcionamento na época do diagnóstico. Essa falta de atitudes e procedimentos que pudessem manter o ambiente limpo e saudável, refletia também nas relações interpessoais.

Os educandos pareciam não ter conhecimento que seus atos podiam gerar conseqüência positiva ou negativa no ambiente e, dependendo da conseqüência poderia ser prejudicial não só a sua vida, mas também, das outras pessoas que fazem parte desse contexto. Diante disso, percebemos que os estudantes devem ter acesso a uma educação voltada para o Meio, para que possam se sentir parte tanto do meio natural quanto do meio social, enxergando sua importância e sua dependência na relação natureza/sociedade. Perante a essas observações foi que sentimos a necessidade de investigar se a Educação Ambiental desenvolvida pelos professores do terceiro e do quarto ano do Ensino Fundamental da escola pesquisada, tem contribuído para a formação do cidadão do campo.

Para tanto, foi necessário identificarmos a concepção de meio ambiente e de Educação Ambiental dos professores, verificando como eles desenvolviam os temas relacionados ao meio ambiente, além disso, avaliamos ser importante, conhecer a concepção de meio ambiente dos estudantes.

A investigação teve uma abordagem qualitativa, por concordamos que em educação não devemos unicamente nos ater a dados quantitativos, pois “[...] parte-se do princípio de que no âmbito social existem diferentes problemáticas, questões e restrições que não podem ser explicadas nem compreendidas em toda a sua extensão a partir da abordagem quantitativa” (GONZAGA, 2005, p. 91). Visando identificar as concepções de meio ambiente e de Educação ambiental dos professores e verificar como são desenvolvidos os temas ambientais, utilizamos a entrevista estruturada, o questionário de perguntas abertas e a observação não-participante. Quanto à entrevista, Gonzaga (2005, p. 97) afirma que ela “consiste em uma conversação com o propósito de obter informações para a investigação, envolvendo duas ou mais pessoas. Contudo não é uma simples conversa, mas, sim, uma conversa orientada para um objetivo definido”.

No que se refere ao questionário, Gonzaga (2005, p. 96) comenta que ele

[...] é constituído por uma série de perguntas, elaboradas com o objetivo de se levantar dados para uma pesquisa, cujas respostas são formuladas por escrito pelo informante, sem o auxilio do investigador. Todas as questões são pré-determinadas, e as respostas são dadas por escrito.

E para avaliarmos se as respostas dadas pelos professores durante a entrevista e/ou questionário, coincidem com o que trabalham na sala de aula nos propusemos a observar a prática pedagógica dos mesmos. Conforme Gonzaga (2005, p. 98), a observação

É uma técnica de coleta de dados para obter informações e utiliza os sentidos para captar aspectos da realidade. Não se resume apenas a um ver ou ouvir superficial. Diferente das percepções cotidianas, não intencionais (espontâneas) e passivas, compreende uma busca deliberada, levada a efeito por cautela e predeterminação.

Fechamos a análise com a técnica dos mapas mentais para conhecermos a concepção de meio ambiente dos educandos. Quanto a essa técnica, Dantas (2006, p.169) afirma que ela é “[...] uma estratégia em representação gráfica do espaço, utilizada na observação de como o sujeito interpreta, interage, modifica e se orienta em determinado contexto, partindo da descrição realizada através de desenhos, a partir de suas percepções e experiência no Meio”.

Apresentamos no primeiro capítulo desse estudo, a fundamentação teórica, onde iniciamos através da Educação Ambiental na escola do campo, depois, tratamos das concepções de Educação Ambiental e mencionamos a qual deveria ser trabalhada nas escolas camponesas, tendo em vista, a formação de cidadãos historicamente enraizados nesse ambiente e, findamos com a Educação Ambiental no currículo, em que abordamos a transversalidade, o papel da escola e do professor, conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais.

Quanto ao segundo capítulo, Apresentamos o contexto da pesquisa, nos sentidos amplo, mediano e singular, através do histórico do Município do Careiro Castanho, do histórico do Projeto de Assentamento Panelão e do diagnóstico da escola investigada, o qual traz aspectos físicos, econômicos e sociais, além do ambiente humano e de aprendizagem e os indicadores da escola, tratando dos pontos positivos e dos que precisam ser transformados. Neste capítulo, também, é feito análise dos dados coletados através da entrevista, do questionário, da observação e dos mapas mentais.

Temos certeza que essa pesquisa não solucionará os problemas educacionais nas escolas do campo, mas, esperamos que as informações que constam nessa investigação possam abrir novos caminhos para reflexões sobre a importância da Educação Ambiental nessas escolas para a formação dos cidadãos do campo.

 

1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONCEPÇÕES, CURRÍCULO E FORMAÇÃO DO CIDADÃO DO CAMPO

A Educação Ambiental na escola pretende através dos questionamentos que levanta entre sociedade/natureza, indivíduo/sociedade e objetividade/subjetividade levar o estudante a refletir sobre sua própria realidade e a partir daí construir e reconstruir o conhecimento, desenvolvendo a ética ambiental valorizando as pessoas e o ambiente, isso tudo, para ajudá-lo a conhecer o seu meio e agir sobre ele de maneira consciente, pois passa a reconhecer que é ao mesmo tempo um ser natural e social, na comunidade a qual pertence.

Desse modo, pretendemos discutir a importância da Educação Ambiental na escola do campo, procurando compreender as concepções de Educação de Ambiental, como também, o tratamento dado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais à Educação Ambiental.

 

1. 1 Educação Ambiental na escola do campo

No campo , a escola encontra-se envolvida pelo ambiente natural e por pessoas com necessidades educacionais diferenciadas das pessoas da cidade, pois as pessoas do campo não detêm as mesmas oportunidades de desenvolvimento socioambiental e vêem a escola como uma porta para se ter uma vida mais digna.

A escola como ambiente de aprendizagem, apenas tem preparado os estudantes para o mercado de trabalho e não para terem uma vida de qualidade, pois muitos dos conteúdos trabalhados não estão vinculados à realidade social, natural, política, cultural e econômica, a qual a escola está inserida. Por isso, depois de terem se formado, os estudantes continuam alienados quanto aos interesses da classe dominante, isso se dá pelo fato de não terem sido estimulados a refletir e buscar possíveis soluções para os problemas que ocorrem no ambiente natural e social e que de alguma forma nos atingem, por esse motivo, precisamos estar preparados para enfrentá-los.

Partindo da realidade contemporânea, segundo Jesus et al (2007, p. 45), a escola necessita ter

[...] compromisso com o sistema de valores básicos para a vida e para a convivência. Isto é, a incorporação explícita dos valores éticos que favorecem e tornam possível uma vida mais humana em sociedade: valores capazes de dotar de sentido a existência e o projeto de vida pessoal dos alunos; valores que abram a possibilidade para construir, em seu presente e futuro, uma convivência mais feliz, harmônica e esperançosa.

Neste sentido, a Educação Ambiental na escola contribui para a construção desses valores, uma vez que, procura através de situações-problemas fazer a relação entre os conteúdos trabalhados no âmbito da sala de aula e a realidade do contexto que envolve os estudantes. Estes, por sua vez, constroem sua representação da realidade e passam a agir consciente de seus atos individuais e coletivos no meio em que vivem. Para tanto, é necessário conhecer o ambiente natural e social que envolve a vida dos educandos, procurando desenvolver um trabalho, contextualizando esta realidade, até porque a contextualização é uma ferramenta fundamental nesse processo. Nessa mesma direção, Caldart et al (2005, p. 52-53) nos diz que a escola “precisa desenvolver um projeto educativo contextualizado, que trabalhe a produção do conhecimento a partir de questões relevantes para intervenção social nesta realidade”.

O professor que em sua prática de ensino aproveita o ambiente natural e social do contexto do aluno, valoriza no primeiro momento, o aluno como ser natural, social e histórico, mostrando a ele que todos os aspectos que envolvem sua vida são de fundamental importância para a sua existência e para a vivência dos demais membros da comunidade. Num segundo momento, acaba intencionalmente estimulando o educando a desenvolver ou ampliar sua idéia de vida em sociedade, a entender como ocorrem os processos de mudanças no contexto natural e social da comunidade e posteriormente do mundo, como também, o ajuda valorizar a totalidade de seu contexto, seja o natural e/ou social.

De acordo com Jesus et al (2007, p.48),

A Educação Ambiental é importante na formação do indivíduo porque abre uma perspectiva vital através do manejo das diversas variáveis da dinâmica da vida, além de conseguir colocá-lo como ser natural e, por sua vez, também como um ser social. Essa dupla visão é a que vai permitir ao indivíduo ser consciente de sua realidade e dinamizar o processo de mudança, buscando sempre o equilíbrio do seu entorno (dimensão ambiental).

No momento histórico, o qual, estamos vivendo, entendemos que a educação pensada para e do campo não pode ser entendida como educação rural, pois a educação rural corresponde aos interesse da classe dominante, onde os estudantes não são estimulados a refletir o porquê dos fatos naturais e sociais acontecerem de determinada maneira e não de outra, como também, não são instruídos para buscarem alternativas diante dos problemas que aparecem em nossas vidas (FONSECA E MOURÃO, 2008). As autoridades políticas e a própria escola muitas vezes discriminam os campesinos, enxergando-os como pessoas inferiores e que não necessitam de muito conhecimento para viverem no campo. Essa maneira de olhar as pessoas que habitam o campo tem acelerado o processo de exclusão social e muitos acabam trocando o campo pela cidade, na esperança de uma vida melhor.

Os camponeses têm suas raízes impregnadas ao campo, estas pessoas possuem sentimentos, necessidades, sonhos presentes e futuros que precisam ser percebidos pela a escola que há no campo. A escola, “só olha o aluno e não vê que por trás do aluno há uma criança, um jovem, um adulto, um ser humano” (ARROYO, 2005, p. 74) que sorri, chora, sonha e que deposita na escola sua esperança, com a finalidade de conhecer, por meio dos conhecimentos obtido na escola, alternativas para se ter uma vida mais justa e saudável. Mas, o conhecimento adquirido na escola do campo só será importante se contribuir na formação das pessoas que fazem parte deste contexto, de outro modo ele não terá valor na vida destas pessoas.

O que na verdade nos preocupa é saber que há muitas situações que precisam ser mudadas na escola do campo, desde a postura do gestor e dos professores frente seu papel nesta escola que envolve diversas circunstâncias, tais como, a valorização do educando, o qual carece ser percebido como ser pensante e não como um ser irracional. Arroyo (2005) comenta que não devemos tratar o aluno como número ou como aluno, devemos tratá-los como sujeitos que trazem histórias, que têm diferenças. Como também, é necessário que a escola envolva a realidade do discente, no processo ensino-aprendizagem, abrangendo sua história de vida, cultura, economia, política e outras características peculiares à vida no campo. A participação das autoridades frente à melhoria da qualidade do ensino nestas escolas, é importante, mas a realidade campesina transparece o descaso destas autoridades com a educação do camponês.

Ao se tratar da formação dos discentes, é necessário que a escola perceba que seu papel, no tocante da Educação Ambiental,

[...] não se reduz simplesmente a incentivar a coleta seletiva do lixo, em seu território ou em local público, para que seja reciclado posteriormente. Os valores consumistas da população tornam a sociedade uma produtora cada vez maior de lixo. A necessidade que existe é, na verdade, de mudanças de valores (TRAVASSOS, 2004, p. 18).

Na escola, a Educação Ambiental desenvolvida desde os anos iniciais do Ensino Fundamental ajuda os discentes a serem conscientes, críticos, reflexivos e atuantes na sociedade. Conscientes de sua existência como ser natural e social ao mesmo tempo, capazes de reconhecer que seus atos individuais e coletivos necessitam ser analisados e muitas vezes ser mudados para a convivência na sociedade, capazes de entender o porquê dos fatos sociais acontecerem de determinada maneira e não de outra e, assim se necessário capazes de buscar soluções para os obstáculos que diariamente aparecem em nossa vida. Mesmo porque, numa perspectiva popular, a Educação Ambiental além de questionar a qualidade de vida envolvendo aspectos da vida cotidiana, explicita as interdependências entre ambiente e sociedade. Deste modo, a Educação Ambiental corresponde ao ideário da Educação do Campo, para qual o papel da escola é:

[...] ajudar a construir um ideário que orienta a vida das pessoas e inclui também as ferramentas fundamentais de uma leitura mais precisa da realidade em que vivem. [...] E isso tudo para tornar consciente, explicitar, interpretar, questionar, organizar, firmar ou revisar idéias e convicções mais próximas, sobre si mesmo (CALDART, 2004, p. 41).

Embora tenhamos mencionado que a escola precisa contribuir na formação humana, não podemos esquecer que os discentes que vivem na área de reforma agrária, são pessoas que na sua maioria não dispõe de condições socioeconômicas estáveis, fato que dificulta, mas não impossibilita a superação dos obstáculos que surgem em seu contexto, logo, carecemos ter cuidado ao trabalhar essa formação para não tornar os discentes vítimas da violência simbólica do Estado, da mídia ou da política local, sendo necessário fazer com que percebam que o campo faz parte de sua vida, portanto, a qualidade socioambiental deste lugar é de responsabilidade de todos, individual e coletivamente.

As dificuldades que afetam a vida dos educandos do campo, não podem ser ignoradas no ambiente escolar, uma vez que afetam o emocional dos mesmos deixando-os desanimados e por conta disso, deixam de acreditar que o conhecimento adquirido na escola irá ajudá-los a ultrapassar as barreiras que os impendem de crescer. Até porque, como já dissemos anteriormente, esse conhecimento não está vinculado à vida dos discentes. Portanto, citamos que a escola precisa ver o discente não como cliente, para o qual se vende uma mercadoria que o agrada, independente se é de boa qualidade ou não, ou seja, o importante é vender, mas necessita vê-los como pessoas culturalmente enraizadas no contexto do campo.

Caldart (2004, p. 39), diz que:

A escola costuma ser um dos primeiros lugares em que a criança experimenta, de modo sistemático, relações sociais mais ampla das que vive em família, e de uma intencionalidade política e pedagógica nessa dimensão pode depender muitos dos traços de seu caráter, muitos dos valores que assuma em sua vida. Mesmo as crianças que têm cedo uma experiência social muito densa, que é de participar com suas famílias de movimentos sociais, como é o caso das crianças sem-terra, por exemplo, é na escola que costumam encontrar o espaço para trabalhar reflexiva e economicamente as relações sociais vividas na luta pela terra, e então incorporá-las como traços culturais em sua vida infantil, e talvez também depois.

De acordo com a autora, a escola tem uma função muito importante na vida dos camponeses, principalmente, na vida das crianças, pois a educação escolar pode contribuir de maneira positiva ou negativa na formação dos educandos. Deste modo, como professores do campo, devemos inserir no processo ensino-aprendizagem aspectos que fazem parte da vida dos educandos, ou seja, da comunidade local, pois os discentes da escola são filhos de assentados. Embora, as relações interpessoais entre docente e discentes sejam inseparáveis dos atos educativos carecemos “pensá-las não como relação indivíduo-indivíduo para formar indivíduos, mas sim como relações entre pessoas culturalmente enraizadas, para formar pessoas que se constituem como sujeitos humanos e sociais” (CALDART, 2004, p. 34).

O professor necessita ser na escola um educador “cujo papel principal é o de fazer e pensar a formação humana, [...] seja educando as crianças, os jovens, os adultos ou idosos” (CARDART, 2004, p. 35). A escola precisa enxergar as crianças como sujeitos sociais e por esse motivo precisam de conhecimentos relacionados à sua realidade, sobretudo, esses conhecimentos não podem apenas ser reproduzidos, eles precisam ser indagados pelos estudantes para que possam conhecer melhor o seu ambiente. Entretanto, para que isso aconteça, o professor tem que criar momentos em que leve a criança a investigar os fatos sociais de sua realidade e posteriormente de seu país e do mundo.

Um aspecto muito importante na vida do camponês e que necessita ser inserido na escola, especificamente, no trabalho do professor é a identidade cultural dos grupos sociais que habitam o campo. Quando a escola resgata a cultura produzida através das relações sociais mediadas pelo trabalho na terra, ajuda “[...] a construir as referências culturais e políticas para o discernimento dos estudantes em relação às suas opções. É a isto que se pode chamar de educação para a autonomia” (CALDART et al, 2005, p. 60). A identidade do povo do campo está presente em seu modo de vida, em seus valores, em seus costumes, em suas crendices, enfim, na sua cultura, sendo significativa para uma educação que deseja contribuir na formação do cidadão do campo.

No ambiente escolar é essencial que o conhecimento esteja voltado para a formação das pessoas e isso deve ser trabalhado desde os anos iniciais do Ensino fundamental. Caldart (2005, p. 121) ressaltar que “se a escola é lugar de formação humana, significa que ela não é apenas lugar de conhecimentos formais e de natureza intelectual. A escola é lugar de tratar das diversas dimensões do ser humano de modo processual e combinado”. Sendo assim, o nosso papel de professor do campo é pensar como podemos contribuir na formação dos cidadãos do campo e procurar desenvolver um trabalho que tenha esta formação como meta principal.

Segundo Caldart (2004, p.35), “construir a Educação do Campo significa formar educadores e educadoras do campo para a atuação em diferentes espaços educativos”, assim sendo, vemos que a Educação Ambiental pode contribuir com os ideais da Educação do Campo, uma vez que procura através do espaço educativo da escola, problematizar os aspectos naturais e sociais que perpetuam a vida dos educandos, possibilitando-lhes o desenvolvimento da leitura crítica de sua realidade. Desta maneira, dá a sua contribuição à formação dos educandos excitando-os a perceberem as relações socioambientais que fazem parte de suas vidas, bem como, auxilia no desenvolvimento de valores de igualdade e de respeito à diversidade, individuais e coletivos, valores de emancipação.

Embora saibamos a sua importância na escola para o desenvolvimento de diversas habilidades necessárias para se viver em sociedade, é necessário conhecer qual Educação Ambiental contribui significativamente à formação do cidadão do campo.

 

1. 2 Concepções de Educação Ambiental

Visando um aprofundamento sobre a importância da Educação Ambiental na escola do campo, percebemos enquanto consultávamos as literaturas fundamentais a nossa pesquisa, que não havia uma única concepção de Educação Ambiental, por essa razão não queremos fazer um reducionismo dessas concepções, mas não podemos esquecer que o eixo da nossa pesquisa é a formação do cidadão do campo, desse modo, nos perguntamos: qual Educação Ambiental contribui significativamente na formação do cidadão do campo? Por quê? Por isso, procuramos compreender essas concepções e verificarmos a sua importância na escola do campo, especificamente, na formação do educando deste contexto.

A prática de Educação Ambiental na escola expressa pela valorização da natureza ou quando trata as relações sociais com mais freqüência nos projetos, nas metodologias, no entendimento sobre meio ambiente e/ou como este é trabalhado pelos professores dessa escola, nos revela que tipo de Educação Ambiental está sendo desenvolvida. Quanto à origem dessas práticas, Carvalho (2001, p. 45) faz a seguinte observação:

As práticas de EA, na medida em que nascem da expansão do debate ambiental na sociedade e de sua incorporação pelo campo educativo, estão atravessadas pelas vicissitudes que afetam cada um destes campos. Disto resultam pelo menos dois vetores de tensão que vão incidir sobre a EA: I) a complexidade e as disputas do campo ambiental, com seus múltiplos atores, interesses e...

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