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Orientação Alopsíquica e Autopsíquica

Trabalho enviado por: Daniela Barros

Data: 06/05/2010

Orientação Alopsíquica e Autopsíquica

Universidade Autónoma de Lisboa
2009

 

 

 

Resumo

Este artigo aborda a orientação temporal e espacial e suas alterações. Um indivíduo para estar orientado tem de estar com suas funções psíquicas em perfeito estado de funcionamento; qualquer perturbação numa das suas funções primárias pode levar a um quadro confusional ou desorientação. As desordens dos estados de orientação são chamadas de desorientação autopsíquica e alopsíquica, respectivamente. Essas alterações dependem estritamente do tipo de perturbações das funções psíquicas a que se acham subordinadas a orientação no tempo, no espaço e sobre si próprio. Por fim, faremos uma breve descrição da desorientação em algumas patologias.

Palavras-chave: Orientação, alopsíquica, autopsíquica, desorientação, tempo e espaço.

 

Introdução

O presente trabalho tem como objetivo abordar as funções psíquicas, especialmente a orientação espacial e temporal.

Observar se um doente está ou não orientado pode parecer uma tarefa simples, porém requer certos cuidados e uma especial atenção por parte do psicólogo. O doente pode parecer orientado num primeiro momento, mas um diagnóstico preciso engloba a exploração de muitos aspectos que ao parecer irrelevantes podem deixar escapar pistas fundamentais na recolha de dados.

Um dos instrumentos usados para testar, entre outras coisas, a orientação do paciente é a Mini Mental State Examination (Anexo I). O profissional de psicologia deve fazer deste, e de outros recursos, para tentar comprovar se o paciente está, ou não, orientado.

O objectivo deste artigo é fazer uma breve revisão bibliográfica a respeito da orientação no tempo e no espaço e de que forma a falta dela pode estar apresentada em algumas patologias.

 

Enquadramento Teórico

Para entender o que é a orientação espacial e temporal temos primeiro que falar da ciência que a estuda. A psicopatologia é a ciência que estuda as anormalidades psíquicas do ser humano, de acordo com Karl Jaspers (2006). O objectivo da psicopatologia é o fenómeno psíquico, neste caso, somente os fenómenos patológicos (Cheniaux, 2008).

O termo psicopatologia foi criado por Jeremy Benthan onde psyché significa alma; páthos, doença e lógos corresponde a ciência. Contudo, os trabalhos relacionados a Esquirol na França e de Griesinger na Alemanha, contribuíram para que a Psicopatologia ganhasse o estatuto e a importância que hoje goza esta ciência no meio académico e científico. Más, foi somente a partir de trabalhos de Karl Jaspers, publicados em 1913, que adquiriu o seu actual significado; Jaspers tentou construir uma teoria geral das questões relativas a enfermidade psíquica (Paim, 1993).

Para Jaspers, a Psicopatologia seria responsável pelo estudo das manifestações da consciência, sejam estas manifestações consideradas normais ou anormais (Jaspers, 2006).

Já outro autor têm uma descrição mais detalhada; a psicopatologia poderia ser definida como estudo descritivo dos fenómenos psíquicos de cunho anormal exactamente como se apresentam à experiência imediata, de forma independente dos problemas clínicos. Estudam-se, então, os gestos, o comportamento e as expressões dos enfermos, para além de relatos e autodescrições feitas pelos mesmos e seus familiares (Paim, 1993). A Psicopatologia estuda as anormalidades psíquicas do ser humano e, para este fim, utilizam-se diferentes meios para diagnosticar uma patologia num indivíduo. Entre estes meios de diagnóstico está a fenomenologia, para diagnóstico sindrómico e nosológico onde, através da entrevista psiquiátrica, o paciente relata tudo o que sente; o profissional pode assim determinar, entre outras coisas, o nível de orientação do sujeito (Cheniaux, 2008).

A entrevista psiquiátrica é uma avaliação médica que visa o estabelecimento de um diagnóstico psiquiátrico com o maior nível de fiabilidade possível. De acordo com Paim (1992), a entrevista psiquiátrica deve fazer um corte longitudinal da vida do paciente, obtendo-se nele dados referentes à sua bibliografia e à história de sua doença actual. Em seguida, obtêm-se os dados de um corte transversal, referentes ao estado do paciente no momento do exame. O exame psicopatológico, correspondente a um corte transversal na vida do paciente, engloba as funções psíquicas que devem ser observadas ou deduzidas para a realização de um diagnóstico. Normalmente, examina-se de forma isolada cada...

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