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Título: Tubos e conexões

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Organizar e Dirigir Situações de Aprendizagem

Trabalho enviado por: Eliane Doege Finardi

Data: 29/06/2005

Organizar e Dirigir Situações de Aprendizagem


Por que apresentar como uma nova competência à capacidade de organizar e de dirigir situações de aprendizagem? Ela não estaria no próprio cerne do professor? Na visão clássica do professor, todas as situações vividas na escola são consideradas situações de aprendizagem. No ensino tradicional, como na universidade, o mestre se vê diante de centenas de rostos anônimos e adota, na maioria dos casos, uma pedagogia do compreenda e aprenda quem puder. Em sua visão, poderia estar criando diferentes situações de aprendizagem, já que cada aluno é diferente do outro e cada um vivencia a aula em função do seu humor e de sua disponibilidade, do que houve e compreende, conforme seus recursos intelectuais, sua capacidade de concentração, o que interessa, faz sentido para ele, relaciona-se com outros saberes ou com realidades que lhe são familiares ou que consegue imaginar. Nesse estágio de reflexão, o professor terá a sabedoria de suspendê-la, sob pena de avaliar que, na verdade, não sabe grande coisa a respeito das situações de aprendizagem que cria... Ver-se como conceptor e dirigente de situações de aprendizagem não deixa de ter riscos; pode levar ao questionamento de sua pertinência e eficácia.

Na perspectiva de uma escola mais eficaz para todos, organizar e dirigir situações de aprendizagem deixou de ser uma maneira ao mesmo tempo banal e complicada de designar o que fazem espontaneamente todos os professores.Essa linguagem acentua a vontade de conceber situações didáticas ótimas inclusive, e principalmente, para os alunos que não aprendem ouvindo lições. As situações assim concebidas distanciam-se dos exercícios clássicos, que apenas exigem a operacionalização de um procedimento conhecido.

Permanecem úteis, mas não são mais o início e o fim do trabalho em aula, como tampouco a aula magistral, limitada a funções precisas. Organizar e dirigir situações de aprendizagem é manter um espaço justo para tais procedimentos. É, sobretudo, despender energia e tempo e dispor das competências profissionais necessárias para imaginar e criar outros tipos de situações amplas, abertas, carregadas de sentido e de regulação, as quais requerem um método de pesquisa, de identificação e de resolução de problemas.

Essa competência global propõe competências mais específicas, como conhecer, para determinada disciplina, os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de aprendizagem. "A competência requerida hoje em dia é o domínio dos conteúdos com suficiente fluência e distância para construí-los em situações abertas e tarefas complexas, aproveitando ocasiões, partindo dos interesses dos alunos, explorando os acontecimentos, em suma, favorecendo a apropriação ativa e a transferência dos saberes, sem passar necessariamente por sua exposição metódica, na ordem prescrita por um sumário", argumenta Perrenoud.

A competência "organizar e dirigir situações de aprendizagem" exige ainda trabalhar a partir das representações dos alunos, pois isso pode ajudá-los na aproximação do conhecimento científico a ser ensinado. Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à aprendizagem seria outra competência mais específica, já que considera o erro uma ferramenta para ensinar, "um revelador dos mecanismos de pensamento do aprendiz". O professor também deve saber construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas, além de envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento.


Administrar a progressão das aprendizagens

A escola é inteiramente organizada para favorecer a progressão das aprendizagens dos alunos e não se podem programar as aprendizagens humanas como a produção industrial de objetos, ou seja, é preciso, às vezes, tomar decisões estratégicas.

Existe um movimento rumo a individualização dos recursos de formação e à pedagogia diferenciada, tendo em vista a progressão de cada aluno. Os ciclos de aprendizagem plurianuais estão inseridos nesse contexto, com objetivo de proporcionarem uma melhor progressão de aprendizagem.

Esta competência, "administrar a progressão das aprendizagens", compreende cinco outras capacidades. A primeira diz que o professor deve conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e às possibilidades dos alunos. A outra capacidade diz que o docente deve adquirir uma visão longitudinal dos objetivos de ensino, além de estabelecer laços com as teorias subjacentes às atividades de aprendizagem. O professor também deve saber observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagens, de acordo com uma abordagem formativa, e fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.

Os educadores precisam aprender a administrar situações-problema ajustada ao nível e às possibilidades dos alunos. Estes não devem abordar as situações com os mesmos recursos, pois não encontrarão os mesmos obstáculos. O problema desloca-se e a mesma tarefa não representa igual desafio para todos.

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