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A Trajetória de Machado de Assis

Trabalho enviado por: Christiane Barbosa Xavier

Data: 29/07/2003

A Trajetória de Machado de Assis: do menino pobre e mulato do morro do Livramento, a um dos fundadores e presidente perpétuo da Academia Brasileira de Letras.


Vida:

Machado de Assis, um dos mais respeitados intelectuais da corte, e hoje um dos mais famosos romancistas brasileiros, não nasceu nem famoso e nem romancista. Nasceu um simples Joaquim Maria, na Rua Nova Livramento, Rio de Janeiro. Foi moleque de morro, magro, franzino e mulato. Filho de Francisco José de Assis, "mulato pintor", e de Maria Leopoldina, "portuguesa ilhoa e, segundo a tradição, lavadeira, nasceu em 21 de julho de 1839. Os pais eram pobres, mas dados a relações com gente da sociedade. Por isso, Machado teve padrinhos importantes – Maria José de Mendonça Barroso, viúva do general Bento Pereira Barroso, que fora ministro no primeiro reinado e na regência, e senador do império; e Joaquim Alberto de Souza Silveira, dignitário do Paço, comendador da Ordem de Cristo e oficial da ordem Imperial do Cruzeiro – Dos nomes dos padrinhos formou-se o Joaquim Maria.

Foi garoto alegre e travesso, teve mãe e irmã pequena, ambas deixando a vida e Joaquim Maria muito cedo. O pai casou-se com Maria Inês, mulata que não teve filhos e se afeiçoou maternalmente ao enteado. Foi ela quem lhe ensinou a ler, sem poder adivinhar o que viria a fazer o menino com as letras que aprendia a juntar. Pelo que constam os registros aprendeu a ler com dez anos de idade. Continuou os estudos na escola pública, com disciplina reforçada pela palmatória. Depois, morto o pai, lá se foi com a madrasta, para um colégio dirigido por senhoras não muito prósperas; tanto que, para reforço do orçamento vendia balas e doces que Maria Inês preparava.

Nessa época nada prenunciava o futuro glorioso. Não se imaginava que o pequeno que vendia doces se tornaria o fundador e presidente perpétuo da Academia Brasileira de Letras. Vivia apenas as dificuldades normais de um menino pobre do Rio de Janeiro, na década de 40. Moravam em São Cristóvão, para onde haviam se mudado ainda em vida do pai, que era amigo do vigário do bairro. E Joaquim Maria já revelava pendores intelectuais, não perdendo ocasiões de ler e aprender: a padaria do bairro era de uma francesa, e francês o forneiro, lá ia o menino tomar lição da língua então indispensável para dar luxo às pessoas. Já rapazinho, se aproximou de Paula Brito, proprietário do periódico Marmota Fluminense, e que tinha uma tipografia e loja de artigos diversos, onde se reuniam os intelectuais.

Aos dezesseis anos, em 21 de janeiro1855, conseguiu publicar seu primeiro trabalho – O poema ELA – na edição de número 539 do "jornal de modas e variedades", como era conhecido o Marmota. Foi sua estréia, o nome em letra de forma, o marco inicial de uma carreira que, até 1908, se estenderia por mais meio século de trabalho paciente, ascendendo, sem paradas e sem retornos, rumo a perfeição.

Nesse tempo, diariamente, toma a barca na Praia Formosa, desce no Cais dos Franceses, atual Praça Quinze, e vai, a pé, até a Imprensa Nacional, que ficava na Rua da

Guarda Velha (atual Treze de Maio), onde, em 1856, era aprendiz de tipógrafo. Aprendiz não dos melhores, no conceito dos chefes das oficinas, implicando com o seu jeito de mergulhar na leitura sempre que lhe dava uma folga, e até fora dela. Mas o diretor deseja conhecê-lo, talvez mesmo em conseqüência do motivo das queixas. Conhece-o, e logo se tornam amigos; coisa muito natural, porque esse diretor se chamava Manuel Antônio de Almeida, o romancista de Memórias de um Sargento de Milícias.

Em 1858, Machado de Assis é revisor e caixeiro na tipografia de Paula Brito; nessa época se vão ampliando as suas colaborações em vários jornais, até que, a convite de Quintino Bocaiúva, começa a escrever no Diário do Rio de Janeiro e na Semana Ilustrada.O primeiro volume publicado é de versos e ganha, como era costume na época, título meio simbólico para quem sonhava com a glória – Crisálidas.

Machado aumenta o número de amigos e camaradas de rodas intelectuais, tendo nessa época o grupo da Marmota, da Sociedade Petalógica (Peta – mentira; lógica – estudo), e o grupo, em que ele se integra, dos que freqüentam o consultório do médico Dr. Andrade Filgueiras. Neste grupo, conhecem Ramos da Paz, Macejo, José de Alencar, Francisco Otaviano,e o escritor francês Charles Ribeyrolles. O filho herdava a tendência paterna de relacionar-se com gente de nível social mais elevado que o seu.

Na Imprensa Nacional, torna-se auxiliar do Diretor do Diário Oficial. Em 1873 foi nomeado primeiro-oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas; em 1881, Oficial-de-Gabinete do ministro que é Pedro Luís, autor de um poema célebre "Terriblilis Dea", em que se inspiraria Castro Alves para escrever o seu poema "Deusa Incruenta".

Em 1888 recebe a comenda da Ordem da Rosa, no grau de oficial; no ano seguinte, é nomeado diretor da Diretoria de Comércio; em 1892, já na República, Diretor-Geral de Viação; posto em disponibilidade em 1898, logo depois reverte à atividade, como diretor da Secretaria da Indústria do Ministério da Viação, e, mais tarde, Diretor-Geral de Contabilidade.

Nessa altura da vida, podia olhar para trás e rever-se no menino que brincava descalço no morro do Livramento. Recebera títulos e honrarias, era, desde 1897, presidente da Academia Brasileira de Letras; recebera em sessão solene., dessa mesma Academia, um ramo de carvalho de Tasso, enviado da Itália por Joaquim Nabuco.

Sua estabilidade econômica, porém, não veio de seus textos, e sim de seus proventos como funcionário público, função exercida por boa parte da intelectualidade brasileira da época. Num país em que a profissão de escritor ainda hoje é precária, a carreira burocrática lhe deu tranqüilidade econômica para escrever e aperfeiçoar-se, ficando o serviço público, neste, como em outros casos, credor de nossa literatura.

Também na imprensa Machado fez de tudo: de crítico de peças de teatro e romances alheios, a redator de comentários políticos. Escreveu anúncios e publicou folhetins. Fora isso, fez o que de melhor a Literatura pode produzir no século XIX. Como crítico escreveu alguns trabalhos, além de numerosos prefácios e ensaios, destacando-se, de sua produção crítica, três estudos: Instinto de nacionalidade, A nova geração e O primo Basílo (este último respeito do famoso romance de Eça de Queirós.

A vida de Machado de Assis foi sóbria e rígida, como suas raras fotografias. Nelas sempre aparecem a figura do homem composto e impecável. Conhecido pelos amigos íntimos como "Machadinho", não deixou em sua biografia grandes aventuras, nem mesmo travessuras da infância ou amores da juventude. Seu único grande amor foi sua esposa D. Carolina...

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