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Título: Teorias de Taylor, Ford, Fayol e Weber

Teorias de Taylor, Ford, Fayol e Weber, aplicadas na Empresa Bradesco S/A. São Paulo 2009 Sumário 1Introdução 2Frederick Winslow Taylor4 2.1Princípios de Taylor 3Henry Ford 4Jules Henri Fayol 4.1Princípios Básicos 4.2Funções Administrativas 5Maximillian Carl Emil Weber 5.1Analise da Obra 5.2Princípios…


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A Influência dos Estados Unidos no Brasil

Trabalho enviado por: Paulo Henrique Nonaka

Data: 22/04/2003

Influência dos Estados Unidos no Brasil


INTRODUÇÃO

Com certeza você já deve ter tido em suas mãos um manual de instruções em inglês, manual este que para grande maioria dos brasileiros pouco lhes instruirão, visto que essa pessoas não conhecem, conhecem pouco, ou não conhecem o bastante para poderem usufruir plenamente manual.

Não só numa situação como a que citamos acima, mas também em nosso cotidiano nos deparamos com uma infinidade de termos ingleses os quais em muitos casos nem sabemos, ao certo, seus verdadeiros significados, porém são repetidos inúmeras vezes mais por imitação do que por necessidade de utilizarmos o temo da língua britânica.

A pesquisa que realizamos disserta sobre esta questão, ou seja, a influência da língua inglesa em nosso país. Como não podemos tratar um idioma como um caso isolado- uma vez que é produto de um conjunto fatores sociais, políticos, econômicos e culturais interagindo entre si- então precisaremos discorrer também sobre a constante presença norte-americana entre nós como a maior disseminadora da língua e cultura inglesa.

Os norte-americanos passaram a exercer forte influência aqui no Brasil, principalmente após a Primeira Guerra Mundial, quando passaram da posição de um dos maiores devedores do mundo para a de grande potência. A partir desse momento eles assumiram a tutela dos países da América Latina recém independentes de suas metrópoles européias.

Hoje nós comemos lanches do MacDonald’s, bebemos Coca-cola, vestimos Nike, assistimos aos desenhos da Disney, e muito mais.

O nosso trabalho objetiva, fazer com que passemos a refletir sobre as causas e efeitos do idioma inglês, e do mundo visto através de ótica norte-americana, pela qual desde muito pequenos aprendemos a enxergar, por influência da TV, das músicas, do cinema, e de todo um mercado dominado pelos ianques.  


CONTEXTO HISTÓRICO

TUDO COMEÇOU…

Era uma vez um índio, um negro e um português . . .

Influências culturais todos os povos recebem e exercem, no decorrer da sua história, conforme o nível e a natureza de suas relações.

No caso do Brasil, desde o início da sua história isso se verifica com a convivência e consequentemente a troca de elementos culturais do branco europeu, invasor e colonizador, com o índio, habitante original desta terra, e depois com o negro, trazido da África como escravo.

A cultura dita brasileira se moldou portanto a partir do intercâmbio de três elementos de raças, continentes e habitats distintos e portadores de técnicas, crenças e formas de expressão diversas.

No entanto, a história de nosso país foi sempre analisada apenas sob o ponto de vista da dominador. Por isso encaramos a chegada, conquista e dominação européia na América como mais uma etapa gloriosa de uma civilização "superior", cumprindo seu destino inexorável de espalhar pelo mundo as verdades engendradas durante o seu específico e particular processo de desenvolvimento histórico.

Usamos expressões como "descobrimento", "europeização do mundo", "transplantação de cultura" etc., que mal disfarçam a supervalorização do modo de ser e estar no mundo do europeu em detrimento da cultura daqueles povos que, em nossa História Oficial, acabaram relegados a papéis secundários, embora nos tivessem legado também maneiras de falar, fazer, se expressar e tantos outros elementos culturais.

Segundo essa concepção europocêntrica, tudo se passaria como se a dominação do branco fosse essencialmente natural e todo o legado indígena ou africano tivesse permanecido entre nós devido a algum processo de "descuido" da história ou algo como um "vazamento cultural acidental". Por isso mesmo, esses legados têm sido encarados como remanescentes do "exótico" e classificados como folclóricos durante o processo de "embranquecimento" pelo qual passou o nosso continente.

Formando nossa identidade nacional

Consolidado o domínio de Portugal sobre o Brasil, consolidou-se, consequentemente, o domínio de sua cultura sobre a indígena e a africana. Contudo, no transcorrer do tempo outras influências culturais, européias também, aqui se exerceram: a holandesa, no século XVII, a francesa, iniciada sobretudo durante o século XVIII, e a inglesa, no século seguinte.

O domínio holandês no nordeste açucareiro (1630-1654) deixou algumas influências que não chegaram contudo a abalar os alicerces portugueses da cultura local, atuando mais nos poucos centros urbanos existentes, sobretudo em Recife. Como marcas de sua passagem os holandeses deixaram alguns prédios, pontes e, conforme cita Joel Rufino dos Santos em sua História do Brasil (Marco Editorial, 1979), "alguns meninos de cabelos ruivos e o sobrenome Wanderley".

A presença francesa, que se prolongou pelo século X I X até os primeiros anos do atual, agiu, porém, sobre uma pequena parcela da também quantitativamente minúscula (mas poderosa) classe dominante, que enviava seus filhos para estudar na Europa, onde tomavam contato com a cultura francesa, que, na época, gozava de grande prestígio.

Num país onde a posse de terras e escravos definia o nível de poder, a educação escolar, as letras e as artes eram consideradas bens de consumo supérfluo e usadas como objetos de ostentação para obtenção de sucesso nas rodas sociais, conferindo status e garantindo, além disso, poderes suplementares. Nessas terras onde as mais poderosos eram analfabetos ou semi-alfabetizados, aqueles que falavam, liam e moldavam suas maneiras tendo como protótipo a cultura francesa eram tão poucos que não podemos falar em invasão mas apenas em influência cultural francesa.

A influência inglesa, por outro lado, exerceu-se muito mais do ponto de vista político e econômico do que propriamente intelectual. Embora bens de consumo britânicos fossem adquiridos pelo comércio direto ou usufruídos graças aos investimentos ingleses no Brasil, a intelectualidade, numericamente bastante insignificante naquela época, continuaria ainda a seguir, por mais algum tempo, principalmente o modelo francês.

Muitas palavras até hoje empregadas por nós atestam essas duas influências: abat-jour, peignoir, baton, rouge, Iingerie e outros "francesismos" e as ligadas ao foot-ball (esporte, aliás, introduzido no Brasil pelos ingleses) como team, score, goal, back, etc.

No final do século XIX e início do XX entrariam várias levas de imigrantes em nosso país: italianos, espanhóis, alemães, árabes, eslavos e japoneses. Evidentemente da convivência com eles alguns elementos novos passaram a ser incorporados à nossa cultura. Mas foram relativamente poucos e facilmente identificáveis, sentidos e reconhecidos como estrangeiros. Além disso são encontrados sobretudo nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, mais em algumas cidades ou bairros do que em outros, e não em todo o país.

Esses elementos culturais estrangeiros não foram, contudo, propositadamente divulgados entre nós com finalidades políticas ou interesses econômicos por parle das nações de onde vinham os imigrantes. Sua difusão se deu devido ao contato direto e espontâneo com eles e à observação pessoal de seus costumes, quer pela vizinhança, casamento ou aproximação em ambientes de trabalho.

Tendo sido absorvidos por nós, eles não assumiram, no entanto, qualquer caráter de dominação. Não se tornaram exclusivistas, substituindo ou eliminando algumas de nossas antigas práticas culturais, não foram vistos como superiores aos nossos e não veicularam camufladamente nenhum sistema de valores que pudesse interferir em nossa prática política e social. Devemos ressaltar contudo que foi com os imigrantes italianos e espanhóis que conhecermos a teoria c a prática anarquistas. Como elas eram condenadas pelos governos de seus países de origem, não estavam portanto a seu serviço.

Podemos ter algumas palavras oriundas dos idiomas dos imigrantes, bem como alguns de seus pratos compondo nossos cardápios, ou algum modo particular de falar, gesticular, e até algumas crenças. No entanto, enquanto povo, de norte a sul do país, nós, brasileiros, nos distinguimos acentuadamente deles.

Por tudo isso não consideramos os imigrantes como nossos invasores culturais, embora italianos, alemães, japoneses etc. tenham representado esse papel em nações africanas e asiáticas, sobre as quais seus países exerciam algum tipo de dominação.

A segunda onda de invasores culturais - a primeira foi representada pela colonização portuguesa - estaria ainda para acontecer.

Para não nos prolongarmos muito, começaremos a discutir sobre as influências do inglês a partir do século XIX (1801-1900), quando se intensificaram, mais diretamente, as influências dos países de língua inglesa, Inglaterra- que já nos manipulava através de suas relações com Portugal- e os Estados Unidos da América.

Primeiro, a Inglaterra

Podemos notar a presença do idioma bretão através dos almanaques e dos registros comerciais do Rio de Janeiro, da Bahia e do Recife da primeira metade do século XIX que estão cheios de nomes ingleses. Gente estabelecida nas cidades mais importantes do litoral brasileiro com armazéns de fazendas, fundições, oficinas, casas de leiloeiro, escritórios comerciais, shipchandlers. Também alguns médicos e professores da língua inglesa.

Os anúncios de jornais brasileiros da primeira metade do século XIX também deixam claro - no que são confirmados por outros documentos - que os negociantes ingleses eram então os donos dos melhores armazéns de fazendas nas principais cidades da colônia e depois do império. Os grandes importadores de panos para as roupas dos senhores finos e nem sempre escrupulosos no pagamento de suas contas.

Nessa época, não raro encontrar nos jornais brasileiros anúncios escritos em inglês, como o que abaixo demonstramos:

"for account of the British Government: Sale of 380 casks or thereabouts of English Bread; on Thursday next the 29 Inst will be sold by public Auction for account of the British Government at n. 187 rua Direita at 11 o'clock in the forenoon a quantity of English Biscuit of good quality as well as 160 bags of inferior quality. -The Bread in Casks is well worth the attention of ship chandlers & c. It will be put in lots each not less than 20 casks as will suit the purchaser. Samples may be had on application at the Store n. 187 rua Direita".

Certas ruas do Rio de Janeiro, como a rua Direita citada no anúncio acima, ofereciam aos olhos dos compradores uma abundância de artigos ingleses, inclusive produtos de Manchester. Um negociante do Rio de Janeiro daquela época chegou a dizer a um viajante inglês que por aqui passara que o Brasil era menos uma colônia de Portugal do que da Inglaterra - para onde ia, na verdade, o melhor ouro do Brasil e de onde nós recebíamos os artigos de primeira necessidade.

Tanto no Brasil, como no Chile e no Peru, eram os ingleses que forneciam a populações há pouco libertadas da tutela política da Espanha e de Portugal os gêneros de primeira necessidade, conservando-as sob um domínio econômico que no Brasil, pelo menos, se revestiria por algum tempo, de influência política.

A posição privilegiadíssima que, ainda na fase colonial do Brasil, a Inglaterra conseguira para seus produtos nos mercados brasileiros, não poderia deixar de dar à influência inglesa na América portuguesa o perfil aquilino das influências imperiais. Os cônsules de Sua Majestade Britânica chegando a estimar eles próprios os direitos que deviam pagar no Brasil mercadorias inglesas, quando no caso das demais importações do estrangeiro era exclusivamente às autoridades portuguesas que incumbia fixar o valor das mercadorias nas faturas, ganharam um prestígio quase de semi-deuses nas terras brasileiras. E é um tanto com o ar de semi-deuses que as figuras de alguns cônsules passam pelos anúncios das gazetas do tempo do Brasil-Reino, presidindo a leilões, convocando reuniões, ostentando enfim uma autoridade toda especial; do mesmo modo que é com voz quase de mando que eles se dirigem às autoridades portuguesas do Brasil-Reino e às autoridades brasileiras dos primeiros tempos do Império, através das cartas, ofícios e comunicações. Entretanto, era menos nesses papéis ilustres do que nos anúncios das gazetas, que dava no vista a autoridade especial dos senhores cônsules de S. M. B. no Brasil. Essa situação de autoridade excepcional dos cônsules ingleses no nosso país - para não falar na dos juizes especiais - não podia deixar de irritar os outros estrangeiros nem proclamada a independência brasileira - de ferir aos patriotas exaltados nos seus rnelindres mais caros: o de ser o Brasil um país independente de toda a tutela européia. Foi precisamente o que se deu, resultando daí impopularidade do inglês entre certos elementos da população brasileira na primeira metade do século XIX: entre aqueles mais influenciados pelos franceses, tão ativos, então em propaganda anti-britânica. Propaganda que era a expressão de intensa rivalidade comercial: os franceses contra os senhores quase absolutos dos mercados brasileiros.

Baseando-nos nos relatos acima, podemos comprovar que, mesmo com o byronismo presente no século XIX, as maiores influências se deram no campo político-econômico. 


Agora, os EUA ( para quem preferir USA)

Os Estados Unidos, e seu resto de mundo

Num período glorioso como o de agora, os Estados Unidos crescem um Brasil a cada dois anos. Os soluços recessivos nos anos que precederam esta fase de ouro do presidente Bill Clinton arrancavam-lhes anualmente a riqueza de uma Argentina. A Califórnia consome mais água, vinho, automóveis e computadores do que a China. O PIB americano supera a totalidade dos PIBs somados da França, da Alemanha e do Japão. Ainda que tecnicamente não seja imperial, já que não ocupa fisicamente territórios alheios, como fizeram todos os outros impérios, inclusive o soviético, os Estados Unidos iniciam este século como potência hegemônica planetária. Têm um domínio econômico, cultural, científico e militar inquestionável. Mesmo com todo o tamanho e solidez, o império está sendo observado com certa preocupação pelos outros países. Os próprios americanos temem que o ciclo de crescimento em que navegam há uma década possa estar exagerado. Falam a todo momento em "exuberância irracional" nas bolsas de valores. Estão com medo de que a bolha estoure, de que a economia esfrie, mesmo que ela se mantenha aquecida contra todas as expectativas. Aliás, a economia americana está tão aquecida, artificialmente aquecida para alguns, que o banco central americano vem aumentando gradativamente os juros básicos para evitar um crescimento além do razoável, porque o risco lá na frente poderia ser maior. Vive-se um milagre econômico nos EUA. Mas será mesmo que milagres existem? E, se existem, quanto tempo duram?

Em 1997, a Ásia teve uma gripe, o mundo entrou em pânico e o Brasil se contorceu numa crise financeira de malária. Em 1998, o urso que mora na Rússia entrou em hibernação forçada sob o chicote de uma quebradeira colossal. O mundo ficou em pânico outra vez e o Brasil também foi para a cama, com dengue hemorrágica. Em janeiro de 1999, ainda machucado pelas crises da Ásia e da Rússia, o Brasil sofreu uma fuga selvagem de capitais e teve de deixar o real flutuar de 1,20 por dólar para o pico de 2,17, no prazo de dez dias. Muito bem, agora imagine a seguinte hipótese. Foi ruim com a Ásia, péssimo com a Rússia e dramático com o Brasil da âncora cambial estilhaçada. E se, por acaso, o porta-aviões americano é que desse agora uma guinada fora do padrão? Não seria preciso chegar ao ponto improvável, quase impossível, de voltar a sofrer uma daquelas crises como a que enfrentou em 1929. Nem mesmo seria necessário, para causar comoção econômica mundial, que entrasse em ritmo passageiro de paralisia, como aconteceu no poderoso Japão nesta mesma década de ouro dos EUA. O que se está perguntando é: o que aconteceria se o porta-aviões americano apenas mudasse um pouco a rota ou a velocidade? Muita coisa, pode-se ter certeza.

Alguns analistas acreditam que bastaria uma queda duradoura de 20% na poupança que os americanos possuem em suas bolsas de valores para lançar os EUA numa recessão. A bolsa, como sabem todos os que vêm acompanhando os índices Dow Jones e Nasdaq nas últimas semanas, está corcoveando nos Estados Unidos, com uma tendência preocupante de baixa. E o resto do mundo dificilmente escaparia de um período recessivo se esse porta-aviões diminuísse o ritmo. A influência americana é simplesmente grande demais. O México desova 80% de suas exportações no quintal do vizinho Tio Sam. De cada dólar que o Brasil recebe em pagamento pelos produtos que exporta, 22 centavos vêm dos Estados Unidos. A recuperação das economias asiáticas depois do baque de 1997 é atribuída em grande parte à gula do mercado interno americano, que consome com a mesma intensidade desde pentes de ossos de baleia até complexos chips de memória e telas de cristal líquido para computadores produzidos na Ásia.

À sombra dessa máquina de produzir riqueza, o mundo se pergunta se não está excessivamente dependente de seus humores. Mesmo entre os próprios americanos, muitos estão desiludidos com alguns aspectos do modelo adotado dentro de casa e da sua tradução para o exterior: a economia globalizada do novo milênio. Em Washington na semana passada, enquanto os ministros das Finanças de 182 países se reuniam a portas fechadas sob o patrocínio do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, sindicalistas protestavam nas ruas contra a transferência de fábricas e empregos para os países pobres, e integrantes de ONGs pediam mais ajuda às nações miseráveis do planeta. A primeira alegação é uma tolice. Da mesma forma que o operário da fábrica de pneus do Colorado reclama porque sua empresa transferiu a fábrica para o México, deixando-o sem emprego, o sindicalista brasileiro reclama da globalização porque acha que ela transfere riqueza para os capitalistas americanos. A globalização é um fenômeno inescapável, tem muitas vantagens e produz alguns cadáveres por onde passa. É também uma dança da qual todos os países, queiram ou não, estão participando, a menos que sejam uma Ruanda ou um Zimbábue. Os EUA são, no entanto, a locomotiva do processo. "A História recente do mundo foi marcada por dois eventos extraordinariamente únicos. O surgimento e a derrocada dos regimes totalitários e a inabalável, metódica e crescente concentração de poder pelos Estados Unidos da América", diz o pesquisador J.M. Roberts em seu formidável relato do século XX – Twentieth Century, publicado no ano passado nos Estados Unidos e ainda sem tradução no Brasil.

Olhar de perto as condições de saúde da economia americana tornou-se, portanto, obrigatório para os cidadãos dos outros países. Ninguém sabe ao certo se o ciclo de prosperidade que coincidiu com os dois mandatos do presidente Bill Clinton está no fim. Mas ninguém discute que suas feições econômicas têm um desenho nunca visto na história da riqueza das nações. Para começar, os Estados Unidos estão crescendo seu Brasil a cada dois anos, acumulam um PIB anual de 9 trilhões de dólares, praticamente não têm desemprego e, este é o maior mistério, com todo esse aquecimento, a inflação está domada no patamar baixíssimo de 2,5% ao ano. O motivo é simples: a economia americana está ganhando competitividade a um ritmo altíssimo e isso evita que os preços subam. Onde está o perigo, então? Um deles: os Estados Unidos importam muito mais do que exportam. Ao fim de cada ano, ficam devedores em 300 bilhões de dólares nessas trocas internacionais. A dívida corresponde, aproximadamente, a toda a produção de uma Argentina por ano. Há também a instabilidade do mercado de ações.

Há três semanas, o presidente Bill Clinton convocou uma reunião de cúpula em Washington para esclarecer um ponto. Aliás, dois pontos. O primeiro: se a riqueza americana em ações da chamada nova economia, lastreada nas empresas de internet, é real ou virtual. O segundo ponto: se há perigo de as pessoas, excessivamente otimistas, estarem inflando artificialmente o mercado de ações. A resposta que ele obteve foi esta: ninguém sabe ao certo. Ninguém sabe ao certo, portanto, se vão para cima ou para baixo os cerca de 15 trilhões de dólares em ações que os americanos tinham na semana passada. É mais dinheiro do que todos os impérios do passado, da Antiguidade clássica aos dominadores modernos, jamais puderam juntar. E ninguém sabe ao certo.

"As pessoas comuns que acabaram de chegar ao mercado de ações via internet estão se achando muito espertas. Elas se mostram excessivamente confiantes em suas ações e esse sentimento está inflando artificialmente o mercado", disse a VEJA na semana passada o economista Robert Shiller, professor da Universidade de Yale, cujo livro Exuberância Irracional, lançado recentemente nos Estados Unidos, tem sido lido como o mais erudito alerta a quem está colocando todas as suas fichas no mercado acionário americano (veja entrevista). Há portanto críticos mais eruditos da presente situação dos EUA que os radicais barulhentos que protestavam nas ruas de Washington na semana passada. Ouça-se outro professor americano, Thomas Skidmore, historiador que leciona na Brown University: "Os Estados Unidos têm o poder da força, pois são os detentores do maior arsenal do planeta, têm o poder econômico, já que são os mais ricos e prósperos, e, para completar, ainda têm os artistas de Hollywood, que convencem a humanidade de que seu estilo de vida é o que há de mais sensacional".

Historicamente, os impérios se formaram a partir do domínio territorial, militar e tributário sobre outros povos. Os impérios clássicos, como o romano, o árabe e mesmo o britânico, se impuseram pela força militar e quase sempre acabaram afundando em razão de conflitos com os povos dominados. Por mais invasivos e onipresentes que sejam no mundo moderno, os Estados Unidos não podem ser descritos, pelo critério da historiografia clássica, como um império. Pelo critério puramente econômico, porém, os EUA são inescapavelmente imperiais. A economia americana gera 1 em cada 3 dólares da riqueza em circulação no planeta. A presença dos Estados Unidos na chamada nova economia é ainda maior: eles são responsáveis por 73 centavos de cada dólar gerado pelas empresas de computação e de internet. Nem mesmo o poderoso império britânico, sobre o qual o sol jamais se punha, teve uma presença econômica tão maciça no mundo. É um poder que eclipsa a fortaleza militar associada aos Estados Unidos. Um estudo recente do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA concluiu que seus soldados podem intervir em qualquer ponto do planeta em menos de 24 horas. O mesmo estudo, porém, sustenta que as Forças Armadas americanas não poderiam engajar-se ao mesmo tempo em duas guerras totais por um tempo prolongado. Ou seja, o poderio militar dos Estados Unidos está aparelhado para dar um golpe de mão num inimigo transitório, por maior que seja, mas não pode sozinho meter-se em aventuras de conquista que ampliem esse objetivo inicial para a forma de um leque.

Embora boa parte de seu território tenha sido arrancada do vizinho México pelo poder das armas, os Estados Unidos renunciaram à guerra de conquista e à expansão territorial, por força de lei, ainda nos anos 20. Foi quando se lançaram em outra batalha, a da conquista econômica. Enquanto seus empresários, como Henry Ford, faziam as inovações que preparariam a suprema revolução econômica do século, o consumo de massa, a classe política dava sustentação a essa nova guerra. Os principais movimentos políticos nessa direção:

  • Primazia dos negócios – O brado definitivo veio de um presidente desastrado e cercado de denúncias de corrupção chamado Calvin Coolidge. "O negócio deste país são os negócios", disse Coolidge em 1928 com uma premonição de rara felicidade. A frase dele poderia ser inscrita num panteão de definições clássicas da alma americana no século XX feitas por seus presidentes. A seu lado, poderiam constar outras três, ditas em épocas distintas pelos presidentes Franklin Roosevelt, John Kennedy e Ronald Reagan.
  • A guerra justa – Em dezembro de 1941, ainda sob o impacto do ataque de surpresa japonês a Pearl Harbor, que arrastou os americanos para a II Guerra Mundial, Roosevelt disse a sentença histórica: "O povo americano, com o poder dos justos, vai triunfar pela vitória absoluta". Ou seja, os Estados Unidos, na visão de Roosevelt, não devem ser apenas fortes, mas estar ao lado da virtude. Não devem ir para a guerra apenas por decisão de militares ou políticos, mas, sim, por escolha do próprio povo.
  • O patriotismo"Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país." Com esta frase do discurso de posse, John Kennedy, o 35º presidente americano, não apenas refletiu as incertezas da Guerra Fria mas deu contornos modernos a uma das características mais típicas dos americanos, o patriotismo.
  • A liberdade econômica"O governo não é parte das soluções para este país. O governo é o problema", disse Ronald Reagan, o quadragésimo presidente dos Estados Unidos. Falava da política de gastança pública de seus antecessores imediatos, que gerou inflação e estagnação, a ponto de ameaçar a hegemonia do país no mundo. Japão e Alemanha mostraram suas garras econômicas nesse período e foram descritos como os novos líderes do mundo ocidental por autores como o economista americano Lester Thurow. Embora tenha sido ele próprio um feroz produtor de déficits estatais, Reagan acabou acendendo a luz vermelha da ineficiência da máquina pública. Com isso, contribuiu para reconduzir os Estados Unidos à austeridade fiscal. A cômoda situação atual, que combina pleno emprego e prosperidade sem inflação, não poderia ter sido atingida sem as sementes plantadas durante o governo de Ronald Reagan.

O processo de "re-colonização" do Brasil

Já na década de 30, mas sobretudo a partir da 2ª Guerra Mundial, a influência política e econômica da Inglaterra na América foi cedendo espaços cada vez maiores à norte-americana.

Encontrando no Brasil desse período a política getulista de desenvolvimento industrial, o capital norte-americano foi se infiltrando em nossa economia sob a forma de empréstimos e equipamentos, estabelecimento de subsidiárias (filiais), assistência técnica etc.

Abriram-se então nossas portas para as multinacionais, empresas gigantes que, a partir da empresa matriz, que atua como centro decisório no país de origem, atuam em vários países onde possuem ramificações de seus negócios. As que no Brasil iniciaram suas atividades tinham sede sobretudo nos USA e foi sob a tutela do capitalismo internacional, sobretudo yankee, que se desenvolveu nosso próprio capitalismo industrial.

Coincidindo esse momento com a 2ª Guerra Mundial e a guerra fria, os USA usaram nossa dependência econômica para garantir também o alinhamento político do Brasil ao seu lado, primeiramente contra as potências do Eixo (Alemanha, Japão e Itália) e depois contra a expansão do socialismo e do poder da URSS.

Não foi entretanto só nossas indústrias de bens de consumo materiais que surgiram ligadas ao capital norte-americano. Os setores de comunicação de massa se constituíram, da mesma forma, ou com investimentos diretos de multinacionais ou com a associação de empresários yankees aos brasileiros, ou ainda, quando de capital nacional, utilizando tecnologia e modelos de produção oriundos dos USA.

Além disso, a importação de filmes, músicas e quadrinhos dos USA não parou de crescer desde os anos 30, sobretudo nas últimas três décadas.

Dessa maneira, sem que os norte-americanos se apropriassem do nosso território, tivessem de vir pessoalmente até o Brasil ou destruíssem fisicamente seus habitantes, como no passado fizeram os portugueses, passamos a sofrer quase o mesmo processo de invasão, dominação e colonialismo cultural experimentado pelos índios após 1500.

Tratava-se agora de uma "invasão teleguiada", sem a presença do invasor, que, mesmo lá da América do Norte, fazia chegar até nós seus produtos culturais.

Exatamente, porém, como a cultura européia chegara e se impusera aos nossos índios como expressão de um estágio evolutivo pretensamente mais adiantado e civilização supostamente superior, também assim nos chegava a cultura norte-americana em meados do século XX. Só que agora com a conivência da classe dirigente e a aceitação pacífica e quase unânime de toda a população.

Realmente a ausência física do novo invasor e a imposição de sua cultura através do consumo, e não da escravidão, nos dariam a ilusão de estarmos preservando nossa liberdade e exercendo uma auto-determinação.

Além disso, a entrada no país desses novos elementos culturais pareceria a muitos bastante conveniente e até natural, uma vez que nossos projetos "desenvolvimentistas" tinham como meta levar o Brasil a atingir, o mais rápido possível, o estágio em que se encontravam os USA.

Tal como antes ocorrera com os nossos índios, que para trabalhar e viver com os portugueses tiveram de adotar os seus costumes, nós também, agora, como assalariados das multinacionais norte-americanas ou importadores dos produtos de sua ciência, arte e tecnologia, tivemos de aprender o inglês, manejar seus artefatos e nos moldar aos seus padrões, a fim de produzir e consumir, em primeiro lugar, o que lhes era mais favorável.

E tanto quanto os índios, que ao serem catequizados foram incorporando o modo de ser do dominador, também nós absorvemos, com os produtos consumidos, a idéia de que "o que é bom para os USA é bom para o Brasil".

Se os jesuítas usaram, no passado, a música e as representações teatrais para atrair os indiozinhos, de forma a chegar mais facilmente até seus pais, também desta vez nossa juventude foi maciçamente doutrinada pelos enlatados divulgados pelos meios de comunicação e pelos objetos destinados ao seu lazer.

As primeiras gerações de brasileiros que sofreram essa nova onda invasora ainda puderam perceber claramente o processo de submissão econômica, política e cultural que estavam vivenciando. O passado, não tão remoto, ainda estava vivo em suas lembranças, proporcionando-lhes condições de discernimento e reflexão.

Por isso, até a promulgação do Ato Institucional n. 5, em 1968, que legitimou por decreto a censura aos veículos de comunicação e as prisões, exílio, cassações de mandatos e de direitos políticos como forma de acabar com a oposição, algumas resistências importantes se fizeram sentir em defesa dos interesses brasileiros.

Depois, pela força da repressão, pelo volume avassalador de material "desinformativo" que propositadamente a ditadura nos lançava e pela intensa convivência com elementos culturais "invasores", fomos nos adaptando ao que era estrangeiro e nos esquecendo de nossas próprias raízes culturais.

A invasão cultural da qual trataremos se refere, portanto, à introdução massiva e maciça de elementos culturais norte-americanos, tanto materiais quanto imateriais, no dia-a-dia de quase todos nós, transformando-nos em milhões de brasileiros americanizados, que bebe coca-cola, fuma Hollywood, pratica surf, curte rock, veste jeans, freqüenta os fliperamas, come no McDonald’s, sonha com uma viagem ao Havaí, assiste Rambo, luta para adquirir sempre um maior status, acredita que no mundo capitalista há chances para todos, que dinheiro não traz felicidade ( . . . mas ajuda), repudia o socialismo e pode se emocionar até as lágrimas com cenas do filme Love Story ou, mais modernamente, do ET, embora não preste muita atenção aos dramas sociais vividos intensamente por compatriotas brasileiros, bem mais próximos, ali mesmo em sua cidade.

Enfim, estamos falando da disseminação de elementos produzidos fora do Brasil, muitas vezes inadequados às nossas reais condições e necessidades sociais, e que não está restrita apenas a alguns segmentos sociais ou regionais da população, mas à grande maioria de brasileiros, embora seja mais marcante no eixo Rio-São Paulo, onde se...

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