É difícil para a família de Rosane Klüsener transportar o pai doente com os desvios na estrada
Rosane Noeli Klüsener, 51 anos, mal percebia como a ponte de Agudo era importante para sua família, mas, depois da tragédia de 5 de janeiro, descobriu que a principal ligação da cidade era também a principal via para manter o pai, Armo Edwaldo Seibert, 78 anos, vivo. Armo precisa fazer três sessões de hemodiálise por semana no Hospital de Caridade, em Santa Maria. Sem a ponte, a rotina angustiante do paciente ficou ainda pior.
Zero Hora – Como é enfrentar a estrada com o desvio precisando levar uma pessoa ao hospital?
Rosane Noeli Klüsener – Precisei levar o meu pai para Santa Maria algumas vezes, quando não pôde ir com a van da prefeitura. É muito cansativo para todos. A estrada é horrível, é de roça, cheia de buracos. A viagem é só assim: primeira marcha, segunda e para. Primeira marcha, segunda e para. É bem cansativo, tanto para quem dirige quanto para o pai, que precisa ir ao hospital.
ZH – Os pacientes de Agudo chegaram a enfrentar contratempos maiores a caminho do hospital, em função das más condições?
Rosane – Algumas vezes, quando foram com a van da prefeitura, a estrada estava tão ruim que ficaram atolados. Tiveram que vir as máquinas para tirar o carro da lama. Essa situação prejudica ainda mais a rotina dele e dos outros passageiros doentes que são obrigados a enfrentar estrada. São 10 pessoas que fazem hemodiálise.
ZH – A queda da ponte piorou muito o dia a dia dos pacientes?
Rosane – Muito. Meu pai normalmente sai de casa às 9h e só retorna às 19h. Com a ponte, era mais simples. Houve alguns momentos delicados. Quando a água estava muito alta, o grupo teve que ir umas três vezes por Cachoeira e São Sepé. Meu pai teve de acordar de madrugada para dar tempo de chegar à hemodiálise. A gente está contando os dias para essa nova ponte ficar pronta. Com o inverno, a tendência é só piorar.
ZH – A demora na viagem faz a saúde piorar também?
Rosane – Bastante. Essa rotina o deixa triste e muito cansado. É um homem de 78 anos. Quando faz hemodiálise, precisa comer menos. Com menos comida, viagem longa e quatro horas de hemodiálise, meu pai fica muito abatido. Além disso, está precisando de mais tempo para se recuperar após cada sessão. Ele é diabético, tem os rins prejudicados e sofre com grande perda de audição.
ZH – Na queda da ponte, vocês perderam alguém conhecido?
Rosane – Eram todos conhecidos. Isso o deixou mais abalado e triste, piorando ainda mais a situação.
Em infográfico, relembre a tragédia em Agudo
ZERO HORA
fonte: Zero Hora - Online