Redes sociais: um atalho a explorar

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22.08.2009 - 17h09
 
 
 

Raphael Zarko , Jornal do Brasil

RIO - Mais do que uma revolução na vida de milhões de usuários em todo o mundo, Orkut, Facebook, Twitter, Youtube e outros exemplos de redes sociais na internet literalmente invadiram o mundo corporativo, mexeram nas carreiras profissionais e abriram campos de trabalho ainda incomensuráveis. O espaço para desconfiança – definitivamente criar uma conta em alguma das mídias sociais não é coisa de adolescente - na área já é coisa do passado, tanto é que as grandes agências de comunicação do país investem na mesma proporção que as empresas de variados ramos começam a perceber o vazio a ser preenchido.

Ciente da demanda crescente pela área, o Ministério do Trabalho e Emprego já estuda criar uma subdivisão para segmentar os profissionais que adentram na área de mídias sociais. Foram mais de 3 mil empregos gerados pelo setor ainda chamado de “Atividades dos serviços de tecnologia da informação”.

– Não tem mais como fugir desse espaço. Seja pela interação para monitoramento do mercado ou pela promoção de empresas. Ainda mais aqui no Brasil, onde somos viciados em internet. Com mais de 5 milhões de usuários com Twitter. As redes sociais vão ser carro chefe – diz Camila Valadares, gerente de Mídias Sociais do Ministério do Trabalho, que já registra, em menos de três meses, cerca de 3 mil seguidores no site para mensagens de até 140 caracteres.

A jornalista Andréa Dunningham trabalhou por mais de 10 anos em redação. Apaixonada pelas ferramentas virtuais, ela abriu recentemente o Instituto Digital (iDig). Até novembro serão quase 20 cursos para cerca de 300 alunos aprenderem a desenvolver novos negócios na rede, como se comunicar com clientes através do Twitter, entre outros temas.

– Se por um lado temos um mercado crescendo, por outro temos um gap impressionante.Não temos acadêmicos na área, é um mercado novo, onde todos ainda estão aprendendo – diz a diretora executiva do iDig.

A mesma opinião é compartilhada por Maurício Vargas, fundador do Reclame Aqui, um site criado para consumidores fazerem queixas e que hoje tem até 3 milhões de visitas por mês.

– Quem disser que sabe tudo sobre redes sociais, pode correr dele – brinca ele, que cuidou sozinho do site desde a criação (2000) até 2005 e hoje tem uma equipe de 35 pessoas que recebem cerca de 70 mil reclamações a mais do que o Procom – Posso chutar que só de empresas que procuraram serviço de monitoramento do sua marca o crescimento foi maior que 2.000%. O crescimento é assustador.

Qualidade e interação

Para o consultor e auditor empresarial Luiz Eduardo Irumé, que participa terça-feira do seminário Brasil Connection Biz – Inovação e Business Trends 2009, o avanço das redes sociais dentro da cultura das empresas é uma necessidade para não ficar para trás da concorrência. Ele cita o exemplo de uma loja de sapatos e bolsas nos EUA que conquistaram clientes não só pela qualidade do produto, mas pelo atendimento e interação que os canais virtuais promoveram, com mais de 800 mil seguidores no Twitter.

– Eles criaram um modelo. O dono da empresa ama sapatos, criou um blog onde fala sobre a paixão dele, e assim foi atraindo consumidores. As boas vendas viraram consequência – explica. – As pessoas compram não porque o sapato é melhor que os outros, mas porque se sentem mais conectados com a empresa. gosta de falar do assunto.

Na opinião dele, se não vai haver a criação de um novo especialista, há pelo menos uma "variação da profissão". Segundo Irumé, a área de marketing deve ser a mais afetada e logo os currículos de marketing, administração e setor de negócios serão alterados.

Um bom exemplo do "novo olho" para contratação está dentro de agências de comunicação, que passaram a abrir departamentos próprios para oferecer aos seus clientes a gama de serviços relacionados a redes sociais. A Textual, com 14 anos de atuação no setor de comunicação corporativa, é um exemplo de empresa integrada com as novas ferramentas da internet. A recém criada Textual Digital já representa uma das maiores fatias do faturamento da empresa de comunicação.

– Ano que vem já deve ser a nossa segunda maior unidade de receita – diz a sócia diretora Carina Almeida, que usou o Twitter para contratar essa semana.

Outra empresa de comunicação do Rio, a Approach, também investe alto na equipe de mídias digitais.

– O faturamento dessa área cresceu 10% em um ano, sendo que nos últimos dois meses houve um aumento de 40% se comparado ao bimestre anterior – afirma Beth Garcia, diretora geral da empresa.

fonte: JB Online
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