Crise mundial: TI em busca de novos caminhos

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01.05.2009 - 23h07
 
 
 

Gabriel Costa , Jornal do Brasil

MATA DE SÃO JOÃO (BA) - O desafio que o setor de tecnologia da informação (TI) enfrenta num ano marcado pela crise financeira internacional é o de reduzir custos e mesmo assim manter o caráter de inovação. O segmento, que deve crescer entre 9% e 10% em 2009, depois de avançar acima de 10% no ano passado, tem uma peculiaridade citada por praticamente todos os especialistas da área: a capacidade de crescer tanto em períodos de expansão quanto de declínio do cenário econômico. Essas são algumas das conclusões a que chegaram os 156 diretores de TI – ou CIOs (Chief Information Officers) – na 11ª edição do IT Fórum, o mais importante encontro do setor na América Latina, que começou quarta-feira na Praia do Forte, Bahia.

– Acho que todos aqui estão enfrentando pressões para reduzir os orçamentos de TI. Nós com certeza estamos – disse Juarez Zortea, vice-presidente comercial da HP Brasil, na abertura do evento.

O presidente executivo da IT Mídia, empresa organizadora do fórum, Adelson de Sousa, ressalta que o setor não está imune à crise, e cita como exemplo a área de varejo, que estaria muito impactada. O especialista afirma, no entanto, que mesmo a pressão por redução de custos, no fim das contas, leva à expansão de investimentos.

– A redução de valores de contratos já negociados, por exemplo, leva oportunidades a outras empresas, que podem ocupar o espaço que é deixado vago – avalia Sousa.

Segundo o executivo Emílio Vieira, CIO da Allianz Seguros, a oportunidade para o setor no período de crise surge da necessidade de eliminação de intermediários no processo produtivo.

O tema do evento, que acaba domingo, é empreendedorismo. Alinhado ao assunto, o professor Fernando Dolabela, da Fundação Dom Cabral, fez uma palestra considerada “provocadora” pelo público. Entre as idéias defendidas pelo professor está a quebra do paradigma de hierarquização dentro de empresas – e mesmo na sociedade como um todo –, que levaria à multiplicidade de caminhos para alcançar objetivos.

– Somos herdeiros de um industrialismo decadente, que diz que onde se trabalha não deve haver emoção, que a emoção fica para depois das cinco da tarde. Mas o empreendedorismo é emoção pura. É preciso estimular o capital humano e social, dentro de um ambiente que permita liberar a criatividade – diz Dolabela.

O professor afirma que as empresas darão o primeiro passo rumo à quebra da estrutura piramidal de poder, por uma questão de sobrevivência:

– A inovação é o grande elemento de competitividade hoje. Mas uma idéia sozinha não vale nada. O processo de inovação só se completa quando o cliente paga lá na ponta. Por isso, o empreendedor precisa de mais do que know how. Ele precisa do know what, know who e know when.

Emílio Vieira, que já passou pela Embratel, CPM (atual CPM Braxis) e Porto Seguro, destacou o potencial do mercado brasileiro de seguros. Segundo o executivo, esse segmento ainda tem um nível de penetração muito pequeno no Brasil se comparado a outros países. Na Europa, Estados Unidos, Japão, por exemplo, a participação dos seguros no PIB chega perto de 10%, ressalta.

– As seguradoras lá fora vêem o Brasil como um oceano de oportunidades, que não existe em nenhum país da Europa.

fonte: JB Online
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