Sobrevoando Porto Alegre

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25.03.2009 - 06h12
 
 
 

Sobrevoando Porto Alegre

Semana passada li a notícia dos meus sonhos na internet. Uma empresa americana anunciou o primeiro teste de um protótipo de carro voador, movido a gasolina. O carro pode ser transformado em avião pelo próprio piloto em apenas 30 segundos, tem autonomia de voo de mais de 700 km e pode atingir até 185km/h no ar. Já botei meu nome na lista de espera.

Não sei se você reparou, mas o trânsito de Porto Alegre está perto de entrar em colapso. Não existe mais hora do rush: as ruas estão tomadas desde manhã cedo até a noitinha. Tampouco se pode atalhar: se quisermos desviar por outra rua, essa outra rua estará igualmente lotada – todos tiveram a mesma ideia que você. Não há por onde escapar.

Sei que a prefeitura não pode duplicar avenidas da noite pro dia. Estou me queixando pro bispo, já que não há como interromper a venda de automóveis, sem falar que nossa cidade é grande, há muitas ladeiras, as ciclovias são escassas, não há metrô, enfim, o uso do carro ainda se faz necessário, infelizmente. Ele é mal usado? Sim, poderíamos dar mais caronas, mas pra isso precisaria haver uma profunda mudança de mentalidade da população, na qual me incluo. Reformular hábitos é sempre um longo processo.

No entanto, há outras questões que envolvem o trânsito que poderiam ser feitas, como, por exemplo, sinalizar todas as esquinas com os nomes das ruas. É um vexame: nossa capital tem vários quarteirões sem identificação. Você procura uma rua, chega na esquina e ué. Nada. Nem placa no poste, nem na fachada do edifício, nem presa a uma árvore, essas alternativas pitorescas.

Ontem circulei pela cidade de norte a sul e cheguei ao final do dia querendo matar uns três. Já estava quase perdoando chacinas. Pouco antes de chegar em casa, roxa por um banho, surgiu em frente ao meu carro um outro carro a 15 km/h. Se eu pudesse passar por cima com meu bólido voador, passava. Buzinar, não buzino, minha religião não permite, a não ser em caso de atropelamento iminente. Fiquei pensando: o carro não é do século retrasado e tampouco o motorista, por que ele está andando a 15 km/h? Debruçado sobre o volante e virando o rosto pra esquerda e pra direita, logo entendi: ele procurava uma rua. Não havia placas à vista. Como não me solidarizar? Meu banho que esperasse.

Amanhã é aniversário de Porto Alegre. Sugestão de presente para a cidade: sinalização padronizada em todas as esquinas. E, pra mim, um brevê.

***

Minutos antes de enviar esta crônica pro jornal, recebi um e-mail do pessoal da Bike-Entrega, serviço similar ao dos motoboys, só que feito de bicicleta. Um grupo de atletas treinados, uniformizados e equipados com celular faz entrega de documentos, passagens, convites, presentes e cheques sem sobrecarregar o trânsito e a poluição da cidade. Veio a calhar. Informe-se: www.bike-entrega.com.br ou fone (51) 3332-0404.

fonte: Zero Hora
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