É grande a quantidade de brasileiros que torcem atualmente para times europeus. Camisas do Milan, Real Madrid, Internazionale, Chelsea, Juventus e Barcelona são fartamente vendidas em lojas de artigos esportivos e chegam a superar as camisas de muitos clubes tradicionais do Brasil.
Isto acontece principalmente devido à grande exposição dos jogos dos certames europeus na mídia, misturando glamour, organização e muitos jogadores brasileiros internacionalizados.
O fenômeno não é recente, e na verdade sempre existiu no âmbito local.
Nos estados menos representativos da União, os torcedores geralmente torcem para Flamengo, Vasco, Corinthians ou São Paulo deixando o time da casa para um segundo plano, e nas ruas de todas as cidades do Brasil são estas camisas (e também as do Grêmio, Internacional, Fluminense, Cruzeiro...) que desfilam no dia-a-dia da população.
Estamos falando de futebol, mas se o leitor tiver a curiosidade de fazer uma pesquisa, perguntando para que time de basquetebol torce o brasileiro, com certeza ouvirá Los Angeles Lakers, New York Knicks, Miami Heat ou Chicago Bulls – ele jamais mencionará Minas Tênis Clube, Franca, Limeira, Hebraica ou até mesmo Flamengo.
Ninguém pode duvidar da eficiência da mídia, “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”, como disse Caetano.
Assim, enquanto as grandes redes de televisão continuarem acreditando no futebol brasileiro no Brasil, nós teremos estádios relativamente cheios, clubes valorizados, lojas vendendo camisas e outros materiais e torcedores literalmente brigando pelos seus clubes de preferência.
Se algum dia, por quaisquer “caprichos do destino”, como cantava Orlando Silva (o cantor, não o ministro), as televisões se desinteressarem pelo futebol brasileiro no Brasil, as crianças passarão a cultuar outros clubes, todos do exterior.
Aí, a quantidade de camisas do Milan, Real Madrid, Internazionale, Chelsea, Juventus e Barcelona vai crescer ainda mais, independentemente de Kakás, Ronaldinhos, Patos, Adrianos ou Robinhos que por lá estiverem.
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Uma das funções do esporte é promover uma competição sadia e justa.
Por isso, quem “inventou” as tabelas teve o cuidado de prever o equilíbrio baseado no mando do jogo.
Num certame de dois turnos, ou em situações de mata-mata, joga-se cá e depois se joga lá, cada qual no seu campo. Nada deveria modificar este estado de coisas, a não ser que o campo do mandante estivesse interditado, por uma ou outra razão.
Nos certames de um turno só a tabela é confeccionada também para proporcionar o devido equilíbrio, com as equipes revezando o mando de jogo. Nada também deveria modificar este estado de coisas, a não ser um motivo técnico de força maior.
Pois bem. Em nome do faturamento e de jogadas arquitetadas pelos prefeitos com vistas à popularidade, dirigentes esportivos praticamente “vendem” o mando de jogo, numa atitude imoral e indecente que beneficia os seus cofres e prejudica os clubes concorrentes.
Locais de jogos são trocados (mormente no Campeonato Paulista), atentando contra a esportividade e contra os torcedores do local de origem do clube que resolveu mandar o seu jogo a algumas centenas de quilômetros de distância da sua sede.
Isto, é óbvio, deveria ser proibido. Desculpas esfarrapadas culpando a segurança do torcedor também são pura balela, pois isto é uma situação paralela que o poder público e as federações têm o dever de resolver sem atentar para a esportividade de um espetáculo.
Por contar com torcedores em todas as cidades do país, os times grandes são eternamente beneficiados quando um clube pequeno abre mão de jogar na sua própria cidade para auferir os trinta dinheiros da falta de caráter.
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A grana que está por vir foi a principal motivação da contratação do ex-jogador em atividade Ronaldo Fenômeno.
A equipe de marketing do Corinthians usa a máquina de calcular com maestria e faz as suas projeções de lucro, incluindo no pacote um patrocínio fabuloso, a venda de camisas, o aumento do preço de ingressos, a cobrança de ingresso em treinos e qualquer outra coisa que faça as moedas tilintarem.
Mas a grana ainda não chegou.
Passam os dias e os patrocinadores não aparecem, assustados com a alta pedida corintiana nesta época de crise.
Enquanto isso, dirigentes amadores fazem o seu marketing pessoal, convidando o astro para noitadas de perder o sono, para desespero do técnico Mano Menezes e da equipe de fisioterapeutas que acompanha de perto a perda de circunferência do jogador.
Esta absoluta falta de profissionalismo dos dirigentes começa a colocar em dúvida o sucesso da volta de Ronaldo. Se no Real Madrid e no Milan , mesmo cercado de toda a seriedade, o jogador naufragou, que dirá acompanhado por esta carnavalesca equipe de dirigentes que comanda o brasileiríssimo Corinthians?
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Foi mais fácil do que parecia, mas com Flamengo e Fluminense jogados para escanteio nas semifinais, ficou tranqüilo para o Botafogo despachar o atarantado Resende e conquistar a Taça Guanabara, título quase tão importante quanto o campeonato estadual.
Os elencos dos três grandes – deixemos o Vasco de fora – se equivalem, mas a comissão técnica faz a diferença.
Enquanto o Botafogo possui o equilibrado e sereno Ney Franco, o Fluminense se vê às voltas com o Paulo Coelho do futebol, o técnico René Simões, que reúne pouca prática a muita gramática. Já o Flamengo conta com o pessimismo e o baixo astral do técnico Cuca, que tem se revelado um constante problema para os clubes os quais dirige.
fonte: O Estado do Maranhão (Assinatura)