Bondes ajudam a restaurar centro histórico de Santos

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01.03.2009 - 23h17
 
 
 

Cidade dos Bondes. Assim o município do litoral sul paulista quer ser conhecido no restante do País.

André Alves - 1/3/2009 - 21h43

Luiz Prado/LuzBonde nos trilhos: quatro veículos percorrem a Linha Turística do Bonde, um trecho de 1,7 quilômetro

Santos, no litoral sul de São Paulo, conhecida por suas praias, pelo porto e pelos jardins de sua orla – inscrito no Guinness Book of Records como o de maior extensão do mundo –, também poderá ser chamada, em breve, de Cidade dos Bondes. Na sua rica história, que em muitos aspectos se confunde com a própria trajetória do País, há um importante personagem e que não teve o merecido destaque até agora: o sistema de bondes santista, desativado em 1971.

O sistema, que antes servia toda a cidade, agora se restringe ao centro histórico de Santos, com a Linha Turística do Bonde, principal responsável pela revitalização do local e que está em funcionamento há nove anos. A recente vinda de mais dois veículos provenientes de Turim, na Itália, e a ampliação da linha de 1,7 para 5 quilômetros, prevista para estar concluída até julho, ajudarão ainda mais no processo de revitalização e fortalecerão o turismo e o comércio.

Acervo - Atualmente o município tem quatro bondes em circulação. Dois deles são escoceses, da antiga frota da cidade, e dois portugueses, além de um reboque do século 19. O primeiro deles começou a circular no dia da inauguração da Linha Turística do Bonde, em 23 de setembro de 2000. No primeiro mês de atividade, o veículo transportou aproximadamente 25 mil pessoas.

"No início a população não acreditava no projeto e achava que era uma loucura. Nossa idéia era revitalizar o centro histórico por meio da passagem do bonde, e isso se confirmou. Atualmente esse sistema de transporte é a nossa marca e leva cerca de 100 mil passageiros por ano", disse Wânia Seixas, secretária de Turismo de Santos. De acordo com ela, os efeitos da implantação da linha foram sentidos rapidamente, com o aumento do fluxo de pessoas para o centro

histórico e o aquecimento do comércio local.

O rápido sucesso do bonde fez com que a prefeitura de Santos promovesse, em 2001, o 1º Carnabonde, festa carnavalesca tendo o bonde como elemento central. Em 2002, foi entregue o segundo veículo, da antiga frota do município.

Museu Vivo - Três anos mais tarde, teve início o projeto Museu Vivo do Bonde, que consiste em adquirir veículos de vários países por meio de doações e colocá-los em circulação pelas ruas da cidade. "Começamos a ir atrás de outros bondes e conseguimos duas unidades provenientes da cidade do Porto, em Portugal. Depois de um processo de restauro, eles foram colocados em circulação", afirmou Wânia.

Os quatro veículos que percorrem a Linha Turística do Bonde – um trecho de 1,7 quilômetro – passam por vários pontos turísticos do centro histórico, como o Palácio José Bonifácio, Igreja do Rosário, Casa Azulejada, Santuário de Santo Antônio do Valongo, antiga Estação Ferroviária, ruínas do casarão do Valongo (onde será construído o Museu Pelé), Palacete Mauá, Bolsa Oficial do Café, Associação Comercial de Santos, entre outros. Embarque e desembarque são realizados na Praça Mauá. O passeio custa R$ 1 e dura perto de 15 minutos.

Revitalização - Segundo a secretária de Turismo, nos últimos anos a prefeitura vem desenvolvendo várias iniciativas para revitalizar o centro histórico. "Além de restaurar inúmeros prédios, a administração pública oferece incentivos fiscais aos comerciantes que queiram se estabelecer no centro e aos proprietários de imóveis que desejam recuperar as fachadas de seus prédios. Dessa forma, há uma ampliação do potencial turístico da cidade".

Para o 1º vice-presidente da Associação Comercial de Santos (ACS), João Luiz Zanethi, nesse processo de revitalização o bonde é uma das principais ferramentas de desenvolvimento. "O trecho por onde ele circula é o mais revitalizado e valorizado do Centro, com a restauração de edifícios e a instalação de casas de shows, bares e restaurantes. A nova marca de Santos no aspecto turístico tem tudo para ser Cidade dos Bondes", ressaltou.

Ampliação - A ampliação da Linha Turística do Bonde, de 1,7 para 5 quilômetros, é um projeto que tem por objetivo a revitalização de outros espaços no centro histórico. A proposta visa estimular a abertura de novos estabelecimentos comerciais e a recuperação de imóveis abandonados. A iniciativa contempla a repavimentação das pistas e das calçadas, realinhamentos, transferência de postes e sinalização viária.

Com a ampliação, o passeio, com duas horas de duração, passará por cerca de 40 pontos turísticos, sendo possível o embarque e o desembarque em várias estações. Além dos pontos turísticos já citados anteriormente, o novo trecho passará, entre outros monumentos, pelo Monte Serrat, Fórum, Teatro Coliseu, Casa do Trem e Outeiro de Santa Catarina.

Italianos - Os dois bondes recém chegados da Itália percorrerão a Linha Turística do Bonde já ampliada. Atualmente eles estão na oficina da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de Santos, onde serão restaurados. "Estamos iniciando os estudos de restauração. Trata-se de um trabalho minucioso, e, de certa forma, artesanal. Muitas peças nós fabricamos e outras temos de importar", disse Rogério Chantschaninov, presidente da CET/Santos.

Além desses dois veículos, se encontram em processo de restauração no pátio da CET uma unidade vinda de Portugal e outro norte-americano, doado pelo Sesc Bertioga. Se juntará a eles um bonde que será doado pela prefeitura de Votorantim, no interior paulista. Dessa forma, futuramente estarão em circulação nove bondes na cidade, além de um outro exposto na orla da praia que funciona como um posto de informações aos turistas.

Um dos dois bondes vindos da Itália, como é articulado, será um bonde restaurante, como já acontece nas cidades de Turim e Milão. "Priorizaremos o restauro do articulado, que deve estar em operação até o final do ano e oferecerá um serviço diferenciado. Santos é uma das poucas cidades do mundo que está investindo na preservação dos bondes e fazendo desses equipamentos um programa turístico de desenvolvimento. O centro histórico da cidade tem hoje como relações públicas o sistema de bondes", concluiu o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa.

fonte: Diário do Comércio (SP)
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