Temor de demissão nas empresas empurra profissionais para o serviço público em busca de estabilidade e melhores salários. Governo prevê muitos concursos este ano
Fotos: Renato Weil/EM/D.A Press
"No nosso segmento, a procura aumentou devido à crise. Quanto mais a iniciativa privada é recessiva, maior será o apelo dos concursos públicos" Antônio Loureiro, diretor pedagógico do curso Maurício Trigueiro
Acostumada à rotina dos concursos, Fabíola Barbosa Martins Castro, de 33 anos, sabe que é uma questão de tempo para ser aprovada na vaga desejada. Atualmente, é servidora concursada da BHTrans, mas pretende passar em outro cargo que tenha uma melhor remuneração. Ela ficou em quinto lugar para o cargo de gráfica no TRE-MG, no último concurso, em 2005, na 15ª colocação no Tribunal de Justiça e 96ª no Ministério do Trabalho.
A mesma esperança move a relações-públicas Amanda Moreira Silva, de 30, que vai tentar uma vaga no concurso público do Tribunal Regional do Trabalho. “Era servidora contratada pelo estado e há um mês pedi a minha rescisão. Tomei a decisão apostando que o melhor que fazia era investir meu tempo na preparação para as provas de concursos”, diz.
Para ela, neste ano de turbulência financeira, essa é a melhor opção. “Ainda mais neste contexto de crise econômica, quando grande parte das empresas privadas vem aumentando o número de demissões. A busca por concursos públicos tem crescido consideravelmente, uma vez que traz uma maior estabilidade, mesmo com o desaquecimento econômico ”, completa.
Fabíola Barbosa já se acostumou à rotina dos concursos e busca vaga com melhor remuneração
O diretor pedagógico do curso Maurício Trigueiro, Antônio Loureiro, acredita que o mercado preparatório para concursos públicos deverá viver um excelente momento este ano. A expectativa é balizada pela última declaração do ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo. Apesar da turbulência no mercado internacional, o ministro garantiu a realização de concursos públicos para as áreas de educação e segurança, bem como garantiu a continuidade do processo de substituição de terceirizados na administração federal. “Eventualmente, podemos fazer uma mudança no cronograma, mas a decisão de manter os concursos está tomada”, disse o ministro em entrevista coletiva, em Brasília.
CRESCIMENTO A busca pela estabilidade é inversamente proporcional ao sentimento de insegurança em momentos de crise financeira, quando as vagas são cortadas, ao mesmo tempo em que benefícios e até salários são reduzidos. “No nosso segmento, a procura aumentou devido à crise. Quanto mais a iniciativa privada é recessiva, maior será o apelo dos concursos públicos. Estamos esperando aumento de 18% na procura em relação ao mesmo período do ano passado”, afirma Antônio.
O Orçamento Geral da União prevê, para este ano a realização de concursos para preencher 64.540 vagas no Executivo, Legislativo e Judiciário. entre elas, 12.633 são na administração direta. Serão substituídos 60% de servidores não-concursados. Outras 33.667 serão criadas, e o restante é para a substituição natural dos cargos que ficam vagos.
A relações públicas Amanda Moreira vai tentar vaga no Tribunal Regional do Trabalho
O desemprego mundial faz parecer ainda melhores os benefícios de um emprego público, como a possibilidade de se aposentar com o salário integral, a estabilidade e o alto nível remuneratório. Um cargo público pode se transformar no emprego dos sonhos quando a pessoa escolhe uma função para a qual tem vocação e nela consiga alcançar a realização profissional.
Segundo dados da Anpac, somente em 2008 foram abertas quase 123 mil vagas para órgãos federais, estaduais e municipais. Estima-se que o mercado movimente cerca de R$ 500 bilhões por ano entre cursos preparatórios, editoras especializadas e bancas examinadoras. “O emprego público é uma opção viável e possível. O candidato que se prepara com antecedência não compete com 600 candidatos ou mais, pois a maioria não tem um planejamento estratégico. Somente uma pequena fração busca se preparar”, afirma.
FIQUE DE OLHO
Polícia Rodoviária Federal área administrativa
Vagas: 2.665
Remuneração: R$ 2.476,98 a R$ 2.590,28
Previsão: este mês
Banco Central
Vagas: 520
Remuneração: R$ 4.887,27 a R$ 10.905,76
Previsão: 2º semestre
Receita Federal
Vagas: 1.790
Remuneração: R$ 2.590 a R$ 12.535,36
Previsão: 2º semestre
Tribunal Regional do Trabalho – 3ª Região
Vagas: 200
Remuneração: R$ 2.662,06 a R$ 4.367,68
Previsão: 2º semestre
Polícia Federal
Vagas: 1.150
Remuneração: R$ 7.317,18
Previsão: 2º semestre
IBGE
Vagas: 219
áreas: trabalhador temporário para realização do Censo
Remuneração: R$ 900 a R$ 1.150
Defensoria Pública de MG
Vagas: 150
Remuneração: R$ 6.500
Previsão: este mês
Banco do Brasil
Vagas: cadastroreserva
Remuneração: R$ 1.778,63
Previsão: 2º semestre
Câmara Municipal de Aricanduva
Remuneração: R$ 410 e R$ 550
Inscrição: até sexta-feira
Câmara Municipal de Matias Barbosa
Vagas: advogado (cadastro reserva), assistente social (1), contador (1) e sociólogo (1)
Inscrição: até dia 18
Remuneração: R$ 854,46 (nível médio) e R$ 1.622,08 (nível superior)
Câmara Municipal de São João das Missões
Vagas: agente do legislativo I (1); auxiliar de serviços gerais I (1), guarda noturno I (1) Remuneração: R$ 600 (nível médio) e R$ 415 (ensino fundamental) Inscrição: até 30 de abril
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fonte: Estado de Minas