1. INTRODUÇÃO
Na atualidade, a necessidade da grupalidade está presente em quase todos os tipos de ambientes em que se convive com outras pessoas. Munari e Zago (1997) acreditam que através do grupo o homem pode desenvolver atividades em suas relações pessoais, realizar tarefas, oferecer e receber ajuda.
O ser humano busca conviver em certos grupos, mais específicos, em determinadas fases de sua vida, especialmente em momentos de crise, quando sente necessidade de ser acolhido e identificado com pessoas que vivenciam as mesmas situações que as suas. A fase da gestação é uma dessas situações, quando a mulher e companheiro/família passam por uma série de mudanças em suas vidas, pois, conforme Viçosa (1997, p.305), neste período, além das mudanças corporais da mulher, vai acontecer mobilizações emocionais em sua vida, para adaptar-se ao novo papel que lhe é “dado” a partir desta vivência. (SARTORI; VAN, 2004)
Na base da atenção pré-natal está a promoção da educação em saúde e consequentemente da cidadania, ação recomendada pelo Ministério da Saúde, que desde o ano de 2000, através de uma série de medidas propõe atingir de forma mais efetiva a atenção primária à mulher gestante, levando-a ao desenvolvimento de um processo gestacional seguro e saudável que culmine com o nascimento seguro em bases humanitárias. A educação em saúde através da formação de grupo de gestantes foi estabelecida como uma das principais estratégias para a melhoria da qualidade da atenção à saúde a esta clientela. (FRANK, 2009)
Para isto, este projeto de extensão tem a intenção de desenvolver atividades de educação em saúde junto a grupos de gestantes, para contribuir com a melhoria da qualidade da assistência prestada à mulher durante o ciclo gravídico-puerperal, além de proporcionar às gestantes, socialização e esclarecimento de dúvidas que possam surgir nestas fases, assim como prepará-las para o parto e o aleitamento materno.
2. JUSTIFICATIVA
A gestação representa período único e especial na vida da mulher, no qual a sensação de tornar-se mãe confunde-se muitas vezes com incertezas, medos e inseguranças. É um evento biossocial, pois está cercado de valores culturais, sociais e emocionais. (TEDESCO et al., 2004)
Na história da saúde pública no Brasil, a introdução do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), no ano de 1983, ampliou o elenco de ações de saúde destinadas à parcela feminina da população, destacando a atenção pré-natal pelo seu impacto e transcendência no resultado perinatal. (TREVISAN et al., 2002)
Em decorrência ao processo de mobilização social, feministas e profissionais da saúde iniciaram, em parceria com o Ministério da Saúde, a elaboração de propostas de atendimento à mulher que garantissem o respeito a seus direitos de cidadania, o que resultou na estruturação das bases fundamentais do PAISM. (RIOS et al., 2007)
Assim, o PAISM entrou no cenário das Políticas de Saúde apontando como objetivos a ampliação dos problemas a serem tratados pelo setor, a recuperação da função educativa dos serviços e a adoção de uma nova perspectiva de atenção a cada mulher, situando-a em seu contexto social e atendendo-a de forma integral.
Nesse contexto, Osis (1998, p. 27) afirma que:
"A atenção à mulher deveria ser integral, clínico-ginecológica e educativa, voltada ao aperfeiçoamento do controle pré-natal, do parto e puerpério; à abordagem dos problemas presentes desde a adolescência até a terceira idade; ao controle das doenças transmitidas sexualmente, do câncer cérvico-uterino e mamário e à assistência para concepção e contracepção".
De acordo normatização do Ministério da Saúde (BRASIL, 1985, p. 19-20), o pré-natal na sua essência se constitui como “um conjunto de procedimentos clínicos e educativos com o objetivo de promover a saúde e identificar precocemente os problemas que possam resultar em risco para a saúde da gestante e o concepto”.
Sendo um dos objetivos da assistência pré-natal a redução de riscos durante a gestação, Barbosa (1981, p. 135) afirma que “a boa qualidade, eficiência, freqüência e assistência pré-natal revelam, sem dúvida, o desenvolvimento de uma nação. A assistência pré-natal é, por si, capaz de reduzir, drasticamente as complicações da gestação e do parto e minimizar a mortalidade perinatal”.
Neste sentido, Faúndes et al.
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