Fazer pesquisa em uma ou mais carreiras específicas:

Administração Agronomia Arquitetura Arquivologia Arte Astronomia Biblioteconomia Biologia
Bioquímica Cinema Ciências Sociais Colegial Comunicação Contabilidade Desenho Industrial Direito
Diversos Economia Educação Física Enfermagem Engenharia Estatística Farmácia Filosofia
Fisioterapia Fonoaudiologia Geografia História Hotelaria Informática Letras Marketing
Medicina Nutrição Odontologia Pedagogia Produção Cultural Psicologia Química Rel. Internacionais
Secretariado Executivo Serviço Social Terapia Ocupacional Turismo Veterinária Zootecnia


A evasão do PETI na Comunidade Maravilha e o Retorno ao Trabalho Infantil

Trabalho por Ana Dayse Vasconcelos Costa, estudante de Serviço Social @ , Em 21/03/2009

5

Tamanho da fonte: a- A+

Trabalho Infantil: A evasão do PETI na Comunidade Maravilha e o Retorno ao Trabalho Infantil

Universidade Estadual do Ceará
2009

 

 

 

Sumário:

Introdução
Capítulo 1: Explorando a força de quem não tem força: Um Resgate Histórico do Trabalho Infantil
1.1 A(Pre)ocupação De Nossas Crianças: Do Trabalho Escravo À Globalização
1.2 O Trabalho Infantil Em Foco: Do Real Ao Irracional
1.3 Repercussões No Brasil Na Última Década
Capítulo 2: Analisando o Programa de Erradicação de Trabalho Infantil
2.1 O Estado E Suas Respostas Ao Enfrentamento do Trabalho Infantil
2.2. O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil - PETI
2.3. O PETI No Município de Fortaleza
2.3.1 A Integração PETI E Bolsa Família
Capítulo 3: O PETI na Comunidade maravilha: A Evasão do Programa e o Retorno ao Trabalho Infantil
3.1 Conhecendo A Comunidade Maravilha
3.2 Um Olhar Sobre A Família
3.3. O Perfil Sócio-Econômico das Famílias Evadidas do PETI
3.4 A Visão das Famílias Sobre A Realidade do Trabalho Precoce E A Evasão do PETI
Considerações Finais
Bibliografia
Anexo

 

Introdução

A problemática do Trabalho Infantil está presente em todo o mundo, apesar de identificarmos níveis diferenciados de exploração de acordo com o grau de desenvolvimento de cada nação.

De acordo com Veiga (1998), no plano internacional a questão do Trabalho Infantil, emergiu com vigor ao final dos anos 80 do século passado, principalmente a partir do Advento da Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1989, que consagrou a doutrina de proteção integral e de prioridade absoluta aos direitos da infância. Porém para além de uma questão humanitária e de defesa dos direitos da criança, o problema do trabalho infantil ganhou relevância diante do acirramento da concorrência intercapitalista, num momento em que as economias estão mais abertas e globalizadas, pelo fato de muitos países em desenvolvimento explorarem a mão de obra infantil com o objetivo de baratear suas exportações.

No Brasil, esses elementos externos de pressão encontram condições propícias, que favoreceram e potencializaram seus impactos. Nos anos 80, o término do regime político e autoritário e a abertura democrática possibilitaram a intensificação das demandas sociais, desencadeando um movimento nacional de defesa da criança e do adolescente. Esse movimento, envolvendo uma diversidade de atores sociais, culminou na introdução do artigo 227 da Constituição de 1988, expressando o direito da criança na perspectiva da doutrina de Proteção Integral, estabelecendo os deveres do Estado, da sociedade e da família para o seu cumprimento. Porém o maior símbolo da trajetória reivindicatória é, sem dúvida, o advento do Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990, definindo direitos e diretrizes para a política de atendimento.

Nas últimas décadas, o trabalho infantil em nível nacional vem obtendo uma atenção especial por parte da sociedade civil organizada, do Poder Público, empregadores, trabalhos e agências de Cooperação Internacional.

De acordo com dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) de 2004, e baseado no Censo de 2000, existem no Brasil 7,5 milhões de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos na força de trabalho rural e urbano, distribuído entre os setores agrários, industrial, extração de minérios e produção de carvão vegetal. O emprego da mão de obra infantil, segundo pesquisa da UNICEF, no estado do Ceará é de 300 mil crianças e adolescentes trabalhando na roça, no comércio, olarias, cerâmicas, nas ruas e no trabalho doméstico. Importante registrar que a pesquisa não inclui dados de Fortaleza, ou seja, no Ceará são mais de 300 mil crianças em condição de trabalho precoce.

Na perspectiva das populações em situação de precariedade econômica e social, observa-se uma vulnerabilidade social que não raras vezes, evolui para um estado de exclusão propriamente dita. A pobreza intensa além da