Questionário sobre a influência da ditadura militar brasileira sobre o serviço social
UNOPAR
2008
1. Comente sobre a época do “Milagre Econômico”, retomando o debate sobre “crescimento econômico x distribuição de renda”, abordado na última aula de economia política.
O momento vivido pelo Milagre Econômico Brasileiro da década de 1970, pode ser comparado à atual crise econômica mundial causada pela quebra das financeiras imobiliárias americanas. Assim como nos EUA, onde milhões de americanos deram um calote nas hipotecas da compra da casa própria, o mesmo pode ser entendido no Brasil de 35 anos atrás. Havia crédito disponível para o País que precisava crescer e se desenvolver urgentemente para justificar o pseudo projeto democrático dos militares, e o governo brasileiro tomou grandes empréstimos internacionais para financiar as obras de infra-estrutura que eram necessárias. Contudo, eram obras superdimensionadas e caras, cujo retorno não era previsto e com isso, herdamos uma dívida, pode-se dizer: impagável. A crise americana parece o fim do sonho americano, onde o país da prosperidade se desmorona devido ao projeto de financiar o crescimento “a perder de vista”, como se diz na gíria: “a casa caiu” (grifo nosso).
No Brasil, o maior acontecido foi o aumento da diferença na distribuição de renda da população. Apesar do crescimento econômico, as riquezas foram concentradas cada vez mais a um percentual mínimo da população, visto que, com o ingresso do capital estrangeiro no país houve uma grande oferta de mão-de-obra barata. Ou seja, havia empregos, mas os salários baixos não permitiam o consumo, fazendo com que a maior parte da população se mantivesse no nível da pobreza e uma classe média que na maior parte dos casos eram concentrados em funcionários públicos e cargos comissionados.
Com isso, o Brasil entrou numa recessão sem precedentes, sendo forçado a implantar diversos planos econômicos na tentativa de estimular o consumo, mas com taxas de juros altas e uma inflação galopante, a opção pela poupança parecia o investimento mais viável. Sem capital circulando, a população mais pobre foi a mais massacrada, e assim, foram criados os bolsões de pobreza nas capitais do País formado por pessoas de várias partes da Nação em busca do tal “Milagre”. No Governo Collor houve o confisco das poupanças, fazendo com que os economistas repensassem o nosso modelo econômico, e nos últimos 8 anos o Brasil tenta trilhar o caminho da estabilidade econômica, mas o social ainda continua num plano secundário, tratado com fisiologismo.
Alguns fatos interessantes do período da Ditadura Militar foram muito interessantes para transformação do Serviço Social no Brasil. Preocupados com a migração populacional para os grandes centros, o governo criou vários programas ditos sociais para amenizar os impactos deste êxodo interno, como: BNH (habitação), FUNRURAL (Assistência continuada para produtores rurais) MOBRAL (Alfabetização de adultos), PROTERRA (Financiamento rural e assentamentos), além de programas de amparo ao trabalhador. Foi criado ainda a LBA (Liga Brasileira de Assistência) presidida pela Primeira-dama da Nação e auxiliada pelas esposas de governadores e prefeitos, através das Secretarias de Bem Estar Social. Também foi criada a FUNABEM (para menores infratores) e o INAMPS (atual Previdência Social e SUS), além de estádios de futebol grandiosos nas capitais, estimulado pela Copa de 1970.
Contudo, é ampla a discussão, e esta faz sentido, que o governo militar criara estes programas, não preocupado com os problemas sociais do Brasil, mas temendo que os movimentos contra-ditadura (até então formado por políticos de esquerda, estudantes, jornalistas e sociedade organizada), atingissem a camada mais pobre que representava a maioria da população. Uma revolta de ordem populacional seria o fim do regime.
Nos dias atuais, a distribuição de renda está melhorando graças aos programas assistências do Governo Federal, como Bolsa Família e Programas de Assistência Continuada. O Brasil também vive um momento
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