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A Sociedade rural no Brasil: entre escravos do passado e parceiros do futuro.

Trabalho por Mirian Cristina Lopes, estudante de Serviço Social @ , Em 24/02/2008

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A Sociedade rural no Brasil: entre escravos do passado e parceiros do futuro.

Universidade Federal do Paraná
2007

“O que temos, diante de nós, é a perspectiva de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, ou seja privados da única atividade que lhes resta.” ( Robert Castel).

As circunstancias que permeiam a discussão a cerca das questões rurais não podem estar separadas das relações e das concepções de individuo e sociedade.

A Terra sempre foi motivo das grandes disputas da humanidade e decorre destas relações de poder e propriedade, grande parte das explorações e desigualdades sociais do mundo atual. A propriedade aqui entendida como posse passou a ser fator determinante na definição de dominantes e dominados e das intermináveis lutas entre classes.

Nosso país tem um legado histórico de escravidão e outras formas de subordinação pessoal desde a era colonial e do desenraizamento do campesinato brasileiro. Desde os anos sessenta aumenta a massa de “camponeses” em condições mínimas de existência, que perderam suas referencias culturais e sociais, desprovidos de direitos e em busca de novas formas de enraizamento.

Atualmente o cultivo concentra-se nas mãos de grandes produtores, detentores de grandes plantações voltadas para exportações. É importante analisar que as vias de transformação das relações sociais no campo buscam caminhos alternativos, como o desenvolvimento da “agricultura familiar” em paralelo ao da “agricultura empresarial”, o “agronegócio”, agro-industrial e a luta pela reforma agrária.

Essas alterações na área rural incidem no surgimento de novos tempos que não devem ser analisados separadamente das questões políticas, sociais, econômicas e culturais, pois não há separação, elas estão diretamente ligadas.

Gilberto Freire, em 1933 já assinalava que mesmo após a libertação dos escravos no Brasil às concentrações de Terra, denominados domínios rurais se concentravam em uma só mão e influenciariam as gerações futuras para uma expansão dominante no meio rural.

O crescimento no mercado rural e as perspectivas trabalhadas para atender a esta expansão implantaram através da história uma gestão de força de trabalho escravo e dependente, pois muitas das negociações com pequenos produtores foram acertadas através de acordos de vontades de personagens distintos e individuais que instituíram de forma duradoura a submissão de famílias de trabalhadores por gerações.

Com a industrialização das grandes metrópoles e a ampliação dos serviços educacionais e de saúde, os trabalhadores rurais emigraram para grandes centros urbanos, mudando de 64% de brasileiros habitando no meio rural em 1950, para 32% em 1950. Levando os trabalhadores do campo para novos capitalistas industriais, fornecendo mão-de-obra barata e disposta a aceitar condições de existência penosas.

A custa de muito sacrifício físico e psicológico alguns descendentes de pequenos proprietários escaparam dessas condições de trabalho e se estabeleceram como pequenos comerciantes ou profissionais liberais, como pedreiros, eletricistas, bombeiros, etc.

As lutas por direitos na categoria cidade-campo ganharam novo ritmo na era do governo Vargas que impulsionava atender as vantagens concedidas aos trabalhadores urbanos para os trabalhadores rurais, mas a oposição de representantes políticos ligados aos grandes plantadores foi determinante e bloqueou qualquer tentativa de haver evolução simultânea das normas trabalhistas urbanas e rurais.

A situação era cada vez mais critica, pois os colonos que não viraram trabalhadores liberais, continuavam a mercê das condições de trabalho deprimentes ou buscavam sair das propriedades que trabalhavam. Os que saiam se viam forçados a ter que, assumir custos de novas moradas arriscavam-se então, na busca de moradias alugadas que acabavam sendo despejados por não terem condições de pagar e passaram a se organizar em grupos a procura de terrenos que pudessem invadir para construção de suas moradias.

A Igreja católica em meados de 1950, ainda tinha o monopólio das difusões das visões de mundo e de ritos religiosos no mundo rural brasileiro. Mas se somente se posicionou, estabelecendo alianças coma os socialistas e comunistas para dar origem