Educação Popular e a Atuação do Serviço Social
Introdução
O trabalho descrito a seguir terá como objetivo central, descrever o panorama histórico da educação popular, com a finalidade de compreender sua conceituação e suas práticas educativas, em especial na América Latina, Brasil e Mato Grosso e em seguida apontar a atuação do (a) profissional do Serviço Social nesta perspectiva. Primeiramente temos que ter como pressuposto básico uma concepção de educação que não se restringe ao aprendizado de conteúdos específicos transmitidos através de técnicas, instrumentos do processo pedagógico, pois a educação popular é efetivada não só nos espaços institucionalizados, como a escola, como também nos espaços não institucionalizados, como os Movimentos Sociais, associações de moradores, grupos de mulheres, ONGs etc.
Verifica-se que o principal objeto de educação popular e a mobilização e organização das classes populares a fim de auxiliar na criação de um poder popular. Ao analisar o código de ética profissional do (a) Assistente Social, verifica-se uma relação entre o mesmo e a educação popular, pois o 6° principio afirma que "opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, etnia e gênero" (Código de ética Profissional: 1993).
1.0 A educação e seu desenvolvimento Histórico e a Institucionalização do Serviço Social
Na sociedade capitalista, o processo de educar caracteriza-se em sua essencialidade como uma transferência de conhecimento e valores de uma classe para outra, com o objetivo de fazer com que as classes dominadas se ajustem aos interesses da classe dominante.
Na década de 20 é que começa a levantar a questão da formação de educadores, havendo uma orientação da expansão do ensino e ampliando a educação nas camadas subalterna. A perspectiva mais profunda que envolvi esta proposta era a aristocrática no sentido de educar o povo, devido ao medo que se tinha dos mesmos como massa. MAGALHÃES (1981:46).
Verifica-se que nesta perspectiva, o problema das massas subalternas era de "educação". As ditas elites deviam conduzir as massas transformando-as em cidadãos educados e "civilizados". Nessa perspectiva não existe um saber popular.
Segundo MAGALHÃES (1981), neste contexto, década de 30, a institucionalização do Serviço Social, como profissão marcada por essa perspectiva aristocrática de educação. Propõe a formação de profissionais que promova os ajustamentos sociais, evitando focos de conflitos que ameaçam o equilíbrio da sociedade. Nos programas assistenciais está implícito a idéia que a população é "inconsciente" necessitando de serem conduzidas e amparadas, pelos Assistentes Sociais, sendo assim nessa perspectiva, não se coloca a questão da existência do saber popular.
Em contra partida, existem outras tendências em educação, que parte da premissa da existência de uma cultura, de um saber popular, dentre tais, cabe ressalvar FREIRE.
Segundo MACIEL (2002:155), sobressai-se na década de 70 e 80, em toda a América Latina, no contexto histórico dos processos de democratização das relações Estado/Sociedade, propostas de educação popular. Apontando uma alternativa pedagógica do trabalho social junto às classes trabalhadoras.
Essa tendência terá como conseqüência o redirecionamento da relação profissional com os setores populares, onde a troca de saberes entre o profissional e os segmentos das classes subalternos é o principio fundamental.
2.0 Conceituando Educação Popular
A palavra popular origina do " latin populare que significa aquilo que é relativo ao povo, pertencente ao povo, próprio do povo" SILVA:1986). Porém, pode-se verificar que na contemporaneidade o termo povo ou popular é tomada como duas perspectivas que se opõe: exclusão (os "ricos" fazem questão de serem excluídos do "povão", daquilo é popular) e inclusão (os "pobres" identificam-se como parte deste "povão").Essa divisão é fruto da própria sociedade de classes.
A união dos
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