A AUTORIZAÇÃO DA DIFERENÇA DE PESSOAS COM DEFICIENCIA
ACE
2008
O que é tido como ideal? Qual é a percepção social das diferenças de pessoas com deficiências? Cada pessoa tem atributos que diferem uma das outras como, por exemplo, a cor do cabelo, dos olhos e a estatura; sem que isso interfira nas relações interpessoais e nem gerem estigmas. Mas quando a dessemelhança se dá por outros aspectos sejam eles físicos ou mentais geralmente a pessoa foge deste ideal de ser humano e gera estigmas. Pessoas com deficiências provocam reações emocionais cujas proporções são surpreendentes; compaixão, temor, angústia, medo e piedade entre outros. O deficiente é visto como diminuído, retardado, doente, mutilado e incapaz. Essas concepções são compartilhadas pelo senso comum e nos remete a uma imagem social da pessoa com deficiência que é vista ao mesmo tempo como debilitada, frágil e que serve como exemplo de força de vontade e coragem diante dos obstáculos que eles encontram na vida.
A condição de deficiente é apontada como algo anormal, fora do comum, excepcional e geralmente ele é visto como um ser incapaz e invalido. Não raro, estas pessoas são tratadas como inferiores, subalternos e infantis e são sujeitas ao sentimentalismo de comiseração. Todos nós possuímos deficiências, pois, se não a tivéssemos seriamos perfeitos, seríamos Deus. Uma das mais graves deficiências seria a da ordem do caráter, sobretudo quando se trata da falta de respeito para com a pessoa humana. Um surdo é chamado de deficiente, mas a sociedade que não incorporou no currículo escolar a linguagem de libras, não é deficiente? Um cego é chamado de deficiente, mas a sociedade que não possibilita a linguagem do Braille, não é deficiente?
É normal hoje em dia lermos artigos em torno do “ser ou não ser” deficiente, da “adequação ou não” de inseri-los na categoria de necessidades especiais; da “importância ou não” de diferenciar as necessidades especiais das necessidades educacionais especiais. A maior deficiência da sociedade é o preconceito.
Referência:
Edler Carvalho, Rosita. Educação Inclusiva: com os pingos nos “is”. Porto Alegre. Mediação, 2004.
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