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Análise do Filme - A Vila

Trabalho por Raquel Vieira de Oliveira, estudante de Psicologia @ , Em 26/08/2006

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A VILA


Em 1897 uma vila parece ser o local ideal para se viver: tranqüila, isolada e com os moradores vivendo em harmonia. Porém este local perfeito passa por mudanças quando os habitantes descobrem que o bosque que os cerca esconde uma raça de misteriosas e perigosas criaturas, por eles chamados de "Aqueles de Quem Não Falamos". O medo de ser a próxima vítima destas criaturas faz com que nenhum habitante da vila se arrisque a entrar no bosque.


Apesar dos constantes avisos do líder local, e de sua mãe, o jovem Lucius Hunt tem um grande desejo de ultrapassar os limites da vida rumo ao desconhecido. Lucius é apaixonado por Ivy Walker, uma jovem cega que também atrai a atenção do desequilibrado Noah Percy. O amor de Noah termina por colocar a vida de Ivy em perigo, fazendo com que verdades sejam reveladas.

Toda uma série de mentiras é criada para preservar a "sociedade"idealizada por um grupo de pessoas. Essas pessoas tiveram algum ente querido assassinado de forma brutal pela violência da cidade e decidiram refugiar-se em um pequeno vale, cercado por uma floresta, na qual, segundo os livros de história, vivem criaturas míticas assombrosas. Eles formam uma comunidade utópica de pessoas trabalhadoras e tementes a Deus que vivem longe das "cidades", termo que usam para referir-se ao resto do mundo.

Segundo os anciões, que são as pessoas que formaram a "comunidade", ninguém

deve entrar na floresta, pois ela é habitada por seres perigosos que os moradores da vila devem manter à distância com a ajuda de um código de cores que exclui o vermelho e identifica a segurança no amarelo. Tochas iluminam o perímetro da vila à noite, e um guarda noturno faz a vigília na torre. Quando o guarda vê alguma criatura invadindo os limites da vila, ele toca um sino e toda a comunidade se esconde nos porões, para se proteger, até que as criaturas deixem a vila.

Mas todo esse clima de medo e segredos fora criada pelos anciões para manter ali as suas famílias, protegendo-as assim, do resto do mundo.

Segundo o texto de Reinaldo Dias: "é a cultura que estabelece os limites no qual se desenvolve toda a ação social" e o mesmo texto ainda diz que: "A cultura é construída e compartilhada pelos membros de uma determinada coletividade. Um grupo social compartilha entre seus membros os mesmos hábitos, costumes, atitudes, etc." Sendo assim, eles construíram uma realidade ali, partilhada apenas por eles mesmos, para manter suas famílias a salvo da violência do mundo.

Segundo Reinaldo Dias: "As pessoas adquirem cultura ao longo do tempo e por meio de sua participação em um ou vários grupos num processo conhecido como ‘socialização’. Ela é sempre compartilhada: quem possui uma determinada cultura a transmite aos outros membros do grupo. O indivíduo adquire cultura por meio da interação com outras pessoas, e a consolida exercitando-a com os outros." É isso o que acontece no filme, essa cultura "idealizada" por eles, é transmitida aos outros membros da comunidade para que ela possa manter-se viva. Por isso eles preservam tanto Lucius e Ivy, porque eles são líderes natos e somente os dois poderiam perpetuar essa "sociedade" idealizada pelos anciões. Não existe interação com outros grupos sociais, pelo contrário, o que eles desejam é que esse contato não exista jamais, para que o objetivo deles seja mantido.