A Casa do Delírio
As pessoas vivem no hospício/manicômio, sofre com uma rotina entorpecente e as punições desumanas. As pessoas com diversos tipos de transtorno mental conviviam no mesmo local. Muitos não tinham consciência do seu corpo, eram encontradas entre eles dezenas nuas pelos pavilhões. Não existia higiene e a maioria defecava em público no mesmo chão, o esgoto era aberto no meio do manicômio, a água é podre e vários internos bebiam, comiam em cochos e dormiam em cima de capim.
O hospício ao invés de recuperar, confirma e reforça a doença mental. Tratando-se de uma "instituição total", o hospício traz embutido em seu papel o lento processo de "mortificação do Ego" dos nele internados. Isso ocorre devido á perda da identidade que se origina quando é despojado de todos os seus pertences, que são a perda do contato com o mundo exterior, tendo dias marcados para as visitas, que mesmo assim são geralmente controladas pela administração; o ócio forçado; a atitude autoritária de médicos e do pessoal da enfermagem e a perda do sentido do tempo. Assim, a loucura é entendida como uma produção psicopatológica onde o doente se refugia a fim de escapar de uma realidade social insuportável.
A solução para combater esse problema, que aflige a maioria das familias de pacientes e, até mesmo o próprio paciente, seria articular uma luta anti-manicomial. É um movimento por uma sociedade sem manicômios e pelos plenos direitos de cidadãos das pessoas que sofrem de transtornos mentais: de não serem isoladas, abrigadas e maltratadas em hospitais psiquiátricos, de conviverem em sociedade, de serem cuidados em serviços abertos, de morarem com suas famílias em suas casas. Temos que todos nos unir e vencer essa guerra.
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