ADOLESCÊNCIA
Fase da vida onde o indivíduo não é mais uma criança do ponto de vista físico e emocional que caracteriza a vida adulta. Buhler considera a adolescência como a segunda parte da puberdade, mas reconhece não ser possível determinar com grande precisão os limites entre os dois períodos.
A adolescência representa uma fase típica de dicotomia e dualismo em que o indivíduo, sentindo-se adulto, experimenta a necessidade de maior liberdade e auto-afirmação, mas em sua procura de realização sente-se constrangido por uma série de limitações pessoais e princípios sociais. É, portanto, uma fase de ajuste ou desajuste, pois como diz Hurloch, a adolescência é um período de transição e mudanças que requer grande esforço de adaptação.
Não se deve, porém exagerar esse aspecto turbulento da adolescência e, sobre tudo, não se pode generaliza-la e colocar sob esse rótulo todos os jovens do mundo. A concepção de que a adolescência é necessariamente um período de lutas, dificuldades e atritos vem sendo reestudadas a partir de pesquisas realizadas por antropólogos em determinadas culturas, tanto primitivas como bastante desenvolvidas, onde se verificou que a passagem da infância para a maturidade realiza-se de maneiras bastante suave, com pressões externas menos violentas, possibilitando ao indivíduo uma tomada de consciência progressiva e, conseqüentemente, um ajustamento mais fácil à nova fase de sua existência.
Para Mead e outros antropólogos, com efeito, as sociedades que negam, ou regulam o sexo e outras atividades apresentam mais marcantes os problemas da adolescência, a que Mall classificou como o período de "storm and stress". É esse o caso da sociedade latino-americana, onde o sexo é ainda considerado geralmente como um tabu.
Além disso, o sexo não é o único fator de dificuldades e conflitos na adolescência. A falta de perspectiva no futuro, a carência de uma formação psicológica e moral para enfrentar com otimismo e segurança as novas dificuldades que vão aparecendo no decorrer da existência e, de modo especial, nos umbrais da vida adulta, são grandes responsáveis pelos conflitos dos nossos adolescentes. Em nossa cultura, a adolescência é uma das mais difíceis fases da vida. A falta de orientação pedagógica por parte dos pais vem agravar o problema. Os jovens notam, com efeito, incoerência no tratamento que recebem em casa, onde são considerados ora como crianças, geralmente quando se trata de negar-lhes alguma coisa, ora como adultos, quando se trata de repreender um comportamento extravagante ou irresponsável.
Todos esses elementos coercitivos de nossa sociedade estão, portanto, à base das dificuldades encontradas pelos adolescentes de nossa cultura. Nesse ambiente de coerção, verifica-se um esforço contínuo na busca de novos caminhos e na procura constante de si mesmo. Começa então a surgir pouco a pouco o conceito de individualidade que não existia no tempo de criança. É a continuação do processo de libertação que se manifesta passo a passo com o desenvolvimento do eu fenomenológico do indivíduo. Quando o indivíduo nasce, há, com efeito, uma dependência praticamente total e o próprio nascimento significa, por assim dizer, o resultado da primeira manifestação do desejo e da necessidade de liberdade. Essas crises provocadas pelo desejo de liberdade que se traduzem em constantes lutas para abrir novos horizontes pela destruição de barreiras que bloqueiam e dificultam o processo de emancipação do individuo, vão se acentuando pouco a pouco. A capacidade crescente de relembrar as dificuldades do passado e prever problemas futuros torna as crises cada vez mais freqüentes, culminando puberdade com a segunda fase problemática da emancipação.
A solução dos problemas da adolescência depende em linha direta da maneira pela qual foram resolvidas as dificuldades da infância. O adolescente pode auto-aceitar-se ou auto-rejeitar-se segundo o conceito que faz de si mesmo. Geralmente a criança que foi bem aceita será um adolescente
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