A CAUSA SECRETA (Um conto de Machado de Assis)
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TRECHO DESTACADO |
COMENTÁRIO |
CID-10 REFERÊNCIA |
| Quando Fortunato assistiu à peça o autor observa que nos "lances dolorosos" a atenção dele redobrava. | Primeiro indício de sadismo de Fortunato, que vai se definir em outros trechos. | 60.2 T.P. Anti-social;
* Crueldade e sadismo; |
| Garcia segue Fortunato e vê que "ia devagar, cabisbaixo, parando às vezes para dar uma bengalada em algum cão que dormia; o cão ficava ganindo e ele ia andando". | Indício de sadismo já se definindo. | 60.2 T.P Anti-social;
* Crueldade e sadismo; |
| Fortunato metera-se a estudar anatomia e fisiologia nas horas vagas em rasgar e envenenar gatos e cães. Como os guinchos dos animais atordoavam os doentes, mudou o laboratório. | O quadro de crueldade e sadismo vai-se formando. Estaria encoberto o sadismo pelo interesse científico se outros elementos não apontassem para esse desvio. | 60.2 T.P Anti-social;
* Crueldade e sadismo; |
| Fortunato pegou um rato, amarrou-o pela cauda acima de um prato com álcool em chamas, e ia cortando as patas do rato e descendo-o até o fogo, torturando-o sem mata-lo, e quando já ia cortar a terceira Garcia, horrorizado, mando-o mata-lo. Ele ainda não atendeu. Cortou mais uma pata do rato e chamuscou mais uma vez "o miserável estorcia-se, guinchando, ensangüentado e não acabava de morrer". Quando o rato caiu no fogo, Fortunato ainda tentou tira-lo para continuar a tortura, tinha uma expressão de prazer, e ainda cortou o focinho do rato com o último ato.
Garcia entendeu "Castiga sem raiva, pela necessidade de achar uma sensação de prazer, que só a dor alheia lhe pode dar. O sadismo revela-se mesmo no final, quando ele se delicia com o sofrimento do amigo Garcia pela morte de sua própria (Fortunato) esposa". |
Aqui o quadro de crueldade e sadismo está completo e vai explicar a personalidade de Fortunato, esclarecendo que os atos de ajuda e dedicação às pessoas feridas e doentes que ele pratica em várias partes do conto, inclusive abrindo com Garcia uma clínica, na qual ele "não recuava diante de nada, não conhecia moléstia aflitiva ou repelente, e estava sempre pronto para tudo". Fazendo questão de usar os cáusticos (remédios que queimam), não eram motivados por sentimentos humanistas, mas sim pelo prazer de ver o sofrimento do outro. | 60.2 T.P Anti-social;
* Crueldade e sadismo; |
| Em vários pontos, observando a dor alheia, Fortunato apresentava uma absoluta frieza, como quando Garcia descreve que "viu-o sentar-se tranqüilo e fitar os olhos do ferido.Os olhos de Fortunato tinham expressão dura, seca e fria". Ou quando chamou sua mulher de fracalhona, por ter-se impressionado com o sacrifício de rato. E quando acompanhou a doença da mulher até a sua morte, bebendo suas aflições (faminto de sensações, não lhe perdoou um só minuto de agonia, nem lhos pagou com uma só lágrima, pública ou íntima). | A frieza emocional que se revela em vários pontos de narrativa normalmente acompanha a personalidade cruel e sádica, parecendo que os dominantes são a crueldade e o sadismo e a frieza emocional apenas um componente. | 6.01 P. Esquizóide;
* Frieza emocional; |
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