A CLÍNICA DA DEPRESSÃO SINDROME DO PÂNICO E ESTADOS PSICÓTICOS
Brasília
2004
OBJETIVO
Apresentar uma síntese dos temas abordados, conceitos apresentados e opinião sobre o conteúdo do curso, estabelecendo uma conexão com a minha experiência clínica, principalmente a respeito da abordagem da depressão, campo onde tenho tido uma demanda muito acentuada e que me levou a realizar esse curso.
INTRODUÇÃO
Ao receber o folder do Ciclo Ceap apresentando os cursos do segundo semestre de 2004, serem realizados em Brasília, comecei a analisar um por um para discernir qual curso poderia atender meu anseio de ampliar meus conhecimentos, todos os temas me chamaram muito a atenção, até me deparar com o tema: A clínica da depressão síndrome do pânico e estados psicóticos. O fator decisivo foi o perfil profissional da ministrante, psicanalista com uma abordagem kleiniana.Fiquei curioso e feliz, pois por também ser psicanalista e adepto da escola Britânica, tinha certeza de ter encontrado o tema que supriria minhas necessidades de busca por um aprimoramento.
Resolvi centrar nesse trabalho um foco específico sobre um dos temas do curso em questão: A DEPRESSÃO, o motivo que me levou a focar esse tema é a grande demanda em meus atendimentos clínicos. Essa demanda sintomatológica depressiva já estava me chamando a atenção a algum tempo pelo seu caráter não excludente, ela não poupa nenhuma classe social, idade, sexo ou seja, não existe uma segmentação grupal. Talvez esse caráter da depressão é que a faz ser considerada por muitos como o mal do século.
Do ponto de vista etimológico a palavra depressão e composta de dois vocábulos do latim: de ( para baixo) e premere ( pressionar ) . Esse significado etimológico reflete bem o estado a que é remetido o sujeito acometido pela depressão, um estado de pressão para baixo, uma impotência invisível, com um potencial sobre comum de paralisia do sujeito afetado.
A partir dos conceitos apresentados no curso, brilhantemente, pela professora Bernadette Biaggi, a luz da escola Britânica, com ênfase em autores como Melanie Klein, Bion e Winnicott. Desenvolvi uma metáfora para explicar o caminho traçado pelo surgimento da depressão e a condução clínica de um caso de estado depressivo, ressaltando que essa abordagem se refere especificamente a depressão neurótica, já que a depressão psicótica necessita de uma outra abordagem, por se tratar de um quadro com sintomatologia e evolução diferenciados e com uma necessidade incontestável de associação com a terapia medicamentosa.
A DEPRESSÃO COMO UM MONSTRO
Resolvi adotar essa metáfora e abordar a depressão como um monstro, em função do alto grau de sofrimento que um quadro depressivo imputa ao sujeito acometido. E também por querer lhe conceder o caráter de um organismo vivo, que precisa se alimentar para viver. E nessa abordagem metafórica discutir como surge esse monstro, de que ele se alimenta, e como não poderia deixar de ser, como lidar com esse evento dentro de uma abordagem clínica psicanalítica.
Quando da instalação de um quadro depressivo uma característica que é constante é a falta de energia, e como se houvesse uma desconexão do sujeito com o mundo objetal, uma nova ordem de economia psíquica é instalada e um movimento de comprime e suprime reduz o investimento libidinal a quase zero. No texto Luto e Melancolia, Freud descreve o empobrecimento do ego como uma conseqüência do quadro melancólico, e faz uma contraposição a situação de luto onde o mundo é que se torna vazio ao sujeito. Através desse exemplo podemos ter um idéia do movimento da libido em um quadro depressivo e como se a pressão para baixo esvaziasse o ego de qualquer investimento libidinal em si mesmo, tornando o
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