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A Dinâmica da Transferência

Trabalho por Sérgio de Almeida França, estudante de Psicologia @ , Em 02/09/2004

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A Dinâmica da Transferência


Considerações sobre a transferência

Creio que foi em 1893 que, pela primeira vez, Freud mencionou a transferência, começando a reconhecê-la enquanto obstáculo e instrumento fundamental da técnica psicanalítica. Em estudos sobre a Histeria (1895) Vol. II, Freud tornou publica a idéia de transferência, aparecendo no sentido psicanalítico, voltando a falar sobre o assinto na analise Dora (1905). Mas suas principais considerações sobre o tema se encentram no artigo A Dinâmica da Transferência (1912) e em Observações sobre o Amor Transferencial (1925). Em 1937, Freud ainda abordou o assunto em Analise Terminavel e Interminável.

Em Cinco Lições de Psicanálise (1910) Vol. XI, Freud salientou o fato de que sempre que tratava um paciente neurótico surgia nele (no paciente) o "estranho fenômeno chamado transferência", ou seja, o analisando dirigia ao analista tanto sentimentos afetuosos, quanto hostis, sentimentos não justificados na analise, e que deviam se originar de antigas fantasias inconscientes. Os sentimentos sexuais cuja lembrança o analisando não conseguia ter, tais sentimentos justamente eram vividos nas relações com o analista: eram prontamente dirigidos ao analista. A essa altura, Freud reconhece o fenômeno da transferência como decisivo , "verdadeiramente veículo da ação terapêutica, agindo tanto mais fortemente quanto menos se pensa em sua existência.

Na Dinâmica da Transferência (1912), Freud reitera a tensão libidinal parcialmente insatisfeita, se encontra pronta por antecipação, dirigindo-se à figura do analista , sendo a transferência elaborada tanto pelas idéias antecipadas conscientes quanto por aquelas que foram retidas ou que são inconscientes. "...a transferência é ela própria, apenas um fragmento da repetição, e a repetição é uma transferência do passado esquecido." A transferência faz com que a libido torne-se acessível à consciência; neste ponto, todas as forças aparecerão como resistência ao trabalho da análise, de modo que toda a intensidade e persistência da transferência são efeito e expressão da resistência. O primeiro passo para superar a resistência se deve ao fato do analista revela-la ao paciente. Embora as pessoas tenham capacidade de dirigir pulsões libidinais às outras, esta tendência aumenta muito na transferência psicanalítica. O amor trasferencial é: 1) provocado pela situação analítica ; 2) intensificado pela resistência 3) não corresponde à situações da realidade.

Em Recordar, Repetir e Elaborar (1914), o manejo da transferência é o instrumento principal para reprimir a compulsão do paciente à repetição e transforma-la em motivo para recordar, criando-se a neurose de transferência, o que dá um novo significado aos sintomas. Nova condição, com todas as características da neurose, mas representando uma doença artificial, acessível à intervenção. Só se pode considerar a transferência como psicanalítica, se a sua intensidade for usada para superação das resistências. O estado prévio para a transferência é o estado de investimento libidinal pronto para dirigir-se ao analista, sendo esta a "disposição" do analisando que começa uma analise. Então, a transferência analítica é decidida no poder de ser afetado em ato pela pulsão,, sendo analisável todo individuo que pode vir a sofrer com a sua pulsão.

O conceito lacaniano de transferência se fundamenta na função do sujeito suposto a saber; em torno do qual se articula tudo o que se relaciona com a transferência: inconsciente, repetição e pulsão. Como diz Lacan, a "transferência é atualização da realidade do inconsciente". Quer dizer, a transferência é a presença do passado, e mais que presença, é reprodução, se manifestando na relação com alguém a quem se fala. Se Freud disse ser a transferência fenômeno ligado à natureza da própria doença, e não necessariamente à situação psicanalítica, Lacan com a teoria do sujeito suposto saber, a situa como conseqüência da estrutura da situação analítica, do discurso analítico. O queme faz pensar tal situação como um lugar privilegiado, em que o paciente dirige sua demanda de amor ao analista. Este, por sua vez, "responde" pelo manejo da transferência, e não por esperadas respostas de amor. O analista maneja