Fazer pesquisa em uma ou mais carreiras específicas:

Administração Agronomia Arquitetura Arquivologia Arte Astronomia Biblioteconomia Biologia
Bioquímica Cinema Ciências Sociais Colegial Comunicação Contabilidade Desenho Industrial Direito
Diversos Economia Educação Física Enfermagem Engenharia Estatística Farmácia Filosofia
Fisioterapia Fonoaudiologia Geografia História Hotelaria Informática Letras Marketing
Medicina Nutrição Odontologia Pedagogia Produção Cultural Psicologia Química Rel. Internacionais
Secretariado Executivo Serviço Social Terapia Ocupacional Turismo Veterinária Zootecnia


Compartilhe

Tag Cloud

Como Aprender a Perguntar

Trabalho por Vicente Martins, estudante de Pedagogia @ , Em 22/04/2003

5

Tamanho da fonte: a- A+

A ARTE DE PERGUNTAR

Vicente Martins

Sobre o Autor: 

Professor Assistente de Língua Portuguesa e Lingüística dos Cursos de Letras e Pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Mestrado em Educação Brasileira pela UFC. Coordena, desde 1995, o Núcleo de Estudos Lingüísticos e Sociais(NELSO/UVA).

E-mail: vicente.martins@uol.com.br

URL: http://sites.uol.com.br/vicente.martins/


Resumo:
 

O presente texto é uma contribuição à lingüística pedagógica. A formulação de perguntas expressivas não é uma eficiente estratégia para racionalizar o tempo e favorecer a participação dos alunos nos seminários? O texto procura responder a esta questão inicial e apresentar de algumas técnicas de elaboração de perguntas expressivas, de modo a favorecer, durante as realização dos encontros pedagógicos, a objetividade, a simplicidade, a clareza e a gramaticalidade dos questionamentos.


1 - Quem pergunta, conhece melhor

A partir das observações que fizemos dos encontros pedagógicos, no magistério da educação básica e superior, nos últimos 15 anos, proporíamos algumas questões preliminares para nossa reflexão:

a) é possível, tecnicamente, aprimorarmos a elaboração das perguntas no momento de uma palestra? b) existiria, assim, uma técnica de perguntar? c) Como transformar uma indagação, durante um seminário de estudo, em uma pergunta expressiva? d) Como se estrutura eficazmente a frase com que se interroga um palestrante ou um conferencista? e) Por que é importante o exercício de perguntar na educação escolar? Comecemos, então, por esta última questão e apresentemos a seguir alguns tipos de pergunta a seguir.

Um dos maiores equívocos que um palestrante pode cometer contra sua assistência é o de acreditar que os participantes do seminário só aprendem quando prestam atenção a toda informação que os mesmos transmitem. Isso gera uma atuação passiva dos participantes e a conseqüente aceitação automática das idéias e valores dos conferencistas.

Criar um comportamento passivo na platéia não é peculiar a conferencistas autocráticos, mas a boa parte dos docentes da educação escolar, que vão do ensino fundamental à pós-graduação. Ao contrário de serem estimulados, através das perguntas, a indagar a respeito do sentido da realidade que os cerca, geralmente os alunos ou espectadores tendem a ter um comportamento meramente passivo. Quando, depois de uma conferência ou aula, o auditório não faz uma pergunta ao conferencista, com certeza, os espectadores não encontraram sentido do tema na sua prática social ou em suas vidas. Perguntar é uma forma de conhecer a verdade, de dá sentido ou validade à abordagem e tema transmitidos durante uma palestra ou aula.

Em seminários temáticos, com uma certa freqüência, se tem constatado que muitos alunos ainda têm resistência ou sofrem inibição na hora de perguntar. Por trás de toda inibição está, em geral, uma forma retaliação ou interdição do corpo (aquele "cala boca, menino", da época escolar). Na educação escolar, é comum encontrar situação em que o professor adverte o aluno para não perguntar muito como forma de não "atrapalhar" o andamento da aula. Depois de um onze anos nesse processo de inculcação escolar, o aluno teme que perguntar ou expressar honestamente suas opiniões corre o risco de ser retaliado, reprovado ou expulso da sala.

Quem ministra aulas ou profere conferências, com titulação universitária ou com muitos anos de experiência na área em que atua, reluta em aceitar que os alunos encontrem, por si mesmo, o que é verdadeiro. Durante uma aula ou conferência, o ato de transmitir ou "ensinar" um conceito, um princípio ou dar uma "resposta na ponta da língua" não é mais importante do que levar o aluno a refletir como e por que chegou à determinada conclusão.

É o exercício de perguntar que transforma