Resenha de Filme: Freud Além da Alma
Universidade de Uberaba
2009
Filme: Freud Além da Alma
(Freud Além da Alma). EUA, 1962. Dir. John Huston.
Por Márcia Regina Pires, Marília de Dirceu Cachapuz Daher e Waleska Dayse de Sousa1.
O filme Freud Além da Alma, criado em 1962, com a direção do famoso cineasta John Huston e produzido nos EUA, foi impactante na época de sua criação sendo considerado, até nos dias atuais um clássico. O filme aborda um dos momentos cruciais da trajetória do médico Freud, e por isso, é estudado nos âmbitos de ensino acadêmico, tanto pelas ciências exatas como a medicina, quanto pelas ciências humanas, dentre elas a Psicologia e a Pedagogia.
Sigmund Freud é considerado um dos grandes pensadores do século XX, por ter deflagrado um novo olhar nos estudos sobre o ser humano. Seus estudos desvelaram a importância do inconsciente na análise dos comportamentos e contribuíram significativamente para a cura de doenças mentais, por meio da psicanálise - ciência que inaugurou.
Freud nasceu em 1856, falecendo em 1939. Em 1900, ele apresentou a primeira concepção sobre a estrutura e o funcionamento da personalidade. No filme, uma das cenas que mostra esse período é a que Freud assiste uma demonstração do tratamento dado aos doentes mentais do dr. Charcot, que realizava seus estudos sobre a histeria em Paris, por meio da hipnose. Dois pacientes que sofrem de histeria são hipnotizados pelo médico que sugere a eles que obedecendo a sua ordem deixem de apresentar os sintomas físicos que tinham no momento - em um dos pacientes a paralisia das pernas e em outro um tremor generalizado em todo corpo. A seguir, ainda sob os efeitos da hipnose, os mesmos pacientes, atendendo inconscientemente as ordens do médico, trocam suas enfermidades. Charcot explica aos médicos presentes, dentre eles Freud, que os sintomas das enfermidades só têm cura enquanto dura o efeito da hipnose. Nessa cena, é possível perceber a incredulidade dos médicos que a assistem, embora sejam discípulos de Charcot.
Essa incredulidade é esperável, considerando a sociedade da época que era cartesiana, capitalista, voltada para a racionalidade. O afrontamento, além de social, era religioso, uma vez que a Igreja Católica não acolhia tais métodos e concepções. Sob esse ambiente conflituoso e de pouca liberdade brota os primeiros estudos do inconsciente por Freud, que apoiou-se nos experimentos de Charcot.
O penoso estudo iniciado por Freud foi interrompido, uma vez que ele sente o peso dos preconceitos advindos da sociedade e de seu mestre, além disso, ele receia as descobertas advindas de sua subjetividade.
A interrupção é brevemente desconsiderada pelo próprio Freud que atende a um pedido de seu mestre. Na cena desse momento, Freud é chamado às pressas pelo mestre, dono do hospital, em que trabalhava no início da carreira e que o ridicularizava pelas idéias que defendia em seus estudos sobre o inconsciente. Ele está a beira da morte e pede para lhe falar. Freud não entende, a princípio porque aquele médico o chama, já que tinha tantas críticas às suas crenças profissionais. O antigo chefe, então, revela para Freud que também sofre de histeria, mal que escondeu de todos a vida inteira por medo de ser condenado a um manicômio ou ser tachado de louco, como sempre fez com os próprios pacientes que para ele não tinham cura. Ele pede para que Freud dê continuidade aos seus estudos, já que nessa época ele havia deixado-os de lado por medo das conclusões que estava obtendo.
Diz ainda que os histéricos formam uma grande legião que vive à sombra, sofrendo profundamente deste mal, graças ao preconceito que certamente teriam que enfrentar, caso se manifestassem. O velho médico a beira da morte diz para Freud, que além de
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