A Armadilha da Ciência e da Tecnologia
Unijuí - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
2007
Vivemos na era da globalização, onde diariamente a ciência e a tecnologia ofertam à humanidade verdadeiras maravilhas, as quais surpreendem pelo seu grau de complexibilidade e desenvolvimento. Mas, será que tudo o que é feito é realmente benéfico ao ser humano?
Qual é o papel que caberá ao homem neste mundo robotizado que está sendo construído dia-a-dia? Preocupados com questões assim e também quanto ao próprio futuro da humanidade sobre a terra, os estudiosos Alan Chalmers, Edgar Morin e Régis de Morais tecem uma série de análises e considerações, as quais serão vistas e interpretadas nas páginas que seguem.
Desde sempre a ciência desempenhou um papel de grande importância para humanidade, sendo capaz de lhe proporcionar substanciais melhorias na sua qualidade de vida, o fim de muitas doenças, a criação de utilidades práticas e necessárias, etc, mas também foi a principal responsável por muitas tragédias humanas e desastres ecológicos. Temeroso com esse lado negativo que a ciência pode vir a ter, Chalmers chama a atenção sobre a manipulação dos estudos científicos e seu alcance sócio-político, em seu texto a dimensão social e política da ciência.
De acordo com o autor, o objetivo principal das ciências naturais é ampliar a compreensão que o homem tem sobre o mundo que o cerca. Percebe-se que Chalmers acredita que, apesar de que não exista nenhuma receita universal de se alcançar esse conhecimento, e apesar de que outros objetivos e até mesmo equívocos possam atrapalhar essa busca, geralmente o saber pretendido é alcançado.
Paralelamente, o autor não considera a ciência contemporânea livre de influências políticas e sociais, mas, ao contrário, interligada a elas. Assim, apesar de que os estudos científicos são diferentes de outras metas e avaliações, não conseguem se manter separados dos fatores político-sociais que estão a sua volta.
Seguindo a sua linha de pensamento, o autor questiona a escolha de determinada teoria para comprovar um estudo científico. Para ele, a racionalidade não é suficiente para explicar porque uma teoria foi utilizada em detrimento a outra, e esclarece que até mesmo na comunidade de cientistas não se consegue chegar a um consenso sobre questões assim.
De acordo com Chalmers, muitas vezes vários cientistas estudam um único tema, valendo-se cada qual de sua própria teoria sem se importar com as teorias de seus colegas. Assim, graças a essa fragmentação e isolamento no ato de estudar, muitos pesquisadores perdem a oportunidade de alcançar grandes descobertas, as quais seriam possíveis se as teorias e, conseqüentemente, o conhecimento fosse compartilhado.
Percebe-se que Chalmers é da opinião de que o processo científico se dá com o entrecruzamento de teorias e, principalmente, pelo choque que por vezes ocorre entre elas. Desta forma, teorias contrárias sobre um mesmo estudo vão combater-se entre si até que aquela que apresentar maiores probabilidades de que está certa vença e seja aceita como a mais correta em uma época e momento específico.
Porém, nada impede que esta mesma teoria, tempos depois, graças a novas descobertas, recursos e conhecimentos adquiridos, seja desacreditada e passe a prevalecer outra, que oferece então maiores chances de ser verídica. A partir daí conclui-se que o conhecimento nunca é estático e acabado: ele se refaz e se transforma continuamente.
Quanto à aceitação de uma teoria científica como uma averdade, o autor recorre à socióloga Knorrcetina para dizer que a valorização de determinada teoria se sucede no próprio ambiente em que ela é estudada. Assim, a aceitação de uma idéia científica não depende da opinião do grande público, que fica alheio aos experimentos passados em laboratórios e demais campos de estudo da ciência, mas da própria comunidade científica responsável por esses estudos.
E, complementa, uma das formas
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