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Você é um Analfabeto?

Trabalho por Josemar Monteiro de Oliveira, estudante de Letras @ , Em 22/04/2003

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VOCÊ É UM ANALFABETO?


UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA

Deu-se a categoria "analfabeto" o sentido figurado de " aquele que desconhece (ou não sabe nada) determinado tema. Diz-se portanto: sou um analfabeto em termos de mecânica de automóveis, sou um analfabeto no que diz respeito a fazer pão ou em outra qualquer área.

Mas num contexto mais literal; quem de fato é analfabeto ? você por acaso responderia que é aquele que não lê nem escreve ? para se ter um melhor conceito do que é ser um analfabeto observemos o que nos diz a história.

" Até bem entrado o século XIX era bastante usual saber ler e não escrever, em especial entre as mulheres. As duas aprendizagens não eram simultâneas, mas sucessivas. A Segunda exigia mais tempo e dinheiro que a primeira. Escrever, além disso era considerado, para o sexo feminino, uma atividade moralmente mais perigosa. Havia, pois, muitos alfabetizados que podiam receber mensagens escritas, ler textos elaborados por outros, mas não comunicar-se por escrito, produzir textos (...) este não é o nosso caso dir-se-á. Eis aí outra avaliação errada. Se nos transportarmos ao Irã, Japão ou Rússia iremos os sentir como se fossemos analfabetos. Realmente o somos. Não podemos ler – decifrar – o nome de uma rua, um anúncio ou letreiro, instruções ou um cartaz em Árabe, Kanji, Kana ou Cirílico. Poderemos , com o tempo , reter algumas formas ou traços repetidos e memorizar seu significado. Mas nada mais. Se viajarmos à Turquia ou Hungria poderemos ler, sim (aí se utiliza a escrita greco-latina, nosso alfabeto), mas pouco ou nada entenderemos. Identificaremos as letras e até mesmo poderemos conseguir lê-las – se conhecermos sua correspondência fonética - , não saberemos o que significam."

Conclui-se portanto que o analfabeto não está explicitamente ligado a decifrar ou não as letras as sílabas e os vocábulos mas que mesmo lendo podemos chegar a conclusão de que somos analfabetos. "Analfabeto já não é quem não sabe ler e escrever, mas também aquele que , sabendo, é incapaz de compreender ou redigir um texto determinado."O que M. Perine chama de analfabeto funcional, um analfabetismo muito mais comum do que se possa imaginar.

Mesmo sendo um ótimo leitor em determinada área, ao me deparar com um texto, que não é de minha competência científica, posso transformar-me em um analfabeto, mesmo sabendo decifrar as letras e até sua correspondência fonética. Em algum aspecto somos todos analfabetos e isso devemos reconhecer e aceitar ,pois nos leva a entender e aprender a aceitar nos outros deficiências que não possuímos a fim de que possamos ajudá-los.


ANALFABETO OU ANALFABETO FUNCIONAL

" Para iniciar reflexões, convido o leitor a uma vista de olhos em algumas verdades incômodas relacionadas com a situação da leitura no Brasil.

A primeira verdade incômoda: a maior parte da população brasileira adulta é funcionalmente analfabeta" , com isso Mário Perine quer dizer que se bem que sejam capazes de assinar o nome ou decifrar uma frase num painel, não conseguiriam ler com a devida compreensão uma página completa ainda que se trate de um assunto dentro de sua competência.

" Numa sociedade em constante transformação, o analfabeto funcional é uma criatura singularmente indefesa. Está impedido, por exemplo, de se informar e de formar sua opinião sobre uma gama sempre crescente de assuntos.

Imaginemos um analfabeto funcional diante da necessidade de:

  • informar-se sobre acontecimentos importantes através de jornais ou revistas.
  • Buscar informações relevantes para sua atividade profissional em material escrito, como: livros técnicos, instruções de montagem...

Imagine um eletricista que seja incapaz de informar-se