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A burra, o rato e o corvo: a simbologia dos bichos nas relações capitalistas de O Trigo e o Joio

Trabalho por KASSIA FERNANDES DA CUNHA, estudante de Letras @ , Em 01/01/2007

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O Trigo e o Joio


A burra, o rato e o corvo: a simbologia dos bichos nas relações capitalistas de O Trigo e o Joio.

"A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e oficial, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada, uma guerra que termina sempre, ou por uma transformação evolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das suas classes em luta.

Nas primeiras épocas históricas, verificamos quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos, na Idade Média, senhores feudais, vassalos, mestres, oficiais e servos, e, em cada uma destas classes, gradações especiais.

A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Não fez senão substituir velhas classes, velhas condições de opressão, velhas formas de luta por outras novas.

Entretanto, a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado."

(trecho de MARX, Karl e ENGELS, Friedrich, Manifesto do Partido Comunista – 1848)

No século XIX, Marx e Engels divulgaram sua concepção de Filosofia e de História através do Manifesto do Partido Comunista, advindo daí transformações radicais na maneira de analisar a sociedade. As idéias comunistas tiveram grande repercussão no globo terrestre. Acontece a I Guerra Mundial, e com a Revolução Russa nasce o Socialismo, dando enorme apoio ao universo comunista. O marxismo vitorioso então, entra forte no mundo cultural, influenciando artistas e autores em todo o mundo. Na esteira desses acontecimentos políticos e sociais, surge o Neo-Realismo, corrente estética iniciada nos anos 30, com expressão nas artes plásticas, na literatura e no cinema.

Na arte cinematográfica destacou-se o cinema italiano. A Itália do pós-guerra portava o título de principal produtor cinematográfico da Europa. No final da 2ª Guerra Mundial surgiram vários cineastas com objetivo de exprimir o impacto que a guerra e o regime fascista haviam exercido no povo italiano. Os filmes passariam a focalizar as ruas, os campos, as praias, ao invés de palácios e ambientes luxuosos. No lugar da burguesia mostrariam camponeses, pescadores, desempregados. Tratava-se do cinema neo-realista, que mostrava nua e cruamente a história de gente pobre, simples, mas honrada, que além da guerra sofria com a injustiça de um Sistema. Entre as principais obras desse movimento, podemos citar: Quatro passos para as nuvens, Obsessão, Ladrão de bicicleta, Stromboli e Roma cidade aberta. E nomes como Roberto Rossellini, Vittorio de Sica, Luchino Visconti e Alessandro Blasetti deram origem a uma das escolas mais marcantes da história do cinema.

Quanto à manifestação do Neo-Realismo na literatura, há a presença de uma ideologia, inspirada numa perspectiva marxista. Nessa concepção ideológica, todos os elementos da vida humana se relacionam com o plano material, estão ligados pelo substrato econômico, tudo se resume numa questão de trabalho, o homem é uma relação de trabalho. Do ponto de vista literário, a narrativa neo-realista relaciona os problemas econômicos às atitudes humanas, ou seja, quaisquer dramas humanos podem ser explicados pelas relações econômicas e sociais, não existe mistério nenhum.

O projeto neo-realista está ligado aos princípios do realismo do século XIX, que atacava a burguesia. Porém, diferencia-se dele por não apenas retratar a decomposição da sociedade burguesa, mas propor uma mudança da situação. Tem assim, um caráter transformador da realidade. O Neo-Realismo encontrou os