A Cidade e as Serras
São Luís Ma
2005
1 INTRODUÇÃO
Eça de Queirós, escritor português, nasceu em 1845 e morreu em 1900. Advogado, iniciou sua carreira como escritor, publicando uma série de folhetins integrou o grupo de "Cenáculo" em 1968, participando das Conferencias do Cassino Lisboense. Remanescente da escola romântica. Sente toda a ironia desse movimento, vê-se como imbecil ao referir-se a seu estado de espírito sentimental e que "não se pode ser mais estúpido", quando fala dos velhos "poetas pitorescos" satiriza poemas românticos demonstrando sua ojeriza a esses ideais.
O envolvimento de Eça com a Escola Realista se dá, sobretudo, quando faz uso da naturalidade para a elaboração dos seus textos, sofre influencia do cientificismo e do Determinismo. Ele acha que a arte deve ser retratada como ciência, já que a atitude é epistemológica e gnosiológica, dada através dos princípios científicos, racionalistas e positivistas.
O autor usa algumas máximas ao longo de suas produções. Suas obras examinam a sociedade burguesa portuguesa sob vários aspectos: a família, a religião, a política, destrinchando os costumes e criticando as imperfeições de uma sociedade hipócrita e mesquinha.
Costuma-se dizer que sua produção literária divide-se em 03 fases. A primeira, realista, procura acima de tudo criticar a sociedade, é o caso de O crime do Padre Amaro, revelando a influência do clero na sociedade provinciana e O primo Basílio. Ele utiliza essas obras como doutrina num tom moralizador contra a rede de vícios e adultérios; na segunda fase, assume uma postura mais esperançosa e positiva, ainda que crítica, representados por Os maias. A última fase procura retomar o pessimismo realista, mas com valores diferentes. A ilustre casa de Ramires representa bem essa fase.
Este trabalho se propõe a mostrar a vida no campo do personagem Jacinto e as suas contradições entre a cidade e o campo na obra A cidades e as serras.
2 O REALISMO
Instaurado em Portugal com a "Questão Coimbrã" em 1865, como movimento ideológico, se na oposição ao idealismo romântico, impondo a realidade do cotidiano. Este período vem mostrar como o homem pode produzir idéias que servem para demonstrar a vida real, encarada de forma objetiva.
Esta corrente se posiciona e traz em seu bojo a desilusão e o fracasso dos ideais do liberalismo, a miséria das cidades e a crise da produção no campo. As más condições de vida nas cidades carentes, contrapostas aos privilégios abusivos da burguesia, explicam a substituição do idealismo romântico por uma visão mais objetiva e desiludida da realidade.
Nessa perspectiva, o Realismo é a própria concepção materialista da realidade histórica, onde o homem, a natureza e o universo estão interligados.
O Realismo determina uma mudança radical na literatura da época com a renovação dos valores idealistas. Os autores realistas passaram a agir como cientistas; eram observadores da realidade e deveriam retratá-la fielmente, porque este período fora inspirado nas leis naturais, e tende a revelar a vida em sua verdade.
3 JACINTO
Jacinto é a personagem que representa os dotes naturais e espirituais: a saúde, a energia, a inteligência, a beleza, a riqueza e goza de uma sorte extraordinária. Ele é a própria elite portuguesa, ultracivilizado que dos deuses todos esses dons.
Jacinto, cidadão do mundo, identifica-se com o progresso mecânico e com as técnicas que existem ao seu redor. Apesar de todos os avanços tecnológicos, ele é acometido por uma terrível crise existencial desencadeada por este espírito insaciável de novidades que nunca cessa. Sua satisfação se faz presente em seu cotidiano sufocante, levando ao
Ferramenta