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A Concepção da Escrita pela Criança

Trabalho por Luciane Jess, estudante de Letras @ , Em 22/04/2003

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A Concepção da Escrita pela Criança


INTRODUÇÃO

Aprendizagem é o resultado da estimulação do ambiente sobre o indivíduo que se expressa, diante de uma situação problema, sob a forma de uma mudança de comportamento em função da experiência.

É comum as pessoas restringirem o conceito de aprendizagem somente aos fenômenos que ocorrem na escola, como resultado do ensino. Entretanto, o termo tem um sentido muito mais amplo: abrange os hábitos que formamos, os aspectos de nossa vida afetiva e a assimilação de valores culturais. Enfim, a aprendizagem se refere a aspectos funcionais e resulta de toda estimulação ambiental recebida pelo indivíduo no decorrer da vida.

O processo de aprendizagem sofre interferência de vários fatores - intelectual, psicomotor, físico, social -, mas é do fator emocional que depende grande parte da educação infantil.

Nesse trabalho serão delineados conceitos sobre a aquisição da linguagem e sobre a importância dessa aquisição para o ensino da Língua Portuguesa.


1. A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

Por muito tempo, os eruditos consideraram que a aquisição da linguagem era, em grande parte, levada a cabo pela analogia de modelos de sentenças observadas ocorridas na expressão oral ouvida e entendida pela criança. Por exemplo, Skinner incorpora os principais aspectos do comportamento lingüístico dentro de uma estrutura "behaviorista", relatando um comportamento verbal a variações tais como estímulo, reforço e privação, como usadas nos experimentos com animais. Subseqüentemente, um número de lingüistas acentuou a inerente disposição e competência do cérebro humano para construir a gramática, que é ativada pela exposição à linguagem durante a infância.

As crianças normais nascem com a habilidade e a tendência para adquirir a linguagem a qual elas estão expostas desde a infância. No final da infância o vocabulário básico da língua "nativa" foi adquirido, junto com sua estrutura gramatical e fonológica.

Os autores não são unânimes sobre como se processa a aquisição da linguagem, a divisão das fases e o nome dado para cada fase. Entretanto, de maneira geral, existe uma certa similaridade entre as conclusões.

Segundo Menyuk (1975: 80), "Os choros são os primeiros enunciados dos infantes." Esse choro ou "grito", como prefere Bouton (1977: 118-150), desempenha um papel importante e incontestável: a criança aprende a coordenar a respiração em função da sua intensidade e duração.

Nessa fase, a atividade de sucção é provavelmente o prelúdio necessário a uma outra atividade sonora do bebê no qual se designa, segundo Bouton (ibid), pelo nome de lalação ou de balbucio. Aparece por volta de um mês de idade, na medida em que a criança adquire uma maior coordenação da respiração, dos movimentos da boca, o que supõe a participação voluntária de uma organização cada vez mais hábil dos mecanismos de produção do sistema nervoso central.

Nesse comportamento, Bouton não considera os sons emitidos como reposta especializada. Considera respostas não específicas à estímulos igualmente não específicos.

Em seguida, esse comportamento, progressivamente, à maneira de uma imitação global, a criança responde à fala do adulto com uma espécie de melopéia vocálica que tem uma linha melódica relativamente homogênea, contínua. Chamada por Bouton (ibid) de ecolalia traduz a presença de um substrato sensório-motor já funcional, senão completamente amadurecido.

Segundo esse mesmo autor, todas essas fases não têm o estatuto de linguagem, por não demonstrar nenhuma ligação ainda que temporária e acidental entre o som e o sentido.

Essa evolução anuncia que a criança já não procura reproduzir sons pelo simples prazer auditivo que encontra nisso, ao acaso das emissões sonoras que realiza, mas que se esforça daí em diante para imitar o que apercebe no discurso dos que a rodeiam.