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Castro Alves - Vida e Obra

Trabalho por Carlos Vaz Dias, estudante de Letras @ , Em 22/04/2003

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CASTRO ALVES


INTRODUÇÃO

Este trabalho tem, por objetivo, relatar a vida de um personagem da Literatura Brasileira, levando em conta suas realizações literárias ao longo de sua vida.


VIDA E OBRA:

Antônio Frederico de Castro Alves, poeta brasileiro, nasceu a 14 de março de 1847 na Comarca de Cachoeira, estado da Bahia. Depois de estudos primários em Muritiba e Cachoeira, cursou Humanidades no Ginásio Baiano, de Abílio César Borges (o Aristarco de O Ateneu), em cujos "outeiros" recitou seus primeiros versos. Em 1862, foi fazer os preparatórios de Direito no Recife. Não tardou a destacar-se, na capital pernambucana, como poeta empolgado pelas idéias liberais e abolicionistas da mocidade acadêmica do tempo. Entrou para a Faculdade em 1864; Tobias Barreto foi seu colega de turma. Em 1867, deixou o Recife ao lado da atriz Eugênia Câmara, por quem se apaixonara, e, depois de fazer representar pela amante, em Salvador, o drama Gonzaga ou a Revolução de Minas (ed. póstuma, Rio, 1875), que para ela escrevera especialmente, veio em sua companhia para o Sul. De passagem pelo Rio, visitou Machado de Assis e José de Alencar, que se impressionaram com o seu talento poético. Chegou a São Paulo em março de 1868 e matriculou-se no terceiro ano do curso jurídico. Granjeou logo celebridade entre os colegas de Academia, a cujo número pertenciam Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e Salvador de Mendonça. Pouco depois, rompeu definitivamente com Eugênia Câmara, rompimento que o mergulhou numa crise de profunda melancolia. Para distrair-se, dedicou-se a caçadas nos arredores da cidade. numa delas, feriu acidentalmente o pé com um tiro de espingarda. O ferimento infeccionou, agravou-se uma enfermidade pulmonar latente e o poeta foi removido para o Rio, onde lhe amputaram o pé. Em fins de 1869, regressou à Bahia para convalescer e tratar da edição de Espumas Flutuantes, o único de seus livros publicado em vida. O livro veio à luz em Salvador nos fins de 1870, meses antes de o poeta ali falecer vitimado pela tuberculose.

A vitalidade da obra de C.A., último grande poeta do nosso Romantismo, é indicada, desde logo, pelos acidentes de sua fortuna crítica. Nesta, louvações de carácter puramente afetivo ou rasteiramente ideológico polarizam com empenhos de desmistificação de um rigor analítico que mal lhes esconde, amiúde, a parcialidade e as prevenções. Tal radicalização de posições críticas indica, por si só, o alto grau de representatividade de C.A., cuja obra enfeixa, numa espécie de gran finale, as linhas-de-força essenciais de nossa poesia romântica. Não tendo sido, a bem dizer, um "inventor" - no sentido restritamente brasileiro em que o forma Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Fagundes Varela, ou mesmo Pedro Luís -, C.A. soube todavia transfigurar as influências que deles recebeu, de par com a decisiva influência de Vítor Hugo, numa dicção pessoal e inconfundível, afinada com o momento histórico que viveu e com as singularidades de seu temperamento de homem e de artista. Artista cuja fogosidade juvenil, responsável pelo calor humano de seus versos tanto quanto pelo verbalismo irrefreável que repetidamente os compromete, se fazia acompanhar de uma instintiva sabedoria artesanal, que lhe permitiu, em mais de um passo, alçar-se ao nível da grande poesia.

A vertente lírica de C.A., nas suas duas espécies principais, a amorosa e a naturista, está representada em Espumas Flutuante e, secundariamente, nos Hinos do Equador, publicados pela primeira vez na edição das Obras Completas de C.A., organizadas por Afrânio Peixoto (Rio, 1921). Nesses livros, ao lado de traduções e paráfrases de Byron, Hugo, Lamartine, Murger, Musset, Espronceda e outros, figuram também composições de caráter épico-social como "O Livro e a América", "Ode ao Dous de Julho", "Pedro Ivo", "Pesadelo de Humaitá", "Deusa Incruenta", as quais, embora paradigmáticas do Condoreirismo do poeta, mostram-lhe, pelo abuso de antíteses e hipérboles levadas por vezes às raias do grotesco, a