FINOM – FACULDADE DO NOROESTE DE MINAS
A ÁFRICA – MATRIZ DA CULTURA BRASILEIRA
2008
RESUMO
O principal objetivo deste trabalho é analisar de modo sucinto a questão da escravidão e suas implicações no processo de formação da sociedade brasileira. Para tanto, busca-se primeiramente definir o que é a escravidão, passando por um breve relato de sua prática pelas primeiras civilizações, até chegar a seu uso na sociedade colonial brasileira, daí a suas conseqüências atuais. Como conclusão, o artigo alerta para a necessidade da aplicação da Lei 10.639/2002, não só como forma de enriquecer o conhecimento da história da África e de seus povos, enquanto nossos antepassados, mas também como elemento fortalecedor de formação ética, no sentido de derrubar ideologias discriminatórias e preconceitos.
Palavras-Chave: África, Escravidão, Negros
Introdução
A escravidão era praticada na África muito antes da chegada dos colonizadores portugueses. Há indícios de captura de escravos pelas expedições egípcias desde 2680 a.C., aproximadamente.
Considerados como seres inferiores pelos mais poderosos, os escravos foram transformados em mercadoria de alto valor para a região do sul do Egito.
No século XIV, a expansão européia fez com que o sistema escravagista adquirisse um caráter essencialmente econômico, além de contornos raciais, fazendo com que o negro fosse identificado como escravo.
A visão etnocêntrica do europeu, que predominou até fins do século XV e primeiras décadas do século XVI, transformou o escravo no outro, diferente e inferior, não humano, passando a ser uma simples mercadoria, um bem a ser trocado, comprado e vendido. Como cita Mary Del Priore: “A cor negra, associada à escuridão e ao mal, remetia, no inconsciente europeu, ao inferno e às criaturas das sombras.” (DEL PRIORE; VENÂNCIO, 2004, p.56).
Mas o desenvolvimento do comercio de escravos africanos, entre os continentes, deve ser considerado a partir da presença da escravidão e do comércio de escravos no interior da própria África.
A escravidão na África foi uma imitação da escravidão dos Mouros e Sarracenos, que cresceu, desenvolveu-se, agigantou-se e envolveu todas as grandes potências marítimas, que eram a Inglaterra, França, Espanha e Portugal e outras quase todas arrastadas pelas rendas que o mercado de escravo oferecia. A África então passou a ser o grande palco da escravidão do homem pelo homem criando zonas de penetração ao interior desconhecido para aprisionamento dos negros. O homem foi transformado em mercadorias e classificados nas alfândegas como objeto de utilidade para pagamento de imposto de exportação. Ao longo dos séculos, a escravidão vai mudando de acordo com a região e ao uso do escravo, porém não deixando nunca de ser uma violência de um ser humano contra outro.
A partir do início do século XVII, a escravidão passa a ser caracteristicamente africana, isto é, o escravo passou a ser ligado diretamente a sua cor da pele, especificamente a cor negra. Dessa forma, a escravidão projeta-se até hoje sobre os descendentes dos escravos.
Desenvolvimento
Considerada o berço da humanidade, a África viu nascer o Homo Sapiens há 200 mil anos. Por viver numa região de clima quente, naturalmente sua pele apresentava uma coloração escura, resultado da concentração de melanina, que serve de proteção contra a radiação solar. Com o passar do tempo, o homem foi se deslocando para o norte, indo em direção às regiões frias da Europa, o que provocou o clareamento da pele, dando origem aos povos nórdicos.
Mas a evolução do homem se deu na região africana, onde surgiram a agricultura e as primeiras civilizações. Até o século XV a África seguia seu próprio desenvolvimento, com importantes estados constituídos, como o Império Songai, o Império de Gana, o Reino do Zimbábue, o Reino do Daomé, a civilização Achanti , a civilização Yorubá (composta de cidades-estado), e a civilização Ilê Ifé, entre outras. Algumas cidades como Gao, Tomboctu, Djennê e Benim, eram mais povoadas que Lisboa, Veneza e Londres, e possuíam universidades.
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