A região da mesopotâmia, é situada em uma região de planície, com baixos índices pluviométricos mas,paradoxalmente, por estar situada entre rios,dispõe de água em abundância. Foi efetuando o controle hidráulico, e não alterando as condições naturais que os antigos mesopotâmicos garantiram sua existência e manutenção. Uma região que era desfavorável a sua permanência acabou se transformando em um local atrativo.
Diferentemente da Mesopotâmia, que necessitava de maior trabalho para a fertilização das terras, o Egito era considerado uma dádiva do Nilo. As condições climáticas não eram diferentes da Mesopotâmia. As áreas próximas ao Nilo sofriam constantes enchentes, em razão das cheias e vazões do Nilo; porém, com o controle sobre essas cheias, através de diversos métodos, foi possível uma melhor utilização e aproveitamento dessas terras.
Obviamente o espaço físico por si só não determina o surgimento dessas civilizações. Essas condições geográficas contribuíram e influenciaram, mas não determinaram o nascimento dessas civilizações. Esse espaço geográfico delineia a realidade física e humana mas o espaço histórico,aliado ao geográfico,faz a referência as realidades sociais.
Nos primórdios dessas civilizações, a elaboração de espaços históricos é a somatória de dois elementos:político, que tinha a função de gerir a defesa desses recursos, em face de invasões ; e econômico, que se empenhava na angariação de recursos,sejam eles externos ou internos, o que culminou em um impulso maior para contato com outros povos e o conseqüente desenvolvimento do comércio, baseado na troca de excedente.
Esses sucessivos povos proto-históricos foram os responsáveis pelos caracteres que definem o estado civilizatório, análogos a formação de Estado:aumento da área habitada, produção cerâmica diferenciada da agrícola,propagação do uso do metal, da escrita e determinada organização dos grupos inseridos na comunidade.
A civilização é definida como um estágio mais evoluído,que significa um certo gradiente de organização social fundamentado na gestão dos recursos existentes.
Durante todo esse período histórico, o intercâmbio cultural entre esses povos é um fator que fomenta e dá forma as fases evolutivas,em conivência com a peculiaridade de cada um.
Nessa região, a gama de sociedades, com suas respectivas culturas, não possuem par em outras civilizações históricas, apesar de algumas delas possuírem similaridades com grupos humanos mais amplos em termos étnicos ou lingüísticos ; isso se dá ao fato de um intenso contato que têm entre si.
Um dificuldade citada por Gonçalo é a da cronologia e periodização, decorrente de uma certa dificuldade de obtenção de um material mais substancial , que permita uma datação mais precisa. É necessário muitas vezes recorrer a mais de um método para determinar a datação.
O fato de uma sociedade não possuir um sistema de escrita não implica,necessariamente, que a mesma não se insira em determinado estágio civilizatório. Outras fontes materiais ágrafas e testemunhos de outras civilizações servem-lhes de referência.
Os níveis do processo econômico progridem desde a produção de alimentos, com fins de subsistência à produção de excedente para o comércio.
Um outro nível de civilização atingido foi a passagem para uma sociedade mais urbana, um Estado mais ligado à cidade. A evolução de uma sociedade de regime tribal,nômade para o regime de cidade,sedentário,se deu por todo um conjunto de fatores: a escrita, o uso de metal,o sistema de irrigação, a divisão em grupos sociais,a organização política. Fica claro,a partir de então, que os recursos de uma comunidade,através de seu uso e também sua difusão estimula mudanças qualitativas no extrato social.
Outro fato que contribui para essa passagem é a alteração da organização comunitária baseada em laços tribais para relações a níveis públicos ; essas relações tribais são absorvidas por um estrutura superior,mais unitária e homogênea, que é a cidade/Estado.
A transformação de um modo de vida nômade para o sedentário tornou necessária uma mudança na religiosidade e rituais. A realeza, por exemplo. Acreditava-se que a mesma tinha origem divina ; o rei era uma extensão da própria divindade,ou até mesmo era considerado um deus. Ele era não somente responsável pela administração,pela gestão material,mas também espiritual. Além
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