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"O cotidiano no imagin?o medieval" do autor Jos?oberto Mello

Trabalho por Danieli Mennitti, estudante de História @ , Em 27/08/2010

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Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
FCL Campus Assis
Resenha do livro: O cotidiano no imaginário medieval, do autor José Roberto Mello
Docente:Prof.Dr.Ruy de Oliveira Andrade Filho
Discente: Danieli Mennitti
1º ano História Noturno
Disciplina: História Medieval II

José Roberto Mello, medievalista e professor da USP retrata neste livro, não necessariamente o cotidiano, mas como esse cotidiano era representado no imaginário do homem medieval.
A obra toma como base a lenda arturiana, o romance arturiano. Estória muito conhecida e discutida em muitas épocas é a partir dela que o autor vai trabalhar alguns aspectos do imaginário medieval. É notório o conhecimento de como as fontes literárias podem servir de fonte para a pesquisa histórica, tomando-se as devidas precauções e fazendo uma análise histórica correta e reflexões profundas. A literatura era um dos meios de entretenimento do público da época e serve para retratar muito do que estava no recôndito e âmago das mentalidades. Não há limites para a criação do possível ou impossível. Na obra em questão, o autor se restringe aos romances de cavalaria e mais especificamente a prosa do chamado ciclo do Graal.
Ter ciência de como era a vida no dia-a-dia, tem sua relevância. Contudo, mais importante do que isso é ter conhecimento de como eles pensavam, como viam a si mesmos, como imaginavam a si próprios, do quadro mental que eles faziam de si, pois é nessa instância que constam seus anseios mais profundos, seus sonhos e desejos. Todos os outros aspectos da sociedade têm sua importância, mas a maneira como uma sociedade se vê, como ela se imagina e se representa, é mais fundamental ainda. O ser humano não é só feito de atitudes com relações a altas questões, mas de sentimentos, idéias, paixões, vontades.
Por estarem direcionados a uma camada social especifica, não só os personagens, como a ambientalização são comuns aos chamados romances de cavalaria. O conteúdo desses romances não corresponde necessariamente à realidade. Aliás, a linha entre o real e a fantasia não era bem delimitada. Imperava o exagero. Evidente que não há possibilidade de invenção de algo sem alguma fundamentação na realidade, pois não se cria qualquer elemento a partir do nada. O cotidiano ali retratado não é fidedigno à realidade. A realidade tem a função de servir de base, de explicação. Como o autor cita: Nela desfilam somente o excepcional, o maravilhoso, os ingredientes da aventura. O fantástico ali presente funciona como uma válvula de escape para a dura e não tão encantadora realidade que ali se apresenta.
Retrato de uma época, de um momento, onde o que não se alcançava por meio de instrumentos reais, era obtido por intermédio da elaboração do maravilhoso. Longe de reconstituir com exatidão como a vida era vivida no nível da realidade, por outro lado, as lendas, o maravilhoso, o fantástico mostra por detrás de si os comportamentos e mentalidades da sociedade.
A origem da figura de Artur é bastante controversa. Duvida-se inclusive da sua existência. O problema reside na falta de documentação pertinente. Não só o próprio Artur, mas muitos personagens têm uma origem legendária, e sobre alguns há dúvida de onde são oriundos. A opinião geral é de que o mundo céltico insular seja o distribuidor das fontes concernentes ao assunto e do esquema geral dos romances arturianos.
É difícil precisar qual o substrato original do assunto, já que o mesmo além de ter sido transmitido por meio da oralidade para somente depois ser passado para a forma escrita, sofreu muitas alterações ao longo do tempo, ocasionando empecilhos na distinção do núcleo original e as alterações posteriores. Junções, misturas, acréscimos, das mais variadas origens estão presentes no romance e até mesmo sua estrutura não possuíram sempre a mesma forma.
Como o próprio autor ressalta: A questão é saber o quanto de inventividade pessoal eles aplicaram e o quanto de material