Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho
Campus de Assis Faculdade de Ciências e Letras
Resenha do livro: A sociedade romana do autor Paul Veyne
Disciplina: História Antiga II
Docente: Profa. Dra. Andréa Lúcia Dorini de Oliveira Carvalho Rossi
Discente: Danieli Mennitti 1º ano (Noturno)
Sobre o autor:
Paul Marie Veyne é arqueólogo e historiador francês, especialista em Roma antiga. Veyne estudou na Escola Normal Superior de Paris e em seguida foi membro da Escola Francesa de Roma. Posteriormente foi professor da Universidade de Provença. Ele obteve a fama ao escrever um livro chamado Como se escreve a História?, onde em oposição à tendência quantitativista que predominava na historiografia francesa da época, afirma que a História seria uma espécie de narrativa literária, só que baseada em fatos reais; nessa obra ele foge um pouco das correntes marxistas e estruturalistas dominantes e põe em xeque o intuito da História em se tornar uma ciência pura. A princípio adota essa concepção narrativa de reflexão sobre a História. É também considerado um historiador adepto do hipercriticismo histórico.
Paul Veyne também é considerado um grande intérprete da obra de Michel Foucault e a partir desse momento, revê e modifica sua própria obra, afastando-se de seu posicionamento inicial. Veyne também lecionou no Collège de France.
Estrutura e apresentação da obra:
A obra A sociedade romana, cujo título original é La Societá Romana, com a tradução para o português de Maria Gabriele de Bragança e Clara Pimentel, divide-se em duas partes: Sociedade, economia e direito e As mentalidades.
Na primeira parte, denominada Sociedade, economia e direito, ele discorrerá sobre os escravos romanos, suas condições, sua diversidade e especificidades; sobre o que ele denomina de escravos-colonos e sobre as ligações do direito com o suicídio, o fisco, escravatura e capital romano.
Na segunda parte, denominada de As mentalidades, discorrerá sobre o mito e a realidade do significado da autarquia em Roma; sobre um aspecto muito importante na sociedade Romana, que era a família, e o amor durante o Alto Império; sobre o folclore e os direitos e interferências da consciência pública sobre o comportamento particular, individual e sobre o que ele chama de evolução do paganismo Greco-romano, suas alterações, suas transformações
Síntese da obra:
Veyne toma como ponto de partida um exemplo literário para falar sobre o escravo: Trimalquião, presente na obra Satyricon, de Petrônio. Levando-se em conta que uma obra literária tem toda uma especificidade, ela pode ser usada como fonte de estudos, desde que trabalhada com as devidas precauções.
O escravo romano tinha um aspecto muito diferente do que o foi na modernidade e na contemporaneidade. Era, antes de tudo, um estatuto jurídico: ele dentro da lei era situado como escravo, mas ser escravo não significava necessariamente ser pobre. Ele poderia, dependendo da função que lhe era incumbida, da relação com o seu senhor, obter bens e riqueza, que lhe poderia ser passado após a morte do seu senhor, com a libertação ou com a liberação para usar de seu pecúlio.
O escravo romano não era algo padronizado e homogêneo: possuía uma diversidade muito grande. Poderia chegar a ocupar cargos importantes dentro da sociedade romana.
Porém, mesmo quando adquiria a liberdade, esse ex-escravo, agora um liberto, não era bem visto. Não chegava a ser um homem totalmente livre (na acepção de liberdade romana), com os direitos de um homem livre, mas já não era mais um escravo. Isso evidencia mais ainda que a escravidão mais do que uma condição social era um estatuto jurídico.
Trimalquião, nos exemplos que usa o autor, mesmo quando está rico, permanece no convívio com os libertos, não tentando ingressar na aristocracia, pois tinha a consciência que seria rejeitado e que era visto com negatividade. A liberdade jurídica e formal e a liberdade real possuíam uma distância entre si.
Essa relação do escravo para com
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