A Assembléia dos Guerreiros Aqueus Diante de Tróia
Os homens acorrem já. Tal como vemos as abelhas sair dos buracos em revoadas contínuas de grupos cerrados e disporem-se em cacho para sobrevoar as flores da primavera, enquanto outras esvoaçam por aqui e por ali; assim, naus e barracas e tropas sem fim se vêm instalar, em grupos compactos, ao longo da margem inferior para tomar parte na assembléia. Entre eles encontram-se Rumor, mensageira de Zeus, que os incentiva e incita a continuar a marcha, até estarem todos reunidos. A assembléia está agitada; o solo geme sob o peso dos guerreiros que procuram os seus lugares; reina o tumulto. Nove arautos, aos gritos , tentam controlar a multidão: que cesse o seu clamor para ouvir os reis que descendem de Zeus! Não é sem dificuldade que os homens se acomodam nos seus lugares e ficam em silêncio . Cessando todos os gritos . É então que o rei Agamenon se levanta. Na mão, o ceptro outrora feito pelas mãos de Hefesto... Agamêmnon apóia-se nele quando se dirige aos Argivos nestes termos: "Heróis de Dánão, servidores de Ares. Meus amigos....
Homero, Ilíada II,V,84, sgs.,
Segundo um relato de Homero, Zeus convocou uma assembléia para comunicar sua decisão sobre a Guerra de Tróia.
Zeus, do alto do Olimpo, ordenou a Têmis que chamasse os deuses à Assembléia. [...] Não faltou sequer um dos rios, sequer uma das ninfas que habitam as florestas e as nascentes dos rios; Aquele que sacode a terra também veio, e perguntou: Por que, ó Fulminante, chamas de novo os deuses à Assembléia? Será por causa dos troianos e dos aqueus? Zeus respondeu: Sim, foi por isso; preocupo-me com esses homens. Vou ficar sentado no Olimpo, e assistir à batalha como a um espetáculo; vão vocês, os outros deuses, ajudar um dos dois partidos, cada um conforme sua idéia [...].
(Homero, Ilíada)
Segundo o texto: Homero registra uma reunião da assembléia de chefes guerreiros que estavam a caminho de Tróia. Deste modo Agamêmnon é assistido por um conselho, podendo, em circunstâncias de maior gravidade, convocar a assembléia de todos os guerreiros aqueus, cuja influencia não é maior nem menor que a das assembléias reunidas na cidade. Agamêmnon reúne o conselho antes de convocar, constatando-se, portanto, ser dos <<reis portadores do ceptro>> que compete tomar decisões a comunicar posteriormente à assembléia dos guerreiros. (MOSSÉ, Claude . A Grécia Arcaica de Homero a Ésquilo) Talvez seja esse um dos primeiros registros literários do funcionamento daquilo que modernamente chamamos de "Parlamento". Os chefes guerreiros reuniam os despojos das batalhas num círculo e, de cada vez, mediante a passagem do ceptro da deusa Themis, segunda mulher de Zeus, escolhiam a parte que lhes cabia nos despojos (escravos, mulheres, ouro, armas e cavalos). Agamenon (Basileu dos gregos, espécie de "presidente do congresso dos Aqueus") acabou cometendo um erro. Movido pela hybris (orgulho, arrogância humana) acabou desrespeitando Aquiles e tomou-lhe o direito (representado pelo ceptro de Themis) de fazer sua escolha. Aquiles se retira da guerra e com ele vai Atena, a deusa da estratégia militar e também madrinha e protetora do herói. O erro de Agamenon quase leva os gregos à derrota. Seu pecado foi colocar seus interesses pessoais e o cargo que ocupava acima dos interesses da assembléia e das regras estruturadas pelos deuses em conformidade com a ordem natural das coisas. ( Grécia A vida cotidiana na cidade-Estado"). Aquiles passa a recusar presentes de Agamémnon. Dizendo <<Os seus presentes causam-me horror, faço tanto caso dele como um qualquer argueiro! ( MOSSÉ, Claude A Grécia Arcaica de Homero a Ésquilo)
A partir do século VII, surge uma representação de uma falange hoplítica , parece claro que este tipo de
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