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A Revolução Russa de 1917

Trabalho por anônimo, estudante de História @ , Em 22/04/2003

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A REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917


1 - INTRODUÇÃO:

   Assim como a Revolução Francesa de 1789 foi o modelo clássico de revolução burguesa que desmantelou a velha ordem feudal e aristocrática, criando as condições para o desenvolvimento do capitalismo moderno, a Revolução Russa de 1917 é considerada o modelo clássico de revolução proletária que destruiu a ordem capitalista e burguesa lançando os fundamentos do primeiro Estado socialista da história da humanidade.

2 - A RÚSSIA PRÉ - REVOLUCIONÁRIA:

   Ao fim do século XIX a Rússia possuía vinte e dois milhões de quilômetros quadrados e mais de cem milhões de habitantes, sendo sua principal característica o grande atraso econômico em relação aos países da Europa ocidental. Enquanto Inglaterra, França e Alemanha passavam por um processo acelerado de desenvolvimento urbano-industrial, evoluíam para regimes constitucional-parlamentares e realizavam um enorme avanço técnico-cientifíco, a Rússia permanecia no atraso econômico , social, político e cultural. Sendo um país predominantemente agrário e semifeudal, a aristocracia rural e o clero ortodoxo detinham o controle da propriedade da terra. O processo de industrialização, por sua vez , se iniciara apenas nas últimas décadas do século XIX, caracterizando-se por sua extrema concentração em algumas grandes cidades, como Kiev, Moscou e Petrogrado, então capital do país. Além disso, mais de 50% dos capitais investidos na indústria fabril eram estrangeiros, principalmente de origem francesa, alemã e inglesa. Esta industrialização tardia, dependente e concentrada, produziu, por um lado, uma burguesia fraca e incipiente e, por outro, um proletariado forte, organizado e combativo, que, dadas as suas origens rurais, mantinha estreitos vínculos com os camponeses. O atraso econômico se refletia na vida social do país, cuja sociedade permanecia essencialmente rural, com os camponeses formando 80% de toda a população. Nas cidades, onde era reduzido o índice de urbanização, concentrava-se a classe operária, formada por cerca de seis milhões de trabalhadores. A burguesia e a aristocracia, por sua vez, não chegavam a constituir 10% da sociedade.

   Enquanto no Ocidente europeu os países haviam evoluído para regimes liberais, a Rússia vivia ainda na era do absolutismo, sendo um império autocrático, governado pelo Czar Nicolau II, da dinastia Romanov, que se recusava a conceder a seus súditos um governo constitucional e parlamentar.

   Quanto à cultura, na Rússia, ao lado de uma refinada influência européia existente nas grandes cidades, no campo continuavam a predominar usos, costumes e tradições orientais. Um exemplo do atraso cultural era o fato de a Rússia adotar ainda o calendário juliano, enquanto nos países do Ocidente europeu vigorava o calendário gregoriano. A diferença de treze dias de um calendário para outro come que reletia, em termos históricos, o atraso da Rússia em relação à Europa ocidental.

Czar Nicolau II
3 - A OPOSIÇÃO AO CZARISMO:

   Leon Trótski afirmou que a Europa exportou o que produziu de melhor no século XIX: a tecnologia para os Estados Unidos e a ideologia para a Rússia. De fato, a industrialização, a urbanização e o surgimento da classe operária criaram condições para que penetrassem na Rússia as idéias socialistas originárias da França, Inglaterra e Alemanha.
   Leon Trótski - Inspirados por essas idéias, surgiram no país vários partidos clandestinos de oposição à autocracia czarista. Entre eles o Social - Democrata, baseado no socialismo marxista. Em 1903 a social-democracia dividiu-se em duas facções: os "Bolcheviques", liderados por Lênin, eram revolucionários e defendiam a instauração do socialismo na Rússia com base numa aliança entre os operários e os camponeses; os "Mencheviques", liderados por Martov, eram evolucionários, defendiam a aliança com a burguesia e a passagem gradual ao socialismo através de uma política de reformas progressivas.

@Outro partido de oposição era o dos social - revolucionários, intelectuais oriundos das camadas médias, com base no apoio dos camponeses. Os constitucional - democratas, finalmente, não eram propriamente um partido