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A Agricultura no Brasil

Trabalho por Monique Mello, estudante de Geografia @ , Em 22/04/2003

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A Agricultura No Brasil


I - A Agricultura no Brasil

Introdução

A descoberta do território brasileiro pelos europeus foi fruto da grande expansão marítimo- comercial portuguesa nos séculos XV e XVI.

Desde o início, a ocupação das terras brasileiras pelos portugueses assumiu as características de uma colonização de exploração: retirar da terra tudo o que ela pudesse oferecer para atender às necessidades do mercado consumidor europeu. Assim, desde os primórdios da colonização a economia da colônia voltou-se para o exterior.

1.1- Características gerais

Apesar do Brasil ter se transformado em país urbano- industrial, o setor agrícola continua desempenhando importante papel na economia do país. Fazendo-se um retrospecto, verifica-se que a produção total da agricultura sofreu grande aumento. Em 1987, por exemplo, o Brasil ocupou o 8º lugar na produção mundial de cereais. Observe o quadro abaixo:

Maiores produtores mundiais de cereais (1987)
País Quantidade
China 359.000.000
EUA 281.500.000
URSS 201.500.000
Índia 148.200.000
França 52.400.000
Canadá 52.300.000
Indonésia 44.800.000
Brasil 43.300.000

No contexto internacional, o Brasil aparece como importante país agrícola, mesmo assim, não conseguiu superar uma grave contradição: por que o povo brasileiro é tão mal alimentado, se o país conta com um dos mais extensos territórios do mundo e com uma das maiores produções agropecuárias?

Destacaremos a seguir algumas características da agricultura brasileira, que poderão, pelo menos parcialmente explicar esta contradição.

. A monocultura latifundiária voltada para o exterior, implantada no Brasil desde os primórdios, gerou um tipo de agricultura que sempre privilegiou apenas uma minoria de grandes fazendeiros.

. O mesmo na fase da policultura ( após 1930), as políticas governamentais sempre favoreceram o grande produtor-exportador (café, soja, cacau, açúcar, etc.), em detrimento do pequeno produtor voltado para as culturas de subsistência ( arroz, feijão, milho etc.).

. O Brasil nunca implantou uma reforma agrária de fato, persistindo uma distribuição muito injusta das terras: 1% dos proprietários concentra quase 45% delas em suas mãos.

. O Brasil sempre apresentou um baixíssimo índice de aproveitamento agrícola. Em 1985, somente 6% do território estava ocupado com lavouras. Na verdade, a terra tornou-se uma mercadoria, sua especulação pode ser mais rentável que seu cultivo.

Embora não se trate de uma divisão muito rigorosa, a agricultura brasileira apresenta dois setores distintos: as culturas de exportação, conhecidas como "culturas de rico", que ocupam as melhores e maiores extensões de terras e recebem melhor atenção e apoio do governo, e as culturas de subsistência, "culturas de pobre", para consumo interno, que, além de ocupar as piores e menores extensões de terras, são pouco ou mal assistidas pelo governo.


1.2 - Os Fatores Naturais na Agricultura

País de dimensões continentais e apresentando um dos maiores espaços agricultáveis do mundo, favorecido por boas condições de pluviosidade e boa diversidade climática, o Brasil reúne excepcionais condições para se tornar uma verdadeira potência agrícola. A realidade porém é outra, milhões de pessoas sem terra para cultivar, quando é sabido que há muita terra ociosa; o homem abandona o campo