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El Ninõ

Trabalho por Flávio Diegues e Cassio Vieira, estudante de Geografia @ , Em 22/04/2003

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El Ninõ


Um ano depois de sua última aparição, que durou de 1992 a 1995, o principal causador de transtornos climáticos no planeta já está de novo em ação. E com força total.

Quando ele chega, tudo muda de lugar. Ventos que durante milênios sopravam num mesmo sentido passam a correr de trás para a frente. Chuvas viram secas, calor dá lugar a frio e o que era gélido começa a torrar. O responsável por tudo, o El Niño, é o primeiro indício descoberto pelos meteorologistas de que o clima pode mudar em escala planetária num período muito curto, praticamente de um ano para outro. Nesta reportagem você vai descobrir como se arma o escarcéu, o que a ciência sabe sobre ele e como os seus efeitos vão se espalhar pelo planeta entre o final deste ano e o começo do ano que vem.

 

A gestação no Pacífico

Compare o calor da água (vermelho) num ano em que não houve El Niño com dois anos em que ele apareceu.

15 de setembro de 1991: não há El Niño

16 de setembro de 1982: El Niño recorde

16 de março de 1997: começa o deste ano

15 de junho de 1997: quente e subindo

14 de setembro de 1997: empate com 1982

 

Uma língua de calor numa gangorra de ar

   O alarme veio dos sensores do satélite americano Noaa, o poderoso vigilante do clima do mundo. No dia 2 de março, eles registraram uma manchinha de calor no Pacífico, a cerca de 100 quilômetros da costa do Peru. Como logo ficaria provado, ali estava o primeiro sinal de que o clima, este ano, ia sair dos trilhos. Era um embrião do El Niño, que, tecnicamente, é exatamente isso: um aquecimento acima do normal das águas do Pacífico.

   Em março, elas estavam só 1 ou 2 graus Celsius acima dos 24,5 que são normais. Em 15 de setembro, seis meses e meio depois, a diferença tinha chegado a 5 graus. E continuou subindo. E a manchinha no mar virou uma língua de calor, com quase 10 000 quilômetros de extensão por 2 000 de largura.

   "A rapidez da evolução do El Niño foi um espanto", disse à SUPER o especialista Gilvan Oliveira, do Cptec, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, em Cachoeira Paulista. No dia 9 de junho, o Cptec fez bonito: foi a primeira instituição do mundo a matar a charada. Foi ele quem anunciou que a manchinha de calor, que logo se transformaria na grande língua, era de fato a instalação do El Niño. Era quente, líquido e certo: logo viriam as inundações, tempestades, nevascas e secas.

   Se o El Niño causa tudo isso, o que é, afinal, que causa o El Niño? A melhor resposta existente parece piada: o que causa o El Niño é uma gangorra. Sempre que a pressão atmosférica sobe no Oceano Índico, ela desce no Pacífico. E vice-versa. Notados há poucas décadas, o El Niño e a gangorra são traços milenares do clima. A gangorra intrigante, que foi ironizada quando anunciada pelo inglês Gilbert Walker, em 1928, não só era para ser levada a sério, como está na raiz desse hospício instalado no nosso planeta. Louco não foi o descobridor da gangorra da pressão. Louco mesmo era o clima.


Dois jeitos de