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Meios de Transporte

Trabalho por Daniel Bezerra, estudante de Geografia @ , Em 22/04/2003

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MEIOS DE TRANSPORTE


O transporte de mercadoria é um elemento básico na definição do espaço industrial dos países. O custo dos transportes incidem sobre os custos das matérias primas industriais e também sobre o custo das mercadorias finais que chegam aos consumidores.

Sistemas de transporte modernos , eficientes e baratos geram um espaço fluido, integrando o território. As possibilidades de localização das fábricas são multiplicadas e contribuem para a dispersão industrial. No limite, todos os lugares são bem localizados.

Em condições ideais, a relação de custos de transportes é amplamente favorável às hidrovias e ferrovias. Teoricamente, o custo do transporte por navio é três vezes menor que o ferroviário, nove vezes menor que o rodoviário e quinze vezes menor que o aeroviário. O transporte por navio depende da presença de vastas extensões de cursos d’água navegáveis durante todo o ano.

As ferrovias revelam grande vantagem sobre as rodovias em condições de relevo pouco acidentado e nas grandes distâncias, que compensam os custos de carga e descarga inerentes a um meio de transporte incapaz de fazer trajetos porta a porta.

No Brasil, o predomínio do transporte rodoviário de cargas não encontra paralelo em nenhum outro país industrializado de dimensões continentais. Aqui as ferrovias predominaram até a Segunda Guerra, quando trens percorriam o trajeto interior - litoral, carregados de produtos agrícolas ou minerais e geralmente retornavam vazios. Quando a economia brasileira substituiu o modelo agroexportador por um modelo urbano - industrial, a rede ferroviária decaiu. As velhas áreas produtoras de matérias-primas e gêneros agrícolas de exportação perderam importância e os trens perderam a carga.

O desenvolvimento do modelo rodoviário baseou-se em duas estratégias complementares. De um lado, foram criadas as grandes rodovias de integração nacional, destinadas a interligar o Centro-Sul ao Nordeste e ao Centro-Oeste e, posteriormente à Amazônia.

A estrutura de transportes implantada no país, baseada no predomínio rodoviário, está em contradição com as condições geográficas do território. As distâncias continentais e o relevo suave e aplainando favorecem o desenvolvimento ferroviário. O vasto litoral atlântico e a localização costeira da maioria dos centros urbanos e industriais, assim como a presença de trechos longos de rios navegáveis, favorecem o desenvolvimento hidroviário. A opção rodoviária, nesse contexto, contribuiu para aumentar as "rugosidades" do território, elevando os custos de produção e distribuição das mercadorias. Atualmente, a estrutura de transportes constitui um obstáculo no processo de integração do Brasil a uma economia internacional em via de globalização, pois Estado não dispõe dos recursos necessários para a conservação ideal das estradas de rodagem.

Com isso tudo, tem surgido propostas e projetos com o objetivo de modernizar a estrutura de transportes. No âmbito do Mercosul, desenvolvem-se os projetos de construção de uma rodovia moderna interligando São Paulo a Buenos Aires, e de uma hidrovia baseada na navegação dos rios do Paraná. No Sudeste, discute-se a criação de uma linha de trem-bala no percurso entre Rio de Janeiro, São Paulo e Campinas. Essas iniciativas demonstram o caráter inadequado e antigo da rede de transportes e as dificuldades de integração física de um país de dimensões continentais à economia globalizada.