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A Bacia da Laguna dos Patos

Trabalho por Alex Ziglioli Pacheco, estudante de Geografia @ , Em 19/06/2003

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A Bacia da Laguna dos Patos


O sistema ortográfico do sul do Brasil, a partir do cabo de Santa Marta deixa de ser avistado do mar, e só se torna a vê-lo no monte de Angostura na fronteira com o Uruguai. Entre estes dois paralelos, separados por cinco graus de latitude, a saliência do esqueleto rochoso da terra acha-se no interior da costa do atlântico, formando contornos acidentados ao longo de uma costa interior, seguindo paralelamente ao atlântico, cerca de 20 milhas náuticas de distância. É esta a margem ocidental das grandes lagoas dos Patos e Mirim, a que pertence todo o sistema hidrográfico do Rio Grande do Sul.

Esta lagoas são separadas do oceano atlântico por terrenos arenosos, baixos, de sedimento mais modernos, cobertos por vegetação de pequeno fôlego e cheios de cômoros de areia, banhados ou alagadiços.

É notório que a costa oceânica em período anterior ao atual foi a costa ocidental das lagoas dos Patos e Mirim, pois foram encontradas conchas marinhas quando das primeiras fundações para construção da primeira ponte ferroviária (1908), no rio São Gonçalo, que une as duas lagoas.

No último período da formação da costa sob a ação dos ventos e correntes de Nordeste e Sudoeste, as areias provenientes dos grandes rios e também as movidas ao longo do litoral foram sendo transportadas, alinhando seus depósitos nos rumos indicados, a sotavento do cabo de Santa Marta, e formaram a espécie de península, que se estende com mais de trezentos quilômetros de extensão, e com larguras variáveis de dez a cinco quilômetros, separando do atlântico uma baía, que depois se transformou na Lagoa dos Patos.

O movimento de areias foi se fazendo desimpedido por qualquer saliência da costa até "Castillos Chicos" (sul da lagoa mirim); os rochedos ali salientes detiveram-lhes a marcha e se enraizaram os primeiros depósitos aglomerando-se em maior massa; caminharam simultaneamente em sua formação a península da Lagoa dos Patos para o sul e da lagoa Mirim para o norte, e, da luta que ocorreu entre as correntes fluviais e os movimentos dos oceanos, no ponto em que deviam encontrar-se, resultou para a indispensável saída de todo a bacia hidrográfica fluvial, que deságua nesta seção da costa, a atual passagem do canal da barra do Rio Grande (antigo canal do norte), única de toda a bacia; e assim se compreende a saída situada sem dependência imediata da foz dos grandes rios e a 287 quilômetros de distância do seu principal tributário, o Guaíba.

A bacia hidrográfica que se escoa por este canal representa cerca de mais da metade dos rios do Rio Grande do Sul e uma pequena parte do Uruguay. Sua área é de 162.000 quilômetros quadrados, e tem como principais afluentes, partindo do norte, o rio Capivari, os rios Gravataí, dos Sinos, Caí, Taquarí e Jacuí reunidos no Guaíba, o Camaquã, o Piratini, o Jaguarão e, finalmente, no Uruguay, os rios Taquari, Cebollaty e São Luiz. Os quatro últimos formam a bacia da lagoa Mirim que se comunica com a dos Patos pelo rio São Gonçalo.

As últimas publicações que citam a Lagoa dos Patos, já a denominam como sendo uma Laguna.

A história da navegação na Lagoa dos Patos nos tempos atuais, iniciam com a chegada dos colonizadores açorianos pelo ano de 1743. Estes se fixaram ao longo das margens da Lagoa dos Patos, onde hoje situam-se, ao sul Rio Grande e Pelotas, e ao norte Porto Alegre. Não há dúvida de que essa navegação, necessariamente à vela, foi iniciada pelos colonos açorianos em meados do século XVIII. A partir desta época eles subiram certamente os afluentes do Guaíba, em pequenos barcos de madeira, que muito contribuíram para o rápido progresso de Porto